Cerca de dupla muralha escalonada com cubelos e torreões ligada ao castelo, de montanha, de planta irregular, composto por castelejo e barbacã marcados por cubelos semi-circulares e torres de planta rectangular e portas em arco quebrado e pleno, com afinidades tipológicas com o castelo de Castelo Melhor (v. PT020914020015). A alcáçova foi reaproveitada para Paço residencial do alcaide-mor, remodelado no período maneirista, arruinado, subsistindo algumas estruturas com pátio rectangular central, de onde parte corredor, distribuidor dos vários compartimentos. Fachadas interiores com vestígios de lançamento de vários pisos. Piso inferior com cisternas rectangulares. Porta em arco de ferradura na grande cisterna revestida de mármore.
Recinto muralhado incompleto, de traçado irregular de configuração ovalada, envolvendo a povoação. Os troços de muralha existentes apresentam construções adossadas, à excepção dos lados N. e E.. A O. e S. existem cubelos ou torreões, de planta circular, observando-se quatro ainda erguidos, mas com os topos desmoronados, observando-se os anéis que os constituíam. No lado E., existe saliência quadrangular e, no lado N., uma torre de planta quadrada, parcialmente desmoronada. Subsistem três portas: a Porta do Sol, voltada a E., em arco quebrado provida de abóbada de berço quebrado, conservando os gonzos de cantaria; a Porta da Alverca, virada a N., em arco pleno e possuindo abóbada de berço e a Porta da Traição em arco quebrado, sendo o seu acesso feito a partir do Palácio, comunicando com pano de muralha envolvente, que compreende outra porta em arco quebrado e acesso a galeria subterrânea. No interior do recinto uma cisterna (v. PT020904030022) de planta rectangular irregular, sem cobertura, tendo a fachada N. cega e rematada por cornija, a O. possui três degraus no embasamento e é rasgada por duas portas, uma em arco quebrado e outra em arco de ferradura, que dá passagem a sequência de sessenta e três degraus de acesso ao interior da cisterna, de 13 m. de profundidade, segundo inscrição. O PALÁCIO de Cristóvão de Moura corresponde ao castelejo ou alcáçova, rodeado por panos de muralha a E. e a O., integrando este último seteiras cruciformes e, no ângulo SO., um cubelo de planta circular, encimado por torre sineira de registo único com quatro vãos em arco pleno. No lado E., um pano de muralha anexa a torreão semicircular em cantaria, de planta rectangular irregular e sem cobertura. A fachada N. é cega no primeiro registo, sendo o segundo rasgado por três janelões. A fachada O. tem, no primeiro registo, duas seteiras em arco pleno e, no segundo, vestígios do arranque de janelão. A S. duas torres de planta quadrada, que enquadram a porta principal, em arco abatido, de que apenas resta parte da moldura, com o remate das pilastras laterais, delimitando almofadas oblíquas e pedra de armas com brasão real invertido, encimado por frontão angular coroado por pináculo. Sobre este um arco pleno entaipado. Fachada E. apresenta, no primeiro registo, a Porta da Traição e, no segundo, três janelões e dois vãos abertos a toda a altura do pé-direito. INTERIOR: grande compartimento ou pátio rectangular central que comunica com as várias dependências, de que apenas se conservam parte das estruturas. Na ala E., lanço de escadas e sete compartimentos, surgindo, na O., quatro compartimentos. Um corredor longitudinal dá acesso à ala N.. Possui piso abaixo do nível do solo, integrando cisternas.
Materiais
Cantaria e alvenaria de granito e xisto argamassada; mármore; ferro; gravilha; vidro.
Observações
*1 - Cristóvão de Moura nasceu em Lisboa, em 1538, filho de Luís de Moura, alcaide-mor de Castelo Rodrigo e de D. Beatriz de Távora; foi educado por Lourenço Pires de Távora, embaixador em Espanha; regressou a Portugal no séquito da princesa D. Joana e foi nomeado embaixador de Filipe II em Lisboa, onde chega a 25 Agosto 1578; a 1 de Junho de 1600 recebe o cargo de governador e vice-rei de Portugal; morreu em Madrid a 28 de Dezembro de 1613. *2 - "A acção estabelece (...) princípios para a valorização do Palácio do Marquês de Castelo Rodrigo com a criação e dinamização de uma estrutura espacial e funcional que se disponibiliza para animar Castelo Rodrigo, reforçando a leitura dos seus espaços e procurando a glorificação e exaltação da ruína. A proposta de intervenção observa e interpreta o registo de Duarte Darmas criando um acesso capaz de dignificar e enriquecer a leitura do monumento e do documento que se revela com carácter didáctico e lúdico. Este acesso multiplica e prolonga o tempo e a leitura de aproximação ao imóvel, estimulado pelo desenho monumental da porta principal do Palácio do Marquês de Castelo Rodrigo orientada para a Porta do Sol. O percurso proposto, criado com demolições efectuadas a S. do monumento, permite, ainda, a recriação do acesso indirecto ditado pelas regras defensivas do imóvel. Assim, a concepção propõe a consolidação das estruturas e a pavimentação dos espaços que acolhem e materializam esta ideia recorrendo ao granito e ao ferro, entre a tradição e a transformação dos elementos naturais e artificiais, assinando a contemporaneidade da acção. A planta revela um espaço doméstico, organizado a partir de um eixo estruturador longitudinal quebrado por uma diferença de cotas que percorre os dois pátios para os quais se voltam e com os quais se relacionam os sucessivos espaços que ocupavam, antes, dois pisos. O desenho proposto reforça a concepção do espaço existente, denunciado pelas estruturas encontradas em 1992."