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Mosteiro de Manhente

Mosteiro de Manhente

O ponto de interesse Mosteiro de Manhente encontra-se localizado na freguesia de Manhente no municipio de Barcelos e no distrito de Braga.

Arquitectura religiosa, românica, gótica e barroca. Antiga igreja monacal românica, de planta longitudinal, com nave única, capela-mor e adossada lateralmente, estreita sineira e sacristia. Do complexo monacal apenas subsiste uma torre defensiva gótica, quadrangular e umas ruínas a ela adossadas, que estariam provávelmente relacionadas com o complexo. A igreja apresenta fachada principal em empena, rasgada por portal românico, de quatro arquivoltas decoradas, com temas característicos do românico da bacia do Cávado e de Braga, tais como folhas lanceoladas, motivos entrelaçados, rosetas, axadrezado com rolos, quadrifólios, dentes de serra e óvalos. As arquivoltas apoiam-se em impostas decoradas com corações invertidos, que se prolongam pela fachada. Este tipo de decoração é semelhante ao usado no portal da igreja do Mosteiro de Santa Maria das Júnias (v. PT011706230004), em Pitões das Júnias. As três arquivoltas interiores apoiam-se igualmente em colunas com bases decoradas e capitéis semelhantes aos do Mosteiro de Ermelo, em Ansiães, decorados por colchetes, folhas lanceoladas, motivo vegetal, acantos e entrelaçados. Na parede lateral e posterior da capela-mor existem três silhares com motivos pré-românicos, tais como círculos com pentalfas e motivos florais, reaproveitados da construção primitiva. Sineira barroca, contemporânea da grande remodelação decorativa da igreja. Fachada lateral S. com grande arcossólio em arco quebrado, de feição gótica. Torre de dois registos, com portais em arco quebrado e pleno, janelas em arco pleno e remate em merlões piramidais com seteiras. Adossada à torre encontra-se uma estrutura arruinada com portais góticos, em arco quebrado com chanfro, provávelmente construídos ou reconstruídos no séc. 14, na medida em que o arco da porta O. denota reaproveitamento de pedras mais antigas, ainda com uma cruz pátea, e com adulelas que pela sua morfologia pertenceriam a um arco ultrapassado moçárabe, que poderá datar do séc. 10 ou 11 (BARROCA, 2003). A profundidade destas aduelas, pode ser comparada às adulelas do arco triunfal da Capela de San Miguel de Celanova, em Espanha, com excepção de que este último apresenta alfiz, e em Manhente não existe qualquer registo ou indício que este arco também o teria (BARROCA, 2003). A igreja possui duas inscrições, uma alusiva ao arquitecto da construção original românica, com a data de provável início de construção e outra com a data da provável conclusão das obras. O portal de Manhente é um dos primeiros exemplos românicos de arquivoltas decoradas (ALMEIDA, 1978). As colunas do portal principal são de altura mais reduzida do que é habitual, ficando os capitéis a meia altura em relação à porta, tornando impossível colocar um tímpano ou uma bandeira, como normalmente acontece. Do primitivo mosteiro, extinto no séc. 15, conserva-se uma torre defensiva, semelhante às encontradas na arquitectura residencial, designadas por casa-torre.

Igreja de planta longitudinal, composta por nave única e capela-mor, rectangulares, com estreita sineira rectangular adossada lateralmente, a N., à fachada lateral e corpo da sacristia, também rectangular, adossada à nave e capela-mor, na mesma fachada lateral. A SO. desta encontra-se torre de planta quadrangular, adossada lateralmente, a S., a ruínas, que formam planta trapezoidal. Volumes escalonados de dominante horizontal, com coberturas diferenciadas em telhados de uma água na sacristia, duas águas na nave e capela-mor e quatro águas na torre. IGREJA com fachadas em aparelho isódomo de granito. Fachada principal orientada, em empena, com cruz de braços trilobados, sobre acrotério, ladeada pela direita por pináculo e pela esquerda por sineira, de duas ventanas em arco pleno, rematada por empena, com pináculos nos extremos. Portal principal com quatro arquivoltas plenas, decoradas, assentes em imposta com decoração de corações invertidos. A exterior é suportada pela imposta que se prolonga pela fachada, e as restantes por colunas de pé-direito reduzido, formando a interior, a jamba. As colunas apresentam base decorada, fuste circular liso e capitéis decorados. Arquivolta interior com folhas lanceoladas, segunda com motivos entrelaçados, terceira com rosetas, axadrezado com rolos, no ângulo e quadrifólios e exterior com decoração de dente de serra, e intradorso com três fiadas e óvalos. As metades superiores dos capitéis apresentam colchetes e as inferiores, com motivos diferentes, nos capitéis interiores, folhas lanceoladas, e motivo vegetal, nos centrais, acantos e colchetes e nos do exterior entrelaçados e lanceolados. A ladear o portal, pela direita, pedra com inscrição. Cunhal, do mesmo lado com friso axadrezado na metade superior. A encimar o portal, janela de verga recta, em capialço. Fachadas laterais rematadas por beiral. Fachada lateral S. rasgada, no pano da nave, por arcossólio quebrado, porta de verga recta e superiormente dois janelões rectangulares, e no pano da capela-mor por janela rectangular e um silhar com óculo. Fachada lateral N. com escada de acesso à sineira, de dois lanços divergentes com patamar intermédio. Pano da sacristia com porta de verga recta e janela jacente. Pedra com inscrição acima do telhado da sacristia. Fachada posterior cega, com dois silares relevados, sobrpostos, o primeiro com a parte superior de pequeno nicho, com moldura toreada e cruz pátea e o segundo, por baixo do primeiro, com três círculos, dois deles com pentalfas e um com motivo floral. TORRE com fachadas em aparelho isódomo de granito, com dois registos, rematadas por grande platibanda ritmada por merlões piramidais com seteiras, três em cada fachada, com duas gárgulas nas fachadas voltadas a O. e a E.. Fachada N. com grande portal em arco pleno. Fachada O. com três cachorros, na metade inferior, e na superior par de janelas em arco pleno. Fachada E., com portal em arco quebrado, no primeiro registo. Segundo registo delimitado inferior e superiormente por cachorros sob pingadouro que percorre todo o pano. É aberto por estreita janela de sacada à face e junto ao cunhal outra mais pequena. Este cunhal apresenta pedra em perpianho, vestígios de uma anterior ligação a uma parede. Fachada voltada a S. com janela de verga recta, no segundo registo, delimitada, também inferiormente e superiormente, por dois vestígios de empenas, rasgados na pedra. Ruínas com paredes em aparelho irregular, rasgada por portas em arco quebrado, nos panos voltados a O. e E., junto à torre, a porta O., com cruz pátea relevada no fecho e portas de verga recta, no pano O. e S..

Materiais

Estrutura, elementos decorativos, merlões, cachorros e gárgulas da torre, pavimento do primeiro piso da torre, e escadas interiores da torre, em granito; cinta da platibanda da torre, em betão; portas, janelas, estrutura do telhado, pavimentos interiores e tectos da torre, em madeira; caixilharia em ferro; coberturas em telha de canudo.

Observações

Segundo Mário Barroca existia no adro da igreja, junto ao arcossólio da fachada lateral, até aos anos 80, do séc. 20, uma tampa de sarcófago, fragmentada, com inscrição "...UM LD7I VE...", datável do final do séc. 12. Possuía decoração com cruz inscrita em círculo, no topo, espada de lâmina larga e lança curta, no centro e cavalo com rédeas em baixo. A tampa hoje em dia está desaparecida, pelo que terá sido colocada numa casa particular; *2 - segundo Rui de Azevedo este documento poderá ser falso ou propositadamente deturpado, devido à presença de D. Teresa ao lado do Infante, no Castelo de Faria, a poucos meses da Batalha de São Mamede; segundo o padre Jorge de São Paulo, cronista da Congregação de São João Evangelista, do Mosteiro de Vilar de Frades, Gomes Ramires terá sido o primeiro abade do Mosteiro de Manhente; *3 - o couto abrangia uma área de 651 ha, abrangendo as paróquias de São Martinho de Manhente, parte das freguesias de Tamel (São Veríssimo), Galegos (Santa Maria), Galegos (São Martinho) e Areias (São Vicente).