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Citânia de São Julião de Caldelas

Citânia de São Julião de Caldelas

O ponto de interesse Citânia de São Julião de Caldelas encontra-se localizado na freguesia de Ponte no municipio de Vila Verde e no distrito de Braga.

Aglomerado proto-urbano. Povoado proto-histórico com anterior ocupação pré-histórica e com posterior ocupação romana. Povoado fortificado / castro com quatro linhas de muralha. Excepcional domínio visual sobre o vale; ocupação do Bronze Final com estruturas defensivas e de habitação bastante singulares; possantes muralhas pétreas, uma delas com torreão.

Povoado fortificado com boas condições defensivas asseguradas pelas vertentes escarpadas dos lados N., S. e O., com três linhas de muralhas quase concêntricas e vestígios de uma quarta muralha dos lados E., e NE. A vertente E., mais abrigada, revela uma disposição em tabuleiros artificiais que concentram a maior parte dos vestígios de habitações do sítio. As intervenções realizadas mostraram que a ocupação do sítio abarca uma ampla cronologia e integra estruturas arquitectónicas tanto de cariz defensivo como doméstico de diferentes tipologias. Da fase mais antiga, integrável no Bronze Final, destacam-se uma estrutura defensiva constituída por um talude de terra e pedras e um fosso escavado na arena granítica e diversos fundos de cabanas de planta circular. As estruturas mais monumentais, atribuíveis à fase final da ocupação do povoado, integram possantes muralhas pétreas, uma delas com um torreão e pavimentos lajeados ligando as habitações que são, maioritariamente de planta circular, com ou sem vestíbulo, de aparelho poligonal com as faces bem cuidadas. No interior de uma habitação de planta circular, escavada pelo Pe. João Martins de Freitas, existe uma lápide em granito com a inscrição "JOSEPH MICHAELIS DE OLIVEIRA", evocativa da colaboração, deste indivíduo, nos trabalhos levados a cabo nos anos 30 deste século.

Materiais

Estruturas de granito: muralhas construídas com blocos assentes em seco, em aparelho irregular; paredes das construções em dois paramentos; pavimentos das casas em argila e saibro.

Observações

*1 - Este castro pertence a duas freguesias: Ponte 37 e Coucieiro 11. *2 - O espólio desta estação, reunido nas escavações arqueológicas, integrável em diferentes períodos, desde a Idade do Bronze Final até à Época Romana, é constituído maioritariamente por fragmentos de cerâmica comum. Os materiais de importação são escassos e compreendem fragmentos de vidro, sigilata hispânica e ânfora. Os materiais líticos, especialmente os da fase mais antiga de ocupação, são abundantes integrando uma quantidade surpreendente de mós de vai-vém, pesos de tear ou de rede, machados polidos, alisadores, uma goiva, percurtores e lascas. Os artefactos de metal são mais raros e incaracterísticos, destacando-se, da fase mais antiga, dois pequenos punhais de bronze e um cadinho de fundição a atestar a existência de actividade metalúrgica no povoado e de um momento avançado, uma espada em ferro com empunhadura de bronze, alguns alfinetes de cabelo e fragmentos de fíbulas em bronze, além de muitos outros fragmentos quer de bronze quer de ferro, mas sem possibilidade de identificação da forma, devido ao avançado estado de degradação. As moedas são raras, resumindo-se a dois exemplares de bronze, uma de Augusto e outra de Tibério. De assinalar, finalmente, o aparecimento de uma estátua de guerreiro, de excelente qualidade plástica, com a seguinte inscrição gravada no escudo redondo côncavo: "MALCEINO DOVILONIS F".