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Fortaleza de Faro

Fortaleza de Faro

O ponto de interesse Fortaleza de Faro encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Faro (Sé e São Pedro) no municipio de Faro e no distrito de Faro.

Arquitectura militar, medieval e moderna. Cortina de muralhas com adarve, ameadas em alguns troços, pontuadas por várias torres de secção quadrangular, rectangular e semicircular, sendo algumas destas polifacetadas na metade superior. Conservam-se ainda três portas de acesso à área intra-muros, implantadas nos extremos dos antigos eixos viários romanos, cardium e decumanus, sendo o extremo S. o espaço onde se erguia o antigo castelo e alcáçova. Porta N. composta por um corredor com abóbada de canhão, com uma porta em arco em ferradura do século 11 no alçado lateral O., apontando para uma antiga disposição em cotovelo da primitiva entrada. Porta E. defendida por duas torres barbacãs do século 12 unidas à muralha por dois arcos, um destes entaipado pela edificação de uma pequena ermida setecentista. Porta O., de modestas dimensões, aberta no século 17, apresenta uma configuração rectangular com os cantos superiores arredondados. Revelim segundo a tipologia Vauban situado a S., de planta trapezoidal e dotado de canhoeiras. Outros contributos da nova estética defensiva moderna encontram-se ainda presentes no reforço das antigas muralhas medievais, como um troço a S. que é suavemente abaluartado. As torres de base semi-circulares e polifacetadas na metade superior do corpo corresponde, possivelmente, a uma fundação tardo-romana e um acrescento bizantino. Conserva o único arco em ferradura in situ da região algarvia, aparecendo este nas iluminuras. Estas muralhas têm ainda a particularidade de se situarem em zona plana.

Fortificação de planta elíptica com o eixo maior no sentido N.-S., sendo constituída por muralhas *2, ameadas num troço a O. *3 com merlões providos de seteiras, vários torreões de planta semi-circular e quadrangular, três portas de acesso ainda conservadas *4 e um revelim de planta poligonal a S., ladeando uma interrupção recente da muralha. Vários troços das muralhas e até mesmo alguns torreões, integram a estrutura de casas oitocentistas que aí foram sendo adossadas. As muralhas conservam alguns troços do antigo adarve (caminho de ronda), principalmente nos troços a E. e a S.. A Porta da Vila, ou Porta de Entre-Amba-las-Águas *5, encontra-se voltada para N. apresentando um longo corredor com abóbada de berço em tijolo burro à vista, abrindo-se uma porta em arco em ferradura no alçado O., num patamar mais baixo e acedido através de umas escadas, onde se extende um banco em pedra; ainda no mesmo alçado se abre um pequeno nicho numa posição relativamente alta, sendo confrontado com um idêntico no alçado oposto. A Porta do Repouso, ou Porta dos Freires, abre-se para E. e é constituída por duas torres barbacãs unidas entre si e entre as muralhas por arcos de volta perfeita (segmentos de abóbada de berço em tijolo burro), tal como o vão das muralhas; o arco voltado a SE. encontra-se entaipado devido à construção de uma pequena ermida setecentista voltada para o interior da porta (ermida de Nossa Senhora do Repouso), enquanto o vão entre as barbacãs correspondem a uma intervenção do século 19. A Porta Nova, voltada para O., é de proporções mais modestas, apresentando uma configuração rectangular com os cantos superiores arredondados; conservam-se nesta os antigos encaixes dos gonzos da porta. O revelim, designado como baluarte de S. Sebastião, apresenta cunhais em cantaria e canhoeiras voltadas para O.; possui quatro mísulas nesta face, próximas do chão, ligadas por arcos em tijolo, possivelmente destinadas a servir de assento a uma bateria de fogo rasante *6. Num pequeno troço de muralha situado entre a Porta da Vila e a Porta Nova, ligeiramente saliente, é apresentado uma suave inclinação do pano, mais acentuado nas esquinas deste, correspondendo a um reforço abaluartado da antiga muralha. Quanto aos torreões 7*, grande parte dos que apresentam planta quadrangular ou rectangular são prolongados por intervenções mais recentes, sendo rematadas por telhados de quatro águas; destaca-se o torreão que ladeia a N. a Porta do Repouso que sofreu um grande acrescento visando ser um miradouro privado. Dois torreões medievais, flaqueantes, situam-se numa inflexão da linha da muralha no sentido do antigo castelo *8. O torreão junto ao revelim é ameado, sendo uma sobrevivência do perímetro amuralhado do antigo castelo. Dois dos torreões de planta semi-circular, voltados ambos para SE., são multifacetados na metade superior, com 5 faces; um torreão situado a NE., de planta semicircular, é rematado por um muro rebocado e polifacetado com 7 faces. Encontra-se alguns vãos rasgados nas muralhas, como é caso de uma porta com moldura em cantaria que ladeia pela direita a Porta Nova ou uma janela de um edifício situado à N. do Seminário; em frente deste último imóvel e aberto um pequeno vão com cerca de 70 cm de largura e dotado de gradeamento *9.

Materiais

Alvenaria de pedra, taipa, cantarias e tijolo burro

Observações

*1 - DOF...incluindo os elementos ainda existentes das muralhas; *2 - a grossura do muro nunca é menos de 1,85 metros; *3 - no caso do troço que envolve o seminário episcopal, é possível que os merlões tenham sido entaipados para elevar o muro e dar mais privacidade; neste imóvel religioso, o troço de muralha ainda conserva grande parte do adarve; *4 - haveria ainda a Porta do Socorro, ou porta falsa, situada no antigo castelo, e a Porta do Mar, ou porta do castelo, a S., entretanto entaipada; existem autores que dizem que esta última seria mais uma designação da Porta da Vila; esta última porta seria banhada pela água da Ria Formosa quando a maré enchia, fazendo-se então o acesso pelo mar; *5 - esta porta apresenta na face voltada para o Largo Francisco Gomes do Avelar, o Arco da Vila (v. 0805050002), uma construção de princípios do século XIX da autoria do arquitecto genovês Xavier Fabri, emoldurando esta porta segundo uma linguagem arquitectónica neoclássica; por cima desta porta assenta a antiga ermida de Nossa Senhora de Entre-amba-las-águas, posteriormente designada de ermida de Nossa Senhora do Ó; *6 - este baluarte foi, durante muito tempo, denominado por "Mesa dos Mouros"; outro baluarte existiria onde hoje ergue uma casa com um portão que rasga a muralha, próximo do baluarte de S. Sebastião, conhecido por sua vez, como sendo o baluarte de São Jorge; em 1621, Massaii refere a existência de 4 peças de artilharia dispostas a servir e outras sete desmontadas neste baluarte, enquanto o de S. sebastião teria apenas 3 peças de ferro; *7 - não existem vestígios da torre de menagem; *8 - o antigo castelo teria oito torres, uma das quais de menagem; *9 - é possível que tenha funcionado como canhoeira dado que confronta uma zona de atracagem de barcos.