Arquitectura militar, popular. Torre de vigia de planta quadrangular simples, sobre alto soco, fachadas verticais e escada pétrea de acesso precedendo a principal.
Planta quadrangular, simples, de fachadas direitas em alvenaria rebocada, assentes sobre alto soco de alvenaria, parcialmente rebocada e sem cobertura. Fachada principal virada a N. precedida por uma escada com patamar de oito degraus, de cantaria, e guarda em alvenaria reboca. No topo, muro de baixa altura com banco corrido ao longo dos alçados, erguendo-se sobre os cunhais quatro colunas, uniformes, mas de diferentes alturas. Pavimento empedrado.
Materiais
Alvenaria copm reboco, cantaria mole e de basalto.
Observações
"Foi no rescaldo do ataque corsário, chefiado pelo francês Bertrand de Montluc, à cidade do Funchal em 1566, que a 16 de Fevereiro do ano seguinte, o capitão donatário Simão Gonçalves da Câmara recebeu o regimento de vigias para ser aplicado ao longo da costa da Madeira. Dispôs-se então que, de futuro, "os lugares da dita capitania se vigiassem em todo ho tempo que no mar ouvesse bonança hasy de dia nas pomtas que mais descobrissem ao mar como de noyte nos portos e calhetas, prayas ou pedras em que parecesse que os inimigos poderiam desembarcar e os navios que haos ditos portos fossem ter se reconhecessem". Com os oficiais do concelho, o capitão determinaria quais os lugares das vigias e escolheria os respectivos homens. Haveria vigias diurnas e vigias nocturnas. De dia, em cada posto, estariam dois homens, um desde o amanhecer até ao meio dia e outro desde essa hora até ao cair da noite. A vigia nocturna fazia-se com três homens. De dia, o alarme seria comunicado com os sinais de fumo ou através de fachos. Nos sítios com vigilância de noite haveria um arcabuz com o qual dariam sinal quando observassem movimentações estranhas" (VERÍSSIMO, Doutor J. Nelson, 2000, p. 329). De facto, a vigia do Bom Despacho também se encontrava equipada com uma dessas peças de artilharia, conhecida no local por "aviso", pois tinha como função dar alarme a eventual aproximação da costa de navios corsários ou inimigos. Segundo os proprietários, esta pequena peça foi levada por um dos descendentes do capitão-mor, Francisco França Bettencourt e Brito, para a sua nova residência no Funchal.