Arquitectura religiosa, românica. Igreja rural da 2ª fase do românico português, que adopta, entre outros elementos, cabeceira quadrangular e portais mais profundos; insere-se na 1ª fase do românico do Alto Minho e, pela sua decoração, nas construções típicas da Ribeira Lima, exceptuando-se a decoração do arco triunfal que, segundo Lourenço Alves, é inspirada no foco bracarense. Ao contrário do que acontece normalmente no românico da Ribeira Lima, aqui os cachorros têm pouca decoração. O portal é talvez o melhor exemplo de um portal retábulo, "porta da salvação" ou "porta do céu". A sua leitura simbólica continua bastante incipiente e falha. Para além dos elementos vegetalistas e geométricos, é notório uma certa preocupação catequista, elucidando os fiéis sobre as virtudes e os vícios *1. Os capitéis têm temas tradicionais e o tímpano é 1 dos 4 do Alto Minho onde surge o tema do Cristo em Magestade, em mandorla. Como outras igrejas do Norte, este pórtico tem duplo tímpano tendo o do interior decoração semelhante ao da fachada N., onde as folhas da arquivolta se repetem no arco triunfal e suporte. O Agnus Dei do tímpano S. é também um tema muito frequente. Os frescos devem ser do séc. 14 e, segundo Jaime Catarino, possuem muitas semelhanças com os de Castro Marim e os de Penacova.
Planta longitudinal, composta por nave única e capela-mor rectangular, mais baixa e estreita, com sacristia anexa a N. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachada principal orientada terminada em empena, portal aberto em alfiz, constituído por 4 colunas com capitéis apoiando arquivoltas, todos profusamente decorados. Imposta corrida e de feição zoomórfica sobre a porta. Tímpano com Cristo em mandorla segura por 2 anjos. Fachadas laterais com cornija (enxaquetada na capela-mor) sobre cachorrada lisa, geométrica ou historiada. A S. portal de arco quebrado sobre pé-direito com impostas zoomórficas e Agnus Dei no tímpano; dupla arquivolta decorada por filete perlado e bosantes. Encima-o e ladeia-o friso de apoio a telhados das antigas dependências conventuais. A N. portal também de arco quebrado sobre pés-direitos e ombreira exterior com folhas; tímpano com cruz e 2 animais. No INTERIOR, nave corrida por friso enxaquetado, com quatro frestas ladeadas por colunas com capitéis e impostas decoradas por motivos vegetalistas e geométricos apoiando arcos plenos. Sobre o pórtico axial dupla arquivolta e tímpano com nó de Salomão, encimado por vão cego, possivelmente uma fresta. Cobertura em madeira. Arco triunfal decorado por friso com leões e folhas, colunas com capitéis e imposta corrida esculpida; bases com gripos. É ladeado por dois frescos representando Martírio de São Sebastião e a Virgem, de pé, com o Menino nos braços. Encima-o rosácea esculpida. Capela-mor percorrida por friso enxaquetado, com três frestas e cobertura de madeira.
Materiais
Cantaria granítica com aparelho "vittatum", frescos e madeira. Pavimento lajeado e cobertura de telha.
Observações
*1 - Caso da astúcia, pelo macaco, o pecado original ou a volúpia pelas serpentes, a graça inesgotável pelas águias com os bicos em cornocópias de flores, a universalidade da redenção do homem pelas figuras da arquivolta que, contudo, são interpretadas por outros autores como sendo os Apóstolos. De leitura problemática são também as 2 figuras hieráticas e sem módulo das colunas, normalmente tidas como a Virgem e anjo Gabriel na cena da "Anunciação", mas que Lourenço Alves interpreta como 2 monges. *2 - Do antigo mosteiro de Bravães resta apenas a igreja, ao que parece reconstruída na 1ª metade do séc. 13 com granito mais áspero e duro, em dente de cavalo, como se vê na cabeceira e na parte superior da nave, mas utilizando elementos da construção anterior. *3 - O frontespício devia ser fenestrado, possivelmente por uma fresta de que ainda vemos vestígios no interior. *4 - A Câmara Municipal de Ponte da Barca estuda, neste momento, a hipótese de criação de um núcleo museológico, junto à igreja, onde seriam integrados, eventualmente, alguns frescos retirados do imóvel e que, presentemente, se encontram no Museu Nacional de Arte Antiga.