Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Convento franciscano capucho, de construção tardo-medieval, de que não subsistem vestígios, tendo sido remodelado ao longo dos séculos 17 e 18, alterando significativamente a sua estrutura, a última tentando-o adequar às normas da Província da Conceição, também este parcialmente desaparecido. É de planta rectangular irregular, composto por igreja de planta longitudinal e convento desenvolvido no lado direito. A igreja é de estrutura chã, de planta longitudinal, antecedida por galilé, e capela-mor mais estreita. A fachada principal remata em frontão triangular, marcada pelo portal rectilíneo, pelo janelão do coro-alto, ladeado por nichos com imaginária, e óculo circular, todos com molduras de cantaria. Interior com coro-alto, e, no lado da Epístola, o púlpito quadrangular surgindo, ainda, confessionários embutidos no muro. Arco triunfal de volta perfeita, encimado pelo Calvário, ladeado por retábulos colaterais. Capela-mor com retábulo de talha dourada. Campanário de dois registos separados por cornija, o inferior cego, rematado por cornija e pináculos de bola. Tem remate do campanário simples, semelhante a Caminha, Melgaço, Monção, Mosteiró, Moncorvo e Arcos. Existência de 3 confessionários. O convento desenvolve-se em torno de claustro quadrangular. No lado do Evangelho, o acesso à Via Sacra, sacristia e lavabo, tendo, na ala oposta à igreja, o refeitório, cozinha e despensa, surgindo, virado à fachada principal, a Casa do Capítulo. No piso superior, o dormitório.
Planta rectangular irregular composta por dois corpos articulados, desenvolvidos em torno de dois pátios, de plantas distintas, quadrangular e rectangular, com coberturas diferenciadas em telhados de duas e quatro águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco ou em alvenaria de granito aparente, com as juntas pintadas de branco, com cunhais em cantaria almofadada e rematada em friso de cantaria ou de betão e beirada simples, evoluindo em dois e três pisos. Fachada principal dividida em dois panos, o extremo esquerdo formando um ressalto. O central, o mais importante, evolui em dois pisos, rasgado por vãos rectilíneos com molduras simples em cantaria, protegidas por portas de madeira ou por janelas de duas folhas com caixilhos de madeira e vidro simples. No primeiro piso, surgem duas portas, uma delas circunscrita por colunas jónicas, encimadas pelas imagens policromas de São Francisco e Santo António, e encimado por um emblema da corporação que ocupa o espaço; surgem, ainda, três janelas, a do extremo esquerdo de menores dimensões, e uma meia luneta junto ao pavimento. No segundo piso, onze janelas rectilíneas, que centram uma de maiores dimensões. No extremo esquerdo, um pano em ressalto, rasgado por porta rectilínea e janela com o mesmo perfil. Fachada lateral esquerda adossada a um alto muro, pertencente à garagem anexa, onde se situava primitivamente a igreja. Fachada lateral direita bastante ampla, correspondendo a uma das alas do edifício que se prolonga perpendicularmente à fachada principal, composto por três panos, o do lado esquerdo saliente e evoluindo em três pisos, o inferior com porta de verga recta, protegida por alpendre assente em pilares de cantaria, que se prolongam no piso intermédio, permitindo criar uma zona alpendrada, que protege uma porta na face virada a SE.. No terceiro piso e sobre o alpendre, ampla varanda com guarda metálica pintada de verde, para onde abrem uma porta e janela de peitoril, ambas rectilíneas. No ângulo criado pela ala que se prolonga, surgem porta em arco de volta perfeita e de verga recta, encimados por duas janelas de peitoril, surgindo no piso superior cinco pequenas janelas de peitoril, todas com molduras simples. Tem adossado um corpo perpendicular de dois pisos, o inferior aberto e sustentado por colunas cilíndricas, servindo de garagem, encimado por janelas de peitoril em arcos abatidos. Os corpos criam um pequeno pátio, pavimentado a alcatrão. O pano intermédio tem o piso inferior cego, tendo, no segundo, oito janelas de peitoril, duas rectilíneas e uma em arco abatido, e uma janela de varandim com guarda metálica, também ela em arco abatido; no piso superior, dez janelas de peitoril rectilíneas e uma de sacada com bacia em cantaria e guarda metálica. O pano extremo direito possui primeiro piso cego, o segundo marcado por três janelas de peitoril rectilíneas, de dimensões distintas, encimadas por cinco arcadas de volta perfeita, correspondentes à ilharga da galeria que abre para a fachada posterior, para cuja galeria abrem duas portas de verga recta com inscrições e duas janelas de peitoril rectilíneas; possui cobertura de madeira em gamela. A fachada posterior tem, no piso inferior, três portas de verga recta que abrem para um alpendre sustentado por três pilares de cantaria, encimadas por oito arcos de volta perfeita assentes em colunas toscanas para onde abrem duas portas de verga recta, tendo a galeria cobertura de madeira em masseira, INTERIOR desenvolvido em torno de um pátio quadrangular, o primitivo claustro, pavimentado a lajeado de granito, formando uma cruz em haspa, marcado no lado esquerdo pelo muro da actual garagem, tendo, na fachada ?? janelas, duas no primeiro piso, uma rectilínea e outro em arco de volta perfeita com moldura boleada, encimados por duas rectilíneas e uma em arco de volta perfeita, todas com molduras simples de cantaria. No lado oposto à parede da garagem, escadas de cantaria e guarda metálica de acesso ao segundo piso, por porta de verga recta, ladeado por duas janelas com pano de peito em cantaria de granito; no piso inferior, uma porta e janela jacente, ambas rectilíneas. A fachada posterior evolui em três pisos, o inferior com porta de verga recta, duas janelas de peitoril e nicho em arco apontado; no piso intermédio, duas janelas de peitoril e, no superior, três, todas com molduras simples e caixilharias em guilhotina. O interior é rebocado e pintado de branco, com as paredes marcadas por silhares de azulejo de padrão policromo e pavimentos em lajeado de granito e ladrilho cerâmico. O acesso interno ao segundo piso processa-se por escadas no lado esquerdo do conjunto, em cantaria de granito e marcadas por silhar a reaproveitar azulejos policromos e azuis e brancos, de fabrico tradicional, que leva a um patamar com vão rectilíneo de acesso às várias dependências.
Materiais
Estrutura em alvenaria e cantaria de granito, parcialmente rebocada e pintada; colunas, modinaturas, esculturas, escadas em cantaria de granito; coberturas e pavimentos de madeira; guardas em ferro; silhares de azulejo industrial e de fabrico tradicional; coberturas em telha.
Observações
*1 - a Igreja Paroquial de São Martinho de Mateus recebeu uma cobertura de madeira, executada por Gregório de Mesquita, em 23 de Abril de 1715, e que seguiria o modelo do Convento de São Francisco de Vila Real, levando a crer que o mestre possa ter intervindo no Convento. *2 - fazem parte da Província os seguintes Conventos: Santa Maria de Mosteiró (v. PT011608030013), Santa Maria da Ínsua (v. PT011602120133), São Francisco de Viana (v. PT011609310047), Santo António de Ponte de Lima (v. PT011607350252), Santo António de Caminha (v. PT011602070044), São Bento de Arcos de Valdevez (v. PT011601340059), São Bento e Nossa Senhora da Glória de Monção (v. PT011604170011), Nossa Senhora da Conceição de Melgaço (PT011603180044), Santo António do Porto (v. PT011312120035), São Francisco de Lamego (v. PT011805010074), São Francisco de Orgens (v. PT021823190031), São Francisco de Moncorvo (v. PT010409160053), São Francisco de Vila Real, Santo António de Serém (v. PT020101120131), Santo António de Viseu (v. PT021823240358), Santo António de Viana (v. PT011609310048), Santo António de Vila Cova de Alva (v. PT020601180012), Santo António de Pinhel (v. PT020910170012), São José de São Pedro do Sul (v. PT021816140005), Convento do Senhor da Fraga (v. PT021817040031), Colégio de Santo António de Coimbra (v. PT020603020036 e PT020603020163) e o desaparecido Hospício de Lisboa. *3 - no lado do Evangelho, as capelas de Nossa Senhora da Conceição e de Santo Cristo, a primeira ocupada pela Ordem Terceira, com acesso por arco de cantaria, composta por nave e capela-mor, com 3 altares, o principal com as imagens de Nossa Senhora da Conceição, São Francisco e Santa Isabel, estando o arco triunfal ladeado por colaterais dedicados a Nossa Senhora do Loreto (Evangelho) e Santa Margarida de Cortona (Epístola), ladeada pelas figuras de São Roque e Santa Jacinta de Mariscot; tinha porta travessa que dava para um cemitério com 2 altares, dedicados ao Ecce Homo e a Santa Rosa de Viterbo; a Capela de Santo Cristo era profunda, abobadada em cantaria lavrada e com retábulo do mesmo material, com as imagens de Santo Cristo, ladeadas por São Francisco e Santo António; no arco de acesso a pedra de armas do fundador, Diogo Dias Ferreira, esquartelada com as armas dos Pimentel, Ataíde, Ferreira e Teixeira; os retábulos colaterais dedicados a Santo António e Santa Clara; o retábulo-mor tinha um trono com tocheiros, surgindo, na estrutura, a imagem de Nossa Senhora da Conceição, ladeada por São Francisco e São Domingos; sobre o altar, uma banqueta setecentista, dourada, com um Crucificado, surgindo, no interior do altar, num esquema pouco comum entre os retábulos-mor, a imagem de Cristo morto; o arcaz da sacristia era de pau-preto, com nove gavetões e ferragens amarelas, encimado por espaldar, tendo, ao centro, um nicho com um Cristo de marfim e com bustos-relicários, de São Victo e São Faustino, Mártires, sendo ladeado por seis quadros a representar santos; o armário era em pau-preto e angelim, sobre o qual surgia um nicho com um busto-relicário com ossadas dos Santos Mártires de Marrocos; no claustro, no cemitério dos frades localizado no lanço que ligava o refeitório à sacristia, no lado oposto à fachada principal, destacava-se a sepultura de frei Pedro Moreira, quarto guardião do convento, possuindo inscrição; o retábulo do Capítulo era dedicado ao Crucificado; a enfermaria tinha uma varanda, surgindo, ainda, mais duas, uma virada a cerca e uma a NE., em madeira, com forro de castanho, assente em arcos de cantaria; surgia uma terceira no final do dormitório SO.; a cerca desenvolvia-se em declive até ao Rio, com o espaço dividido por ruas, onde surgiam algumas capelas, dedicadas a Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Graça, do Presépio, do Senhor Preso à Coluna e a de São Francisco: a primeira tinha uma lápide com o nome do fundador, Manuel Justiniano de São José; a segunda era de grandes dimensões, antecedida por alpendre, no interior da qual a imagem do orago, de madeira, com 5 palmos e com o Menino nos braços; na cerca, existia terra de lavradio, uma horta, com uma grande rua fronteira ao dormitório, copada por parreiras; possuía um pomar com árvores de fruta e várias matas, uma no sítio da Boavista, uma delas formando um pinhal e um souto. *4 - na capela-mor existiam dois quadros grandes, a representar São Francisco e Santo António, quatro mochos de vinhático e assentos de palhinha, duas credencias e uma lâmpada; nesta dependência arrecadava-se uma custódia de prata dourada, quatro cálices de prata dourada, com as suas patenas e colheres e várias coroas e resplendores pertencentes à imaginária, destacando-se uma coroa de prata de Nossa Senhora do Carmo, um diadema com pedras, de Nossa Senhora das Dores e uma cruz de Santo António com haste de metal, revestida a prata; a portaria tinha uma sineta; no refeitório, surgia uma sineta de chamada para as refeições e sete tábuas de madeira que assentavam em pilares de pedra formando as mesas; na cozinha, uma pia de pedra, que levava quatro almudes de azeite, outra para salgar carne e duas torneiras de bronze, pertencentes ao lavabo; na cela do guardião um espelho pertencente à sacristia e a rouparia tinha um armário em madeira de castanho com a altura de uma vara. *5 - durante a presença dos militares, verificaram-se várias obras no sistema hidráulico, que era composto por canalização de cantaria, composta por 3 lanços, o primeiro com uma calha descoberta, que corria numa galeria visitável, o segundo desde a galeria até à Estrada Real, composta por cano de manilhas apoiado em muros de suporte e em aqueduto e o terceiro desde a Estrada Real até ao Convento, com uma calha coberta, assente em muro com arcadas sobre os caminhos; também os militares tiveram problemas com o abastecimento de água, com várias tentativas de usurpação ou corte da canalização para abertura de vãos em terrenos; as plantas deste períodos, permitem-nos verificar a existência de 3 confessionários embutidos no lado da Epístola do templo; ao lado da capela-mor, a Via Sacra, sacristia e casa do lavabo; ao lado da portaria, a Casa do Capítulo, estando, na ala fronteira à igreja, o refeitório, antecedido pelo "De Profundis" e escada regral; *6 - o acesso ao terreiro do Convento processava-se por dois arcos de volta perfeita, rematados por cornija e pináculos, que centravam uma tabela vertical, flanqueada por aletas, contendo dois nichos de volta perfeita, com as imagens de São Domingos e São Francisco, que centravam as armas franciscanas; existem semelhanças entre esta estrutura e a de acesso ao Convento de Santo António dos Olivais, em Coimbra (v. PT), esta com três arcos; o arco dava acesso a um amplo terreiro, ladeado pelo muro da cerca, integrando, no início, a Capela de Santo António da Carreira (v. PT) e um cruzeiro de pedra, sucedendo-se uma escada do mesmo material; a fachada principal rematava em frontão triangular interrompido inferiormente por óculo, que encimava o jaenlão do coro rectangular ladeado por dois nichos com imaginária; o portal era de verga recta e moldura simples. *7 - as estruturas de Viseu e de São Pedro do Sul foram executadas por João Correia Monteiro, entalhador que poderia ser o responsável por esta obra, pois, em 1767, foi o responsável pelo retábulo-mor do Santuário de Nossa Senhora das Candeias, em Canelas, concelho de Vila Real (ALVES, vol. II, 2001, p. 246); revelando que se encontrava no local. Contudo, as semelhanças entre estes elementos e os do retábulo da Igreja de Mateus, poderá levar a crer, ainda, na intervenção de João António da Silva, imaginário natural de São Miguel de Sende, concelho de Barcelos (ALVES, 1981, p. 13) que o executou em 1732 (BORGES, 2006, p. 488 e Fig. 968); poderia, ainda, ter sido executado por Frei João de Jesus Maria, frade natural de Vila Real, citado na Crónica como o responsável pelo de Santo António de Viana.