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Edifício do Turismo da Serra da Estrela

Edifício do Turismo da Serra da Estrela

O ponto de interesse Edifício do Turismo da Serra da Estrela encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Covilhã e Canhoso no municipio de Covilhã e no distrito de Castelo Branco.

Arquitectura de saúde, do séc. 20. Dispensário concelhio, delineado de acordo com a tipologia criada por Carlos Ramos em 1934, com materiais e processos construtivos adequados às circunstâncias locais e recursos materiais da região. As paredes exteriores seriam, assim, executadas em alvenaria comum, ou em granito com 30 cm de espessura, de acordo com as opções do autor e o parecer da Repartição Técnica da Assistência Nacional aos Tuberculosos. Sob o ponto de vista funcional que, segundo Carlos Ramos, era "o aspecto mais lógico pelo qual [a arquitectura] deve[ia] ser examinada", a solução equacionada assentava numa planta de base quadrangular, de um único pavimento, concebida de forma que "todos os serviços ficassem agrupados convenientemente, com a interdependência tão necessária ao seu funcionamento e, sobretudo, com a orientação mais adequada para cada uma das peças" (PT DGEMN: APCCR, PT 3/38, "Assistência Nacional aos Tuberculosos "Dispensário Distrital", Memória Descritiva, s.d.). A norte instalavam-se as áreas que necessitavam de maior luminosidade, a saber: sala de radioscopia; sala de consulta, tratamentos e laboratório com rasgamentos para poente e nascente; ficando a sul a recepção e o grande vestíbulo. O espaço interior era prolongado por um pequeno alpendre que antecedia a entrada, onde o "doente encontra[va] logo o seu guia, instalado no gabinete de registos onde, se apenas necessita[va] de qualquer informação, ela lhe ser[ia] dada ao abrigo do sol ou da chuva sem contudo entrar propriamente no Dispensário [...]". No que concerne à formalização do edifício, o autor propõe uma concepção de "linhas simples e modestas", conforme ao solicitado no art. 4º das bases do concurso, procurando "dar a este tipo de Dispensário um pequeno ar de templo, de pequena ermida onde os doentes devem ir confessar-se, não ocultando a verdade sobre a origem dos seus males para que assim possam tratar-se convenientemente" (PT DGEMN: APCCR, PT 3/38, "Assistência Nacional aos Tuberculosos "Dispensário Distrital", Memória Descritiva, s.d.). Basicamente, o dispensário funcionava como a peça fundamental do sistema de luta contra a tuberculose, permitindo, através do contacto directo com as populações, a realização de exames periódicos, o despiste de eventuais casos de doença, a identificação das fontes de contágio, o tratamento de doentes em regime ambulatório, a organização do cadastro radiológico, sistemático e periódico de antigos doentes com alta, o encaminhamento dos doentes para os recintos de internamento e a informação geral das populações locais. A acção dos dispensários era complementada pelo trabalho das brigadas móveis, no que concerne à profilaxia da doença e à investigação epidemiológica, sendo a distribuição dos estabelecimentos e a respectiva lotação estabelecida a partir da taxa de mortalidade local.

Planta em T, evoluindo na horizontal, de volume único, com coberturas escalonadas e diferenciadas em telhados de uma, três e quatro águas. Fachadas rebocadas e pintadas de rosa, percorridas por embasamento de cantaria, rematadas em friso de betão, rebocado e pintado de branco, e beirada simples, rasgada uniformemente por vãos rectilíneos com molduras pintadas de branco e caixilharias em alumínio lacado de branco. Fachada principal virada a E., marcada pela zona central mais elevada, rematando em frontão triangular, tendo nos ângulos pináculos ovalados sobre plintos paralelepipédicos, possuindo as cornijas protegidas por telha; no tímpano, o escudo português, em cantaria, possuindo, sob o remate, placa metálica com a identificação e logótipo da Região de Turismo da Serra da Estrela. Sob esta, uma trífora, tendo na base floreira de cantaria assente em quatro mísulas do mesmo material. É ladeada por duas janelas de perfil semelhante, mas sem floreira. Fachada lateral esquerda, virada a S., formando o ângulo do T, com janela rectilínea, ampla e protegida por três folhas e bandeira, surgindo, no corpo em ressalto, duas janelas que centram porta, surgindo uma segunda janela de menores dimensões, protegida apenas por uma folha; na face S., rasga-se pequena janela. Adossado ao braço posterior do T, um corpo, com amplo portão, constituindo uma garagem. Fachada lateral direita, virada a N., com uma janela semelhante às anteriores, bastante ampla e com três folhas e porta de acesso ao imóvel, ladeado por pequeno postigo fixo; no braço maior do T, uma janela de peitoril e uma porta, existindo, na face E., janela com peitoril em cantaria. Fachada posterior cega *1. INTERIOR rebocado e pintado de branco, percorrido por silhar de azulejos policromos, formando padrão, com pavimento em tijoleira e tectos falsos, sendo as divisórias em tabique. Possui um pequeno vestíbulo, separado por guarda-vento em vidro, chegando-se à zona de recepção, dividido por um balcão de atendimento. Todas estes espaços possuem portas de verga recta de ligação a uma sala de reuniões, que liga a um corredor de circulação que abre para seis dependências de dimensões distintas, onde funcionam os vários serviços, e, no lado esquerdo, as instalações sanitárias *2.

Materiais

Estrutura em alvenaria de granito e betão, rebocado e pintado; embasamento, escudo, pináculos em cantaria; caixilharias e portas em alumínio lacado e vidro simples; pavimentos em tijoleira; silhares de azulejo industrial; cobertura em telha.

Observações

*1 - possuía, ao centro, janela de quatro lumes, ladeada por duas simples com peitoril em cantaria, surgindo, no extremo esquerdo, uma de três lumes e no lado oposto uma janela, onde aparecia uma janela de três lumes, dando origem a uma fachada simétrica e regular, mas dois dos lumes foram integrados no corpo adossado da garagem; os demais abrem para o corpo anexo, uma passagem interior, que liga à garagem. *2 - este espaço era algo distinto, possuindo um vestíbulo e a secretaria, todos a abrir para uma ampla sala de espera, o actual espaço de reunião, tendo à esquerda as instalações sanitárias e, na zona posterior, os consultórios, zona de vacinação, surgindo, no lado direito, o serviço de radiologia e laboratório, surgindo pequenos vestiários entre os espaços, destinados aos utentes. *3 - as concepções clínicas evoluíram no sentido de se alcançar um enquadramento físico e sociológico das populações contaminadas, só tornado possível pela gradual ampliação do discurso científico no campo da arquitectura. A difusão dos dispensários e sanatórios ocorreu em toda a Europa aproximadamente no último quartel do século XIX e as características da situação exterior eram razoavelmente conhecidas em Portugal, onde o médico António Lencastre (1857-1944), colaborador da Rainha D. Amélia, desempenhou uma acção preponderante para a fixação de princípios de actuação e criação de regras gerais para a construção dos dispensários. A partir da década de 30 do século 20, o Ministério do Interior promoveu uma extensa reforma no âmbito da saúde pública que contemplou a estruturação de uma rede de equipamentos de apoio à erradicação da tuberculose, determinando uma série de pesquisas que contou com a intervenção directa dos arquitectos num processo de experimentação de novas tipologias. Entre as várias morfologias daí decorrentes fixaram-se projectos-tipo quer de sanatórios, hospitais e preventórios, que foram projectados pelo arq.º Vasco Regaleira, quer de dispensários distritais e concelhios cuja concepção foi delineada pelo arq.º Carlos Ramos, vencedor do concurso público aberto em 1934. Em 1931 a rede nacional de dispensários reduzia-se a 7 estabelecimentos. Cinco anos mais tarde essa rede alargava o seu número para 63 edifícios, entre os quais 23 eram distritais e 40 concelhios.