Mosteiro da Ordem de Cister, composto por igreja, sacristia, claustros, sala do capítulo, refeitório, cozinha, celas, biblioteca, enfermaria, etc. Convento maneirista, com claustro assente em arcaria de volta inteira apoiadas em pilastras toscanas, com enjuntas pontuadas por losangos e figuras geométricas decorativas. Tendência horizontalista das massas e pouca decoração; fenestrações rectangulares. Arquitectura religiosa barroca na Igreja. Planimetria não coincidente do exterior com o interior; nave com interior octogonal; nichos decorativos na fachada, que se pauta por maior exuberância decorativa em detrimento dos restantes alçados; brasões heráldicos e pináculos; profusão de talhas policromadas. Algumas afinidades de planimetria com o Convento de Fornos de Maceira Dão da mesma Ordem (v. PT021806070021).
Planta rectangular e irregular, composta, de volumes articulados e disposição horizontalista das massas, sem coincidência entre o exterior e o interior. Coberturas diferenciadas de telhados de 2, 4 e 8 águas. Divide-se o conjunto em duas partes, a Igreja e a parte conventual propriamente dita, que se desenvolve para N. e E. do templo. IGREJA com embasamentos marcados e fachada principal voltada a SSE. composta por três panos. No central, pórtico rectangular ladeado por pares de colunas toscanas, assentes em supedâneo comum, e encimado por entablamento, com pequenos pináculos aos extremos. Este é encimado por janelão rectangular emoldurado. Sobre ele brasão heráldico *1, encimado por grande óculo trilobado, de moldurada contracurvada com pingentes, rasgado no ático inacabado. Os dois corpos laterais, separados por pilastras toscanas, são fenestrados com duas janelas rectangulares alternadas com nichos de frontões curvos. No corpo do lado O., sobre o entablamento, cubelo, com ventanas de arco a pleno centro e coberto por telhado de quatro águas. Em plano mais recuado e centralizado, zimbório octogonal da nave, com pináculos, no remate e no enfiamento das pilastras das faces. Alçado O. rasgado por janelões rectangulares gradeados e fenestração de arco de volta inteira emparedado. Em plano mais recuado, corpo da capela-mor, com fenestração rectangular e, em plano superior, janelões de arco a pleno centro emparedados. Alçado tardoz adossado a ala do conjunto conventual. Alçado E. com porta lateral de acesso à nave e, em plano superior, janelão rectangular. O resto do alçado encontra-se adossado a ala conventual. INTERIOR de nave única, compondo um octógono, com coro-alto, capela-mor e sacristia. No lado da entrada, porta rectangular dá acesso a pequeno corredor coberto com arco abatido, comunicante, do lado do Evangelho, com a antiga Casa da Fábrica e do outro lado com o Baptistério. Sobre este, coro-alto, gradeado e iluminado originalmente pela actual porta sobre o pórtico principal. Nas faces do polígono, situam-se altares de arco de volta inteira, e, em duas faces fronteiras entre si, portas de acesso ao exterior, sobrepujadas por púlpitos, marcados superiormente por frontão semi-circular. Em plano superior, quatro tribunas ou coretos. Sobre a cornija, as janelas de arco rebaixado e jambas rectas, algumas em capialço. Cobertura em cúpula de gomos, sustentada por oito nervuras que convergem para um florão, como fecho da abóbada. Um degrau dá acesso à capela-mor profunda e coberta com abóbada de canhão. Do lado da Epístola, porta para a sacristia e sala de arrumos, de onde se tem acesso ao convento e, através de escadaria interior, ao coro alto e à torre. Do lado do Evangelho, porta rectangular, fronteira a anterior de acesso ao piso superior. Junto ao retábulo de talha policromada, e fronteiras, duas janelas laterais com molduras intensamente decoradas. CONVENTO de planta quadrangular, desenvolve-se em torno do claustro, formado por arcaria de cinco arcos de volta inteira, apoiados em pilastras toscanas. Construção de dois pisos, é profusamente fenestrado quer para o exterior quer para o interior, nas quatro empenas que formam o conjunto. No piso inferior, verificam-se, ainda, o refeitório, rectangular, com mesas e bancos corridos. Paredes com silhares de azulejo e cobertura em falsa abóbada de berço abatido. Junto a este, surge uma fonte de espaldar, circunscrita por duas pilastras que suportam frontão encimado por cruz, enquadrada por duas aletas volutadas. Contígua, fica a cozinha com grande chaminé no ângulo, várias prateleiras e mesa. Na zona, uma sala, talvez a primitiva Sala do Capítulo. Estas dependências apresentam coberturas em abóbada de berço abatido. Para abastecimento de água, havia um aqueduto, hoje praticamente inexistente, formado por longo caleiro, em parte assente em muro ou, conforme o desnível do terreno, em altos pilares de pedra.
Materiais
Granito, rebocos, e madeiras.
Observações
*1 - escudo oval, partido, de Portugal e da Ordem de Cister, encimado por coroa régia. *2 - em 1602, Frei Bernardo de Brito escreveu, na "Primeyra Parte da Chronica de Cister", que a fundação do mosteiro se teria devido a Frei João Cerita, eremita e antigo guerreiro de Afonso VII de Leão, opinião que foi secundada por Frei António Brandão. *3 - o mosteiro formava um paralelograma, tendo num ângulo a igreja e a E. ainda incompleto, tendo cerca de 190 palmos, estando situado numa montanha, denominada Monte Cerita, em cujo cume existia uma pequena ermida, a casa do ermitão, hoje da Irmandade da Senhora da Boa Morte, junto ao Rio Varosa; a porta principal de acesso ao núcleo era do lado S., mas como se encontrava em construção, a entrada processava-se pelo lado E.; quando se entra tem, no lado esquerdo, uma sala, o Celeiro, a que se segue um quarto e adega, em arcadas de pedraria; no lado direito, a cozinha, surgindo o claustro no centro, com cinco arcadas de pedra por cada lado, tendo, a N., o refeitório e tulha, a NO., uma espaço em pedra que serve de arrecadação de azeite, com 5 pias de pedra, a O. uma tulha e o volume da sacristia, seguindo a igreja; no lado S. do claustro, a escada de acesso ao andar superior, com largo corredor, tendo, no lado direito, hospedaria com alcofas, sala e cela do superior, aparecendo, no lado E., cinco celas e a livraria, no N., cinco celas e a cloaca e, no O., cinco celas e a capela-mor da igreja, sendo o conjunto avaliado em 60 mil cruzados; a igreja é ao gosto romano, com altar-mor e 4 colaterais, o de Nossa Senhora da Piedade, São Bernardo, São Bento e Sagrada Família; no camarim do retábulo-mor, a pintura da "Assunção da Virgem" e, sobre um mausoléu, no lado do Evangelho, a pintura da "Fuga para o Egipto"; no retábulo-mor as imagens de São Cristóvão e São Bento em vulto, surgindo, no de Nossa Senhora da Piedade, as de Nossa Senhora do Rosário e São Sebastião, esta de dois palmos; sobre o retábulo da Sagrada Família, surgem as imagens de Santo António, em vulto, de dois palmos, e o Menino, de vulto e um palmo; tem coro e quatro coretos, tudo incompleto, e dois púlpitos fronteiros na nave; entrada da igreja a S., tendo, à esquerda, o baptistério e, à direita, a Casa da Fábrica; a sacristia possuía arcaz com seis gavetões, um armário, mesa pintada e crucifixo; as duas torres encontram-se incompletas, uma delas com dois sinos; em frente à igreja, um tanque de água e a O., casas com loja, balcão e escadas de pedra que acedem a uma sala; a E., surgem duas lojas, uma para o alambique e outra constituindo a forja; o refeitório tem retábulo com a representação da "Última Ceia" pintada, muito grosseira.