Convento franciscano capucho construído no séc. 18, mas denotando um estilo bastante sóbrio, remetendo para as primeiras soluções da Real Província da Conceição, ainda arreigadas aos esquemas privilegiados pela Província de Santo António, de que descende. É de planta rectangular composta por igreja e zona regral desenvolvida no lado direito, com uma das alas a prolongar-se perpendicularmente. A igreja é de estrutura chã, antecedida por galilé, e capela-mor mais estreita, com coberturas diferenciadas em falsas abóbadas de berço de madeira assentes em cornijas, iluminada por janelas retilíneas rasgadas na fachada lateral direita, e pelos vãos da fachada principal. Esta remata em frontão sem retorno, um dos raros exemplares com este tipo de solução na Província da Conceição, e é marcada pelo vão da galilé, em silharia almofadada, o janelão do coro-alto e óculo circular, todos com molduras de cantaria. Para a galilé abrem as portas de verga recta do portal axial, encimado por nicho, as da portaria e da Capela do Senhor dos Passos. Torre sineira na fachada posterior, uma solução anacrónica, semelhante à utilizada nos edifícios medievais de São Francisco de Viana e Orgen. Tem remate em friso e cornija e cobertura em coruchéu piramidal. Interior com amplo coro-alto, tendo órgão no lado do Evangelho e vestígios do cadeiral primitivo, encimado por espaldar de madeira apainelada. No lado da Epístola, o púlpito quadrangular de talha maneirista, com acesso por porta de verga recta, surgindo, ainda, confessionários embutidos no muro; no lado oposto, capela profunda, fronteira à antiga porta de acesso ao claustro. O presbitério é seccionado por grades-confessionários, com madeiras embutidos e composta por balaústres, com afinidades às existentes em Viana do Castelo, Ponte de Lima, Pinhel e Orgens. Arco triunfal de volta perfeita, encimado por Calvário; encontra-se ladeado por retábulos colaterais de talha dourada do estilo barroco nacional, sendo o único Convento onde se mantêm as estruturas primitivas dos retábulos colaterais, normalmente substituídos por estruturas tardo-barrocas. Forma um conjunto com a restante talha do templo, de excelente qualidade, revelando uma forte unidade decorativa, integrável no estilo Barroco Nacional, sendo todas da mesma oficina, infelizmente, até ao momento, desconhecida. Capela-mor com retábulo de talha do barroco nacional, de planta recta e três eixos, possuindo sacrário embutido na estrutura. O convento desenvolve-se em torno de claustro quadrangular. No lado da Epístola, o acesso à Via Sacra e sacristia, com o seu armário e espaldar pintado sobre o arcaz, apesar de muitos arruinados, tendo, na ala oposta à igreja, o refeitório, cozinha e despensa, surgindo, virado à fachada posterior, a Casa do Capítulo. No piso superior, subsistem vestígios das celas com corredores centrais, iluminados por janelas regrais. Da Via Sacra partem as Escadas das Matinas, de acesso ao corredor do coro-alto. claustro do tipo arquitravado nos dois pisos, assentes em colunas toscanas, possui o refeitório íntegro, mantendo o púlpito de leitura, com atril e assento em cantaria. A zona conventual possui uma interessante construção revivalista, com ressaltos nos ângulos, com coberturas em coruchéus piramidais e vãos em arco de volta perfeita com molduras comuns. A cerca seria de grandes dimensões, pontuada por fontes, que faziam parte integrante do sistema hidráulico.
Conjunto conventual composto por igreja, convento e ampla cerca, que evolui na fachada posterior, pela encosta. IGREJA de planta longitudinal composta por nave, antecedida por galilé, e capela-mor mais estreita, de volumes articulados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco ou em alvenaria de calcário aparente, percorridas por embasamento e soco de cantaria, flanqueadas por cunhais em cantaria e rematadas por frisos, cornijas e beiradas simples. Fachada principal virada a S., rematada em frontão triangular sem retorno, truncado por cruz latina sobre plinto paralelepipédico, rasgado por óculo circular com moldura simples, flanqueada por cunhais em cantaria rusticada, encimados por pináculos piramidais. É rasgada pelo vão da galilé, em arco abatido e moldura em silharia almofadada, encimado pelo janelão do coro, rectilíneo e rematado por cornija, ladeado por pequena fresta no lado esquerdo. A galilé tem as paredes rebocadas e pintadas de branco, com cobertura em abóbada e pavimento em lajeado de calcário, onde surge uma sepultura epigrafada, marcado pelo portal axial de verga recta, encimado por nicho vazio de volta perfeita e ladeado por enrolamentos, denotando vestígios de pintura em marmoreados fingidos. No lado esquerdo, um nicho rectilíneo correspondente à Capela do Senhor dos Passos, tendo, no lado oposto, a porta de verga recta de acesso à portaria. Fachada lateral esquerda rasgada por duas janelas rectilíneas no corpo da nave e duas na capela-mor, tendo adossado, ao primeiro, um corpo de dois pisos, com acesso por escada perpendicular e balcão, junto à qual surge uma zona de arrumos com dois portões rectangulares. Fachada lateral direita adossada ao convento. Fachada posterior em empena cega, com torre sineira adossada, com ventanas em arco de volta perfeita e remate em friso, cornija, pináculos nos ângulos e cobertura em coruchéu piramidal. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por faixa pintada de amarelo, com coberturas em falsas abóbadas de berço, rebocadas e pintadas de branco, assentes em cornija de cantaria, e pavimentos em soalho, com os vãos protegidos por sanefas de talha com lambrequins. Coro-alto sobre arco em asa de cesto assente em pilastras toscanas, sem guarda e com acesso por portas de verga recta confrontantes, a do lado do Evangelho a partir de uma porta rasgada no sub-coro. Neste, surge o cadeiral com duas ordens de cadeiras, num total de 24, com braços volutados e assentos amovíveis, a exterior com espaldar de madeira dividido em apainelados. No lado do Evangelho, um órgão sobre ampla mísula e a respectiva consola. No lado da Epístola, três confessionários embutidos no muro, com vãos rectilíneos e molduras simples e um púlpito quadrangular sobre mísula volutada, com guarda torneada e acesso por porta de verga recta e guarda-voz de madeira em branco. O presbitério encontra-se protegido por grades compostas por colunelos de torneados esféricos, entrecortados por pilaretes, com a forma de balaústre fingido, sugestionado por embutidos de jacarandá, num esquema mais simplificado. Os confessionários formam dois apainelados, o inferior flanqueado por pilaretes e em forma de almofada rectilínea, sendo os superiores circunscritos por balaústres, com painel almofadado em ponta de diamante e ralo perfurado, criando uma superfície rectilínea, envolvida por pequenos motivos fitomórficos e contendo cruz latina com resplendor. Após estas grades, no lado do Evangelho, uma capela saliente, com acesso por arco de volta perfeita assente em pilastras toscanas, com cobertura em abóbada de berço assente em cornijas pintadas com marmoreados fingidos, dedicada a Nossa Senhora das Dores; no lado do Evangelho, armário embutido com portas de madeira. No lado oposto, a antiga porta de acesso ao claustro, junto à qual surgem as escadas de acesso ao púlpito. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, tudo pintado com motivos vegetalistas, encimado por um Calvário e ladeado por retábulos colaterais dedicados a Santo António (Evangelho) e São Francisco (Epístola). Capela-mor marcada por supedâneo de madeira, sobre a qual surge o retábulo-mor de talha dourada, de planta recta e três eixos definidos por quatro colunas torsas, sustentadas por consolas, e com os fustes ornados por pâmpanos e meninos de vulto, e por duas pilastras, que se prolongam em quatro arquivoltas unidas por aduelas no sentido do raio, possuindo uma ampla cartela no fecho com as armas seráficas; ao centro, a tribuna com trono expositivo de três degraus. Nos eixos laterais, sobre mísulas, surge imaginária. Na base da tribuna, o sacrário embutido, flanqueado por anjos tenentes e querubins, com a porta ornada por um raro Jesus Bom Pastor, encarnado e estofado. No lado da Epístola, a porta de verga recta de acesso à sacristia. CONVENTO de planta rectangular, com uma das alas, a principal, a prolongar-se, desenvolvido em torno de um claustro quadrangular, com coberturas diferenciadas em telhados de duas e uma água. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por soco de cantaria, com cunhais apilastrados e rematadas em cornija e beirada simples. Fachada principal virada a S., com dois pisos, definidos por cornija, o inferior rasgado por duas portas, um de verga recta e outra com lintel em cortina, ambas com molduras simples de cantaria, surgindo uma terceira, protegida por alpendre com acesso por arco de volta perfeita assente em colunelos, flanqueados por pilares de cantaria, que sustentam uma varanda no segundo piso, com guarda plena, encimada por elementos vazados, para onde abre porta janela de verga recta e moldura simples. Possui, ainda, cinco janelas de peitoril, duas rectilíneas e três em arco de volta perfeita, as primeiras com molduras simples e as segundas com a moldura a prolongar-se em friso pela fachada; surgem também duas janelas jacentes com molduras simples; no segundo piso, oito janelas de peitoril, cinco com molduras simples e três com moldura comum semelhante à do piso inferior; surge, ainda, um pequeno vão rectilíneo sobre cornija. No ângulo, um ressalto ultrasemicircular, sobre mísula de cantaria e com cobertura em coruchéu cónico, rasgada por janela de verga recta e moldura simples. Fachada lateral esquerda adossada à igreja, tendo, na oposta, o braço do prolongamento, rasgado por duas janelas de peitoril em cada piso, as inferiores em arcos de volta perfeita e as superiores rectilíneas, com molduras comuns. No lado direito, um ressalto semelhante ao da fachada principal. Fachada posterior com três panos, os extremos reentrantes, dando origem a um ângulo recto, com uma face virada a E. rasgada por três portas rectilíneas e uma janela jacente, surgindo, no piso superior, cinco janelas de peitoril rectilíneas. No pano do lado esquerdo, surge uma porta central ladeada por quatro janelas em arco de volta perfeita, com moldura comum, encimadas por sacada assente em duas mísulas e com guarda vazada, para onde abrem duas portas janelas em arco de volta perfeita, flanqueadas por quatro janelas de peitoril rectilíneas, com molduras comuns. No lado direito, porta de verga recta, encimada por varanda fechada, com amplo arco de volta perfeita e guarda plena almofadada. O pano central é marcado pela chaminé e rasgado por dois vãos jacentes, um de menores dimensões. O pano do lado direito, reentrante, possui escadaria de cantaria e guarda plena de acesso ao segundo piso, por porta de verga recta e moldura simples; no piso inferior, três janelas, uma delas jancente, encimadas por três janelas de peitoril e uma de varandim com guarda metálica vazada, todas com molduras simples de cantaria. O INTERIOR desenvolve-se em torno de claustro com cinco vãos, arquitravados em ambos os pisos, os inferiores com colunas toscanas assentes em murete, aberto na zona central, dando acesso à quadra, encimado por vãos parcialmente entaipados, ladeados por colunas toscanas e rasgados por janelas rectilíneas. Na ala O., a porta da antiga portaria e os vãos dos confessionários, surgindo, na oposta à principal, a Via Sacra, de onde evoluem as escadas das Matinas, com coluna de arranque volutada, a sacristia e casa do lavabo. A primeira possui um arcaz de madeira de castanho, sobre o qual surge o espaldar de talha dourada, composto por oratório central, flanqueado por dois painéis e duas ilhargas, tudo dividido por pilastras decoradas por acantos e rematado por friso e cornija. Ao centro, um nicho em arco de volta perfeita, rematado por dossel com drapeados falsos, a abrir em boca de cena, contendo um Crucificado, tendo, na base, um nicho jacente, actualmente vazio, onde estariam, certamente, as relíquias da comunidade, entre as quais se contava um Santo Lenho; lateralmente, os painéis pintados, a representar, no lado esquerdo, São Francisco e uma Pietà, aparecendo, no lado oposto, uma Sagrada Família, no Regresso do Egipto e Santo António com o Menino. Existe, ainda, um armário bastante deteriorado. A casa do lavabo com um exemplar em cantaria, com espaldar recto e bicas em forma de losango que vertem para taça rectilínea. Junto a estes, a antiga Casa do Capítulo, com acesso por arco abatido, assente em pilsastras toscanas e com vestígios de policromia. No lado oposto, mantém-se o espaço do refeitório, a actual sala de estar, com tecto em quatro caixotões de madeira, tendo o púlpito de leitura, com assento e atril em cantaria. A CERCA mantém o seu perímetro, com várias árvores frondosas, onde surge o sistema hidráulico intacto, vindo pela vertente do monte, por via subterrânea, desembocando na Fonte de Nossa Senhora da Graça, composta por uma caixa de água. Fonte com face principal de dois registos, separados por friso, rematando em empena com friso e cornija, flanqueada por cunhais apilastrados toscanos, firmados por pináculos em forma de urna; possui um painel de azulejo alusivo ao orago; tanque rectangular, ornado por losangos almofadados; no segundo registo, um nicho protegido por vidraça com a imagem contemporânea de Nossa Senhora da Graça.
Materiais
Estrutura de cantaria e alvenaria de calcário, parcialmente rebocada e pintada; elementos estruturais, modinaturas, sineira, pilastras, colunas, urna, lavabo, cunhais, frisos, cornijas, pia de água benta, pavimentos, lareira em cantaria de calcário; retábulos, coberturas, caixilharia, portas, pavimentos e forros de madeira; grades da igreja em ferro; janelas com vidros simples e grades metálicas; cobertura exterior em telha.
Observações
*1 - fazem parte da Província os seguintes Conventos: Santa Maria de Mosteiró (v. PT011608030013), Santa Maria da Ínsua (v. PT011602120133), São Francisco de Viana (v. PT011609310047), Santo António de Ponte de Lima (v. PT011607350252), Santo António de Caminha (v. PT011602070044), São Bento de Arcos de Valdevez (v. PT011601340059), São Bento e Nossa Senhora da Glória de Monção (v. PT011604170011), Nossa Senhora da Conceição de Melgaço (PT011603180044), Santo António do Porto (v. PT011312120035), São Francisco de Lamego (v. PT011805010074), São Francisco de Orgens (v. PT021823190031), São Francisco de Moncorvo (v. PT010409160053), São Francisco de Vila Real (v. PT011714240091), Santo António de Serém (v. PT020101120131), Santo António de Viseu (v. PT021823240358), Santo António de Viana (v. PT011609310048), Santo António de Vila Cova de Alva, Santo António de Pinhel (v. PT020910170012), São José de São Pedro do Sul (v. PT021816140005), Convento do Senhor da Fraga (v. PT021817040031), Colégio de Santo António de Coimbra (v. PT020603020036 e PT020603020163) e o desaparecido Hospício de Lisboa. *2 - segundo o inventário de 1834, a Capela do Senhor dos Passos era encerrada por quatro cortinados e é referenciada a existência de uma maquineta sobre a guarda do coro-alto; no armário da sacristia estavam arrecadados três cálices, com a copa de prata e com as competentes patenas, e colherinhas, surgindo dois vasos do sacrário, também em prata; o refeitório era iluminado por candeeiros de latão e, na cozinha, existia uma pia para o azeite, que tinha capacidade para 28 alqueires; a enfermaria tinha um altar dedicado a Nossa Senhora da Conceição, onde surgia um Crucificado de madeira e seis tocheiros de madeira prateada; tinha duas mesas de madeira de castanho, onde se guardavam as alfaias da capela; nos três cubículos existiam painéis pintados com a figura de Cristo; nesta dependência, surgia uma mesa de pinho e dez cadeiras de madeira; na sineira existiam dois sinos, surgindo, ainda, três campainhas (Doc. 220), certamente as do refeitório, sacristia e portaria, como era comum. *3 - conforme desenho do séc. 19, é-nos permitido conjecturar a existência de nove celas no dormitório virado à fachada principal e de sete à fachada lateral direita; entre o refeitório e a cozinha, situava-se o "De Profundis", anexo às escadas regrais, situando-se no extremo da ala, a despensa e a adega.