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Freguesia de Alcoentre - Municipio de Azambuja

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Alcoentre é uma freguesia portuguesa do concelho da Azambuja, com 47,05 km² de área e 3 448 habitantes (2011).

Densidade: 73,3 hab/km².   Foi vila e sede de concelho entre 1174 e meados do século XIX. Era constituído apenas por uma freguesia e tinha, em 1801, 1 054 habitantes.

Após 1834, foram-lhe anexadas as freguesias de Alguber, Cercal, Figueiros e Manique do Intendente. Tinha, em 1849, 3 600 habitantes.

 

Fundada no ano de 970 da era cristã, no tempo do rei mouro D. Ramiro III, recebeu primeiro o nome de al-quniTrâ” dimunitivo de “al-qanTarâ”, ou Alcântara, que significa – a pequena ponte.

Alcoentre recebe o primeiro foral de D. Afonso Henriques na cidade de Coimbra, em outubro de 1174 e torna-se a mais antiga unidade de administração e circunscrição local do concelho de Azambuja. Desde que Alcoentre foi arrolada pela Coroa manteve-se “terra reguengueira” (ou terra do rei) até D. Dinis. Neste reinado deixa de ser terra do rei, também conhecido como Lavrador, para iniciar um longo percurso como terra de jurisdição senhorial particular. Aquele foral foi reformulado por D. Manuel em Lisboa, a 26 de Setembro de 1513.

 

Origem e evolução de Alcoentre

Alcoentre foi concelho monoparoquial, da paróquia de Santa Maria de Alcoentre ou Nossa Senhora da Purificação de Alcoentre – do século XII ao século XIX. (1174 e 1836). Foram praticamente 700 anos da história de Alcoentre como concelho.

Alcoentre nasce como concelho e inicia assim o processo de formação da sua identidade e memória histórica, no contexto da conquista do território iniciada por D. Afonso Henriques, processo em que a expansão até à fronteira natural que o Tejo representava. Alcançado este limite em 1147 com a conquista de Santarém e Lisboa, tornou-se imperioso e urgente atrair povoadores que garantissem a ocupação e defesa, como forma de consolidar a conquista face ao poderio muçulmano que dominava a Sul dessa fronteira natural.

Essa política justificava o primeiro foral outorgado a Alcoentre por D. Afonso Henriques em 1174, em Coimbra. Com este outorgamento nascia formalmente mais um concelho no novo território português, e a geografia e termo ficava praticamente firmada, território e recursos governado segundo tradição pela assembleia de homens-bons do concelho que decidia sobre as coisas comuns e daí esse primeiro foral ser uma carta de aforamento aos moradores. Esta forma tão incipiente, mas tão perita e subtil de governança local teria durado cerca de um século até D. Dinis ter feito doação de Alcoentre ao seu filho D. Afonso Sanches e à sua mulher D. Teresa Martins, passando a ser terra senhorial de um donatário. Este senhor particular detinha a jurisdição integral que abrangia tanto o campo-político administrativo como jurídico-religioso. Durante 700 anos a jurisdição da Vila sempre esteve nas mãos dos sucessores de D. Afonso Sanches e de D. Teresa Martins, seus primeiros senhores donatários, primeiro na “casa” dos Condes e Marqueses de Vila Real até ao século XVI, altura em que passa por dote materno a Martim Afonso de Sousa, do qual descendem os Condes de Vimieiro, até à extinção da casa no séc. XVIII, altura em que Alcoentre volta à administração da Coroa.

É no século XIX que o concelho de Alcoentre conhece dois grandes momentos que marcam a sua derradeira história. Um primeiro momento é marcado pela expansão territorial e o aumento do número de paróquias que o passaram a constituir – Alcoentre, Manique do Intendente, Cercal Alguber e Figueiros – e um segundo momento que é o da sua extinção e integração no concelho de Azambuja. Aquela que fora a mais antiga unidade autónoma de administração e circunscrição local do atual concelho de Azambuja dava lugar à realidade contemporânea de freguesia.

Mas também os concelhos vizinhos foram alvo de reordenações. O decreto de 6 de Novembro de 1836, da responsabilidade de Passos Manuel, reduziu as unidades concelhias de cerca de oitocentas para pouco mais de 350, tendo sido favorável para Alcoentre, Azambuja e Cadaval que ganham novas freguesias. Alcoentre ganha as freguesias de Alguber, Cercal, Figueiros e Manique do Intendente. Cadaval passa a ter as freguesias de Bombarral e Carvalhal, que pertenciam a Óbidos. Azambuja ganhou as freguesias de Nossa Senhora do Rosário de Aveiras de Baixo, Nossa Senhora da Purificação de Aveiras de Cima.

Contudo em 1855 o concelho de Alcoentre, recentemente aumentado, acaba por ser extinto e é agregado ao concelho de Azambuja. Também o vizinho município de Cadaval é extinto em 1895, sendo as 9 freguesias que o constituíam anexadas aos concelhos vizinhos. Ao concelho de Azambuja coube as freguesias de Lamas, Cercal e Peral. Cadaval e Vilar foram anexadas a Alenquer, Pêro Moniz e Vermelha foram atribuídas a Óbidos e Alguber e Figueiros a Rio Maior. Após insistentes reclamações de Alenquer, Lamas passa a integrar Alenquer em Maio de 1986. Em 1898 o concelho de Cadaval volta ao seu formato inicial.


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