Monumento singular, pela sua monumentalidade, complexidade e dimensões, no horizonte megalítico eborense. Câmara funerária de invulgar dimensão e corredor de estrutura complexa. Segundo alguns investigadores, a abertura do corredor assinalada por colossal menir antropomórfico.
Construção de planta irregular, composta pela articulação horizontal de câmara poliginal regular com corredor de planta rectangular alongada. Cobertura autónoma para cada um dos elementos constituintes, em grande laje granítica para a câmara funerária e em sucessão de pequenas lajes sobre o corredor. A fachada principal, virada a E, é constituída pela projecção da abertura do corredor sobre a fachada da câmara. As restantes fachadas estão obstruídas à observação pela mamoa, que ainda cobre praticamente toda a estrutura, excepto o lado E. A câmara poligonal, constituída por 7 gigantescos esteios erguidos cerca de 8 m acima do leito da câmara, abre-se para o corredor através de alto vão, solidamente arquitravado por uma estrutura complexa de pequenos esteios dintelados. A cobertura, vastíssima laje com cerca de 7 m de diâmetro, jaz fragmentada sobre a mamoa, a descair na vertente ocidental. O corredor, com cerca de 12 m de comprimento, 2 m de altura e 1,5 m de largura, conserva a cobertura na maior parte da sua extensão e era assinalado, à entrada, por enorme menir - estela decorado com covinhas.
Materiais
Granito de grão grosseiro porfiróide
Observações
Trata-se de um dos maiores monumentos megalíticos da Península Ibérica, com uma estrutura muito complexa. Foi escavada em 1965 por Henrique Leonor Pina e os seus materiais recolheram ao Museu de Évora. A publicação dos resultados, realizado em 1970 em Coimbra, no II Congresso Nacional de Arqueologia, deixaram suspensos estudiosos e investigadores. O monumento encontrava-se integralmente selado dentro da sua mamoa, apenas com as cimalhas dos esteios a despontarem no topo supremo do cabeço da mamoa, uma pequena colina com cerca de 50 m de diâmetro máximo na base. Das suas entranhas, durante a escavação, cujos métodos repetidamente se põem em causa (cf. 070504066, para notar o método recentemente usado em Vale de Rodrigo, para consolidar, antes da intervenção, uma estrutura que levanta problemas técnicos similares), exumaram-se preciosos materiais, hoje depositados no Museu de Évora, do horizonte cultural e civilizacional geralmente associado ao megalítico de Évora: placas de xisto idoliformes, báculos, colares, artefactos de cobre, profusão de cerâmica do universo cultural das taças carenadas alentejanas. O monumento, a cuja estrutura, durante a escavação, se retirou o sólido apoio da mamoa, encontra-se agora em risco acentuado de degradação, dado o peso da sua estrutura. Há cerca de uma década, encontra-se coberto por ridícula estrutura metálica, de boa intenção, mas absolutamente incompatível com uma envolvência equilibrada (1) Alguns esteios apresentam fracturas profundas. Alguns pilares, cristalização de sais.