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Villa Lusitano-Romana de Torre de Palma

Villa Lusitano-Romana de Torre de Palma

O ponto de interesse Villa Lusitano-Romana de Torre de Palma encontra-se localizado na freguesia de Vaiamonte no municipio de Monforte e no distrito de Portalegre.

Arquitectura agrícola, romana. Villa rustica próxima do tipo italiano (courtyard), como San Rocco em Francolise, embora com uma Pars Rustica e Frumentaria muito mais importantes, sugerindo um controlo sobre uma vasta área. Atrium com peristylium. Mosaicos com emblema, policromáticos, datáveis do período (Séc. 2 a 4) apresentando influências várias particularmente do Norte de África (Tunísia). Complexo basilical exemplar da arquitectura paleocristã do Séc. 6 com influências orientais e norte-africanas. Uma das maiores e mais importantes estações arqueológicas da época romana e medieval da Península (CAEIRO, 1985). A basílica é uma das mais antigas de dupla ábside no mundo cristão, beneficiando ainda da engenharia romana e das proporções vitruvianas; até ao momento, consideram-se desajustadas as suas dimensões face à villa romana que servia, a não ser que esta representasse um centro do sistema de colonato a envolver várias explorações agrícolas ou até villae. Os mosaicos (alusivos àquela que deve ter sido a actividade principal do proprietário da Villa, a de criação de cavalos), constituem exemplar pouco comum no país, cujo paralelo mais próximo se encontra nos mosaicos da Villa de Santa Vitória do Ameixial em Estremoz (070405024), embora aqui as composições apresentem uma feição mais rude, artísticamente menos trabalhados; alguns quadros de mosaicos figurados constituem o único exemplo de "pseudo-emblemas" existentes em Portugal. A piscina no interior do baptistério é considerada como a mais complexa da Península Ibérica e liga-se directamente aos modelos do Norte de África e Palestina.

A villa dos Basilii, que hoje se confina aos alicerces, ao arranque das paredes, a pavimentos e a estruturas que ficavam abaixo do solo, apresenta uma vasta área edificada assim constituída: Zona de maior edificação: Pars Urbana ou dominica a NE., organizando-se à volta de um atrium com peristylium e impluvium, apresentando exedra a E. e a zona do hortus ou viridarium a N.; a O. deste atrium, um outro à volta do qual se organizavam os aposentos privativos; a E. situam-se as thermae pequenas; para S. e após um pátio com peristylium, implanta-se a pars rustica com cubiculae, culina, sala de descanso, estábulos e arrecadações; na zona SO., O. e NO., e após outro pátio com peristylium, desenvolve-se a pars frumentaria (de S. para N.) com a possível edificação do villicus, arrecadações, depósitos e a ala vinaria. Zona de edificação destacada, a SO.: trapetum e as thermae grandes. Zonas de edificação destacadas, a N. da villa urbana: um conjunto a E. identificado como um Templo a Marte e a O., um complexo paleocristão constituído por basílica de dupla ábside com nártex, capela com dupla ábside a O., necrópole visigótica a NO. e baptistério a S., de cruz complexa *2.

Materiais

Granito, nomeadamente de Monforte, mármore, materiais cerâmicos, tesselas de pedra e vidro, argamassa de cal.

Observações

*1 - Numa área de 3 Km de raio existem inúmeros vestígios arqueológicos que vão do Paleolítico à Idade Média, com especial destaque para os resultantes da ocupação romana. A villa situava-se, do ponto de vista administrativo, na Civitate de Abelterium, no Conventus de Pax Julia e na Província da Lusitânia, a c. de 95 Km a O. da capital, Emerita Augusta, e a meio caminho entre esta e Scallabis; *2 - o Templo a Marte foi cristianizado posteriormente e a basílica foi levantada no sítio conhecido por São domingos; a ela foram posteriormente acrescentados a capela de dupla ábside, e necrópole e o baptistério; 3* - estes mosaicos encontram-se no Museu Nacional de Arqueologia; *4 - Restam poucos mosaicos in situ; na Igreja da Madalena, em Monforte, podem ser observadas réplicas e algumas partes autênticas; *5 - incluido no Programa de Valorização e Divulgação Turística - Itinerários Arqueológicos do Alentejo e Algarve, do Ministério do Comércio e Turismo e da Secretaria de Estado da Cultura; candidato ao programa Interreg II; *6 - intervenção co-dirigida por Stephanie S. Maloney e Olívio Caeiro ao abrigo da cooperação entre as Universidades de Louisville, E. U. A., e de Évora, com o apoio do National Endowment for the Humanities, da Samuel H. Kress Foundation, do IPPC / IPPAR e da Câmara Municipal de Monforte.