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Sé de Évora

Sé de Évora

O ponto de interesse Sé de Évora encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Évora (São Mamede no municipio de Évora e no distrito de Évora.

Arquitectura religiosa, românica, gótica, maneirista, neoclássica. Catedral com vincada feição regional, marcada pela transição das soluções românicas para as do gótico pleno, onde despontam algumas influências arcaicas sem solução de continuidade, oriundas de vários pontos significativos dispostos nas rotas de Santiago. Azulejos de revestimento do coruchéu do torreão N. de fábrica sevilhana quatrocentista; laçarias geométricas dos paramentos do claustro gótico-mouriscas; os capitéis de crochet do pórtico são típicos do ciclo trecentista eborense; molduras do pórtico lateral N. maneiristas; capela-mor em estilo neoclássico joanino adornada com esculturas da escola de Mafra. No período medieval , pré Mosteiro da Batalha, constituia-se como o maior estaleiro de obras do país. O pórtico exibindo aquele que é considerado o mais monumental apostolado da arte medieval portuguesa e no qual trabalhou Telo Garcia que já lavrara o túmulo do Arcebispo bracarense Dom Gonçalo Pereira. O zimbório, elemento que identifica porventura as fontes de influência do primeiro ciclo de edificação do templo, lembrando protótipos que, irradiando de Perigord e Poitou, têm expressão suprema na catedral de Zamora. As rosáceas da frontaria e do braço N. do transepto. A capela-mor talvez a obra mais equilibrada do neoclássico joanino, pesem embora as dificuldades de integração na mole gótica: uma luz equilibradíssima, reflectida e sombreada pela alternância do mármore branco e negro, conferindo a toda a complexa estrutura a monumentalidade das melhores realizações berninianas; destacam-se os seus adornos escultóricos atribuídos ao paduano António Bellini. Saliente-se ainda a vastidão da nave central de pé direito descomunal. O órgão, um dos raros exemplares quinhentistas ainda existentes no país, de Heitor Lobo que construiu igualmente o órgão do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (v. PT002603170004).

Planta longitudinal, orientada, composta pelo corpo da nave rectangular, torreões laterais da frontaria embebendo o nártex, transepto, ábside, construções térreas, salas capitulares e sacristias envolvendo os braços do transepto e claustro a S. da nave. Fachada principal a SO., de dois registos, defendida por sólidos torreões laterais embebendo, no primeiro registo, o nártex e no segundo o paramento fronteiro da nave; este é rasgado pelo amplo vão de arco quebrado emoldurando composição envasada, de duplo janelão mainelado sobrepujado e enlaçado, na continuidade da inversão da direcção das arcaturas, ampla rosácea com vitrais losangulares; cimalha rematada de renque de rendilhado trilobado e de merlões. nártex, apertado entre os torreões, abrindo ao exterior em amplo vão de arco quebrado e com cobertura em abóbada ogival, de um só tramo; dá acesso a pórtico de sete arquivoltas de arco quebrado a cairem em colunas compósitas, em cujo lanço superior figura monumental Apostolado. Fachadas laterais de dois registos, os inferiores rasgados de arcos em volta perfeita, muito profundos e de chanfradura; os superiores de sete tramos, definidos por contrafortes, rasgados por largos janelões de arco quebrado, emoldurando dupla fresta estreita e amainelada, rasgada por simples óculo circular nos tímpanos; paramentos rematados por renque rendilhado e merlões; nos topos S. e N. dos braços do transepto pórticos laterais. Cruzeiro rematado por zimbório em tambor octagonal, com sólidos contrafortes nas arestas, rasgado por janelas maineladas nas oito faces e rematado por coruchéu compósito, de cone com efeitos escamados rodeado por pináculos de fuste sextavado e coroa de pináculos cónicos. Fachada testeira definida pela projecção da ábside sobre os braços do transepto; estes são cegos apenas com delicadas rosáceas nos topos, com moldura frisada de ordens bem repuxadas e toda a superfície envasada de motivos geométricos polilobados; da cabeceira de planta poligonal, flanqueada de cacho de absidíolos, restam dois pares de colaterais; ábside, em silharia monumental de mármore branco de Estremoz, rectangular arredondada na testeira, com os alçados compostos por dois lanços sobrepostos de ramos apilastrados da ordem jónica, no primeiro rasgados por janelões rectangulares de molduras com parapeitos retabulares e no segundo por aberturas de verga ligeiramente arqueada e profundas molduras esquadriadas; é coroada por balaustrada, com os tramos definidos por pilastras rematadas com pináculos florais. INTERIOR: três naves, a central larga e muito elevada, as laterais baixas e estreitas; sete tramos rectangulares definidos pelos poderosos pilares que levantam os arcos torais sobre os quais repousa a abóbada de berço de arco quebrado; esguias colunas de fuste contínuo, a romperem de simples plintos de duas ordens paralelepipédicas, recebem a descarga em capitéis, com enrolamentos de folha de cardo, e marcam, até metade da altura, os pilares sobre os quais descarregam os amplos arcos quebrados, de duas arquivoltas, dos vãos que se rasgam para as naves laterais; dez colunelos, dois torais e quatro das arquivoltas de cada arco rasgado sobre as laterais, embebem-se então nos pilares, poliedros compósitos de planta octogonal, conseguida pela inscrição de um quadrado sobre dois rectângulos perpendiculares e secantes; trifório contínuo acompanhando os braços do transepto, abrindo-se em varandins de quádruplo mainel e arcos de volta perfeita, com fortes e atarracados colunelos de baixos capitéis fitomórficos; naves laterais de seis tramos, cobertas de abóbadas de arestas de ogivas e arcos torais descarregando nos pilares centrais e em colunelos embebidos nas empenas laterais; estas são rasgadas por amplas e profundas frestas de arco redondo. Cruzeiro com cúpula ogival de marcadas nervuras, circunscrita no torreão quadrangular da lanterna e assente em quatro trompas. Braços do transepto de dois tramos, cobertos por abóbada de berço em arco quebrado, definidos por arcos torais iguais aos da nave; nos topos dois pares de absidíolos, os exteriores menos profundos de um tramo com cobertura ogival, os interiores bem rasgados de dois tramos. Arco triunfal simples em arco quebrado a realizar encontro com as pmbreiras dos vãos do transepto através de finos colunelos com capitéis fitomórficos; capela-mor de três tramos a que se adossa ainda o testeiro de planta semicircular; paramentos retabulados, em mármore branco e negro, e apilastrados rematados por arquitrave; cobertura em abóbada de canhão retabulada, rematada na testeira com semicúpula esférica; embebidas em retábulos, adornos escultóricos rematando cimalhas e pináculos. coro-alto, munido de cadeiral, ocupando os dois primeiros tramos da nave central e carregado ao nível da cimalha das navetas, por dois tramos de abóbada ogival nervurada de arco abatido. Claustro de planta sensivelmente quadrada, mais alongada no eixo E.-O., rematado por pequenos cubelos nos cunhais, simulando castelo.

Materiais

Alvenaria mista de granito e tijolo com revestimento a imitar a estratigrafia da pedra (paredes exteriores e interiores, cobertura) e alvenaria hidráulica; cantarias de granito (molduras, mísulas, pilares, pavimento de escadas, contrafortes, pavimento, zimbório, merlões, capitéis, gárgulas); mármore (capitéis, colunas, janelas da capela-mor, Apostolado) e mármores policromos (capela-mor, pórtico da Capela do Esporão); azulejo (revestimento do pináculo da torre S.); betão e betão armado; ferro e ferro forjado; madeira; telha; tijoleira (cobertura); vidro.

Observações

*1 - segundo Couto a janela é dos inícios do Séc. 13 e filia-se na transição do românico para o gótico e a implantação desta sala, saindo fora do alinhamento da parede exterior do transepto, repete-se nalgumas catedrais coevas como na de Verdun e Chalons-sur-Marne, sendo destinadas a sacrários, tesouro ou sacristia (TXT.01118630 a 01118632); na sequência desta descoberta, recomenda-se a conservação de toda a obra de marcenaria, arcazes, arquibancos, etc. (TXT. 01118635) e sugere-se deslocar o "armarete dos sacros, colocado face ao mainel" da janela, e instala-lo sobre um plinto ou embasamento, solução contestada por A. Couto que alvitra a sua aplicação nas paredes laterais uma vez que este ainda conserva na parte interior o nome do seu possuidor (Severim de Faria); defende o reentaipamento da janela, após a execução do seu desenho rigoroso, de molde a conservar-se assim a disposição dos armários; *2 - a 7 março de 1945 a DGEMN refere que o Cabido pretende a demolição dos 6 altares laterais da nave direita para completo acabamento das frestas já restauradas na parte superior, incluindo a colocação dos vitrais; também a 21 setembro de 1956 o presidente do Cabido refere que a "recente supressão das capelas laterais seiscentistas restituindo as naves laterais à sua primitiva traça"; o que pode significar que o apeamento dos altares não teve lugar em 1939, pelo menos na sua totalidade; *3 - refere que o órgão possui c. de 900 tubos quase todos de metal e dois defeitos de construção que pretende eliminar: a oitava curta e os foles diagonais (só possui 3 foles diagonais ou em cunha) (TXT.01118616); *4 - a DGEMN sugere a colocação da lápide no transepto, devendo esta ser pequena, sem moldura, de pedra e com carateres clássicos; *5 - "o qual transferido pela 3.ª vez do local onde primitivamente foi erigido por concessão parlamentar, ao lado do fundador e na sua capela do claustro, se verificou a inconveniência da cripta onde atualmente se encontra por motivo das infiltrações que todos os invernos ali se dão e quase a chegam a submergir" (TXT.01117811); *6 - a DGEMN opõe-se argumentando que esta não pode ser retirada sem perigo pois faz parte integrante da construção, existindo desde 1940 uma sua cópia em gesso; *7 - algumas das quais figuraram em várias exposições, nomeadamente na dos Primitivos Portugueses de 1940; *8 - as peças substituídas deverão ser reenviadas para Portugal para exposição no Museu do Conservatório Nacional de Música; *9 - consultor da FGB para o restauro do órgão e curador do Institut of Musicology da Universidade de Utrecht; *10 - o restauro será feito por 2 assistentes do Sr. Flentrop sob a direção de Vente; *11 - a instalação do orgão será supervisionada por Flentrop e Vente que chegam mais tarde; *12 - que não foi roubado por ter entretanto sido retirado para outro local pelo Arcebispado (TXT.00205509); *13 - a composição dos torreões, como de resto todo o edifício, é desigual, tendo todavia as cimalhas alinhadas; *14 - o organeiro João A. P. Sampaio examinou o órgão da tribuna lateral do altar-mor em maio de 1946 pelo que provavelmente este ainda não teria sido apeado.