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Santuário de Nossa Senhora da Enxara

Santuário de Nossa Senhora da Enxara

O ponto de interesse Santuário de Nossa Senhora da Enxara encontra-se localizado na freguesia de São João Baptista no municipio de Campo Maior e no distrito de Portalegre.

Arquitectura religiosa, rococó, vernácula e modernista. Capela de peregrinação de provável fundação quatrocentista profundamente alterada nos séc.18 e 20. De planta longitudinal, nave única e capela-mor escalonada com sala do trono, possui galilé de três arcos algo adulterada e frontaria em empena recortada com sineiras colocadas na transversal. Na fachada lateral direita e na cabeceira corre galeria arcada com cobertura em abóbadas de aresta, contrafortada, muito provavelmente vestígios da primitiva ermida. Interior simples com alçados de alvenaria caiados, cobertura em abóbada de canhão na nave e de aresta na capela-mor; altares laterais junto ao arco triunfal de volta perfeita e púlpito de caixa fechada do lado da Epístola; existência de dois janelões-tribuna na capela-mor, afrontados; retábulo-mor, com camarim, de planta convexa, sendo este, bem como os retábulos dos altares laterais e o púlpito, de alvenaria caiada com decorações de estuque, pintados a azul claro e avivados a dourado, característicamente rococó como orelhões e enrolamentos, decorações estas que ornamentam igualmente a verga da porta de acesso à sacristia que se rasga no alçado do Evangelho da capela-mor. Integra-se no conjunto de várias capelas dedicadas a Nossa Senhora da Enxara na região fronteiriça, como as capelas espanholas de Nossa Senhora do Chão da Vila em Condossera ou de Nossa Senhora de Botoa em Ribeira del Sapaton (MATOS, 1995).

Capela de planta longitudinal composta por galilé, nave única, capela-mor ligeiramente escalonada, galerias adossadas às fachadas laterais O.e E. e N., sala do trono e sacristia. Volumes articulados, com capela-mor e nave à mesma altura, massas dispostas na horizontal. Cobertura diferenciada em telhado de 2 águas na capela, de uma água nos restantes corposem terraço na galilé. Alçados de alvenaria rebocada e caiada a branco, com embasamento envolvente pintado a cor cinza e molduras de portas e janelas, de alvenaria, pintados na mesma cor. Fachada principal a S., de três panos, o central mais elevado com galilé adossada: esta é de 3 arcadas de volta perfeita e flecha elevada, um pouco mais larga a arcada central, e de uma arcada nos panos laterais; tem cobertura exterior em terraço e interior em abóbada de aresta de três tramos, com pavimento pétreo; em plano recuado, no pano central da fachada rasga-se sobre o terraço da galilé, janelão rectangular e óculo eliptíco axiais; remate do pano em frontão de lances recortados coroado por cruz no vértice; nas ilhargas, ao nível do arranque do frontão, remates em cornija e beirado, correspondendo ao telhado da nave, tendo sobrepostas de cada lado e na transversal, uma sineira com olhar em volta perfeita e remate em frontão curvo coroado de três pináculos; inferiormente rasga-se o pórtico axial, col molduras rectas de mármore, com marcação das bases e verga sobrepujada por pequeno frontão de alvenaria; os panos laterais da fachada apresentam remates em meia-empena rasgados cada por vão rectangular; o pano da esquerda tem adossado o corpo das escadas de acesso ao terraço da galilé, suportado em meia arcaria; no pano da direita corpo quadrangular, de acesso à galeria adossada a E., rasgado por arco de volta perfeita, remate recto e com cobertura em terraço. Fachada O. de dois corpos, correspondentes ao corpo da nave e ao da galeria a ela adossada, mais baixo; apresentam ambos dois panos, correspondentes ao corpo da nave e capela-mor, este ligeiramente reeentrante, com remates rectos em cornija moldurada e beirado, sendo o da nave interrompido pela sineira; no alçado da capela-mor rasga-se janela reentrante sem molduras; no da galeria rasgam-se, superiormente 4 janelas rectangulares e, inferiormente, de S. para N., duas janelas rectangulares, dispostas na horizontal, intervaladas por uma porta disposta assimetricamente; logo abaixo da quarta janela, duas frestas rectangulares; no extremo N. vão em arco de volta perfeita de acesso à galeria adossada à cabeceira; entre os vãos superiores e os inferiores corre fiada de 4 pequenas mísulas pétreas. Fachada E. com idêntica articulação de corpos mas apresentando-se o da galeria rasgado por 7 arcadas em arco de volta perfeita, descarregando em pilares de secção rectangular munidos de mísulas de alvenaria; entre a 5ª e a 6ª arcada um contraforte em rampa; no 1º pano as arcadas, ligeiramente reentrantes, abrem-se em vãos rectangulares e superiormente rasgam-se, em correspondência, 5 janelões em arco de volta perfeita; no interior a galeria apresenta cobertura em abóbada de aresta, de 7 tramos, com arcadas descarregando nos alçados interiores em pilastras. Fachada da cabeceira, a N., de três panos correspondentes o central, mais baixo, à capela-mor, os laterais às galerias que envolvem toda esta fachada; no pano central, entre dois contrafortes de rampa, rasgam-se duas arcadas idênticas às da fachada E. e nos laterais uma arcada igual; superiormente rasgam-se no pano central, axiais às arcadas, duas pequenas frestas quadradas e nos laterais, descentradas, duas janelas rectangulares; uma mísula pétrea, idêntica às da fachada O., em cada pano; remates em meia-empena nos panos laterais e no central recto, em cornija moldurada e beirado. INTERIOR: alçados rebocados e caiados a branco; nave com cobertura em abóbada de berço sobre sanca; pavimento tijoleira. Coro-alto em balcão, com parapeito em ferro, sem acesso, iluminado por janelão e óculo elíptico; no sub-coro, em cada um dos alçados laterais, pia de água benta pétrea. Na nave alçados do Evangelho e Epístola idênticos, de pano e registo únicos, com altar lateral junto ao arco triunfal: apresentam retábulo de alvenaria, pintado com apontamento de azul claro e dourado, de planta recta e eixo único, sotobanco entre bases, moduladas em forma de campânula, preenchido pela mesa de altar em urna; corpo central entre duplas pilastras, nascendo das bases do sotobanco, com querubins sob as mísulas; enquadram falso nicho com pintura mural moderna, figurando, no Evangelho "Cristo atado à coluna" e na Epístola "São João Baptista"; ático em frontão curvilíneo tendo no tímpano decoração em estuque com um orelhão; no alçado da Epístola, antes do altar lateral, rasga-se pequena porta que conduz ao corredor de acesso ao púlpito; segue-se-lhe o púlpito, em alvenaria, de caixa de secção semicircular decorada com enrolamentos, asas de morcego e elementos vegetalistas, pintados a azul claro e dourado, com acesso por porta em arco de volta perfeita encimada por pequena cornija triangular. Arco triunfal de volta perfeita, erguendo-se à altura da nave, assente sobre pilastras, decorado com cartelas pintadas a azul claro. Capela-mor de planta rectangular com cobertura em abóbada de aresta, sobre sanca envolvente, com nervuras pintadas a azul claro e fecho azul e dourado; pavimento em tijoleira; alçados do Evangelho e Epístola iguais, rasgados por janelão da tribuna, com verga arco em cortina, moldura envolvente recortada e parapeito alto de alvenaria e, superiormente, por janelão semelhante mas com verga curvilínea; no lado do Evangelho rasga-se porta simples, de acesso à Sacristia e Sala do Trono e outras dependências da Capela, sobreposta de frontão em estuque desenhando auriculares flamejantes; retábulo-mor em alvenaria, pintado de branco e azul claro, de planta concâva e eixo único; corpo central com tribuna e camarim, com nicho de verga curvílinea, enquadrado por colunas coríntias de fuste liso; ático em frontão curvo tendo no tímpano orelhão rematado por coroa; altar-mor sobrelevado, sobre degrau; mesa de altar com frontal decorado com estuques brancos.

Materiais

Alvenaria rebocada, telha, tijoleira.

Observações

*1 - A iconografia de Nossa Senhora da Enxara, a Virgem com o Menino sobre uma rocha, está ligada à lenda segundo a qual a Senhora teria aparecido a uma menina de Ouguela enquanto a mãe lavava a roupa no rio Xévora oferecendo-lhe um brinco. Quando a mãe voltou ao local encontrou uma imagem da Virgem sobre uma rocha, decidindo os habitantes de Ouguela construir no local uma ermida.