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Igreja de São Vicente

Igreja de São Vicente

O ponto de interesse Igreja de São Vicente encontra-se localizado na freguesia de Quintanilha no municipio de Bragança e no distrito de Bragança.

Arquitectura religiosa, românica, maneirista e barroca. Igreja paroquial de estrutura românica, de planta longitudinal composta por nave, capela-mor mais alta e estreita e sacristia no lado direito. Fachada principal novecentista, em empena truncada por dupla sineira e rasgada por portal em arco abatido. Fachadas com cunhais simples, remate em beiral e rasgadas por portais escavados românicos, de dupla arquivolta, assente em impostas salientes e, na esquerda, janelas rectangulares, em capialço, de feição maneirista. Interior com coberturas de madeira, em vigamento de madeira na nave e em masseira na capela-mor, com vestígios de pinturas murais de feição maneirista. Retábulo-mor de talha dourada e policromada em estilo nacional. Igreja românica, de que mantém a estrutura e as portas travessas, com função paroquial, posteriormente reformulada, nos séc. 17 e 20, altura em que foi reformulada a fachada. Capela-mor mais elevada que a nave no exterior, adaptando-se ao declive do terreno, mas não visível interiormente. Mantém uma pia baptismal bastante antiga, talvez contemporânea das obras seiscentistas, altura em que foram efectuadas as pinturas murais decorativas, ainda visíveis na parede que envolve o arco triunfal. Retábulo-mor em talha de estilo nacional, com o ático visivelmente truncado, revelando que não foi concebido para este espaço arquitectónico, desconhecendo-se a sua proveniência.

Planta longitudinal simples, composta por nave, capela-mor mais alta e estreita e sacristia no lado esquerdo, de disposição horizontalista, mas de forte inclinação. Coberturas diferenciadas de uma água na sacristia e duas nos demais volumes. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com cunhais simples e remate em beiral. A fachada principal, virada a O., possui portal em arco abatido com moldura e, na chave, uma placa de cimento com a data "1933". Remate em empena truncada por dupla sineira, em cantaria aparente, assente em cornija e fechado por empena, também com cornija, sob a qual surgem pináculos e cruz latina. Fachada N. rasgada por portal em arco de volta perfeita, reentrante e com duas arquivoltas, assentes em impostas salientes, tudo em cantaria granítica. O pano murário da sacristia é cego. Na fachada S. abrem-se fenestração maios amplas, com janelas rectangulares molduradas e gradeadas, em capialço, uma na capela-mor e outra na nave, onde também se encontra um portal idêntico ao da fachada N.. O cunhal direito é perpianho. Adossada ao muro, a escada de acesso ao campanário. Fachada posterior com estreita janela na sacristia e, no corpo da cabeceira, cruz latina no vértice da empena. INTERIOR rebocado e pintado de branco, com cobertura em vigamento de madeira e pavimento composto por corredor central de lajes graníticas, flanqueado por pedras de xisto colocadas de forma aleatória. Portais laterais estão desencontradas, surgindo, no do lado da Epístola, uma pia de água benta, assente em coluna lisa. No lado do Evangelho, pia baptismal em granito, de pé curto e generosa bacia com superfície exterior decorada em gomos, ostentando vestígios de policromia. Arco triunfal de volta perfeita, com dupla arquivolta e assente em duas colunas de fuste liso e capitéis decorados por palmetas, envolto por pinturas murais figurativas, que também aparecem no lado do Evangelho, junto ao ângulo; neste, surgem dois registos, o primeiro preenchido por dois anjos, um deles segurando uma cartela com instrumentos da Paixão; o superior é imperceptível. A ladear o arco triunfal, tem, no lado do Evangelho, dois registos com friso separador a imitar madeira, no inferior uma figura masculina, provavelmente um trovador, conhecida como Santo da Viola *2, rodeado por anjos e por São Miguel; o registo superior é imperceptível, talvez um São Brás. No lado da Epístola, São Lázaro, com um cão a lamber as chagas, e Santo André, surgindo, superiormente um bispo e um anjo. Acede-se à capela-mor por dois degraus, com paredes rebocadas e pintadas de branco, com cobertura de madeira em masseira e pavimento em lajeado e em mármore preto. Sobre supedâneo de dois degraus, retábulo-mor em talha dourada e policromada, de planta recta e três eixos definidos por colunas torsas com pâmpanos e anjos, assentes em consolas, encimadas por mascarões, formando pequena tribuna em arco de volta perfeita com trono, tendo na base o sacrário, em forma de templete poliglonal, com Cristo ressuscitado em baixo-relevo na porta; lateralmente, nichos rectilíneos, com mísulas. Remate em friso de acantos e, na zona central, uma arquivolta torsa encolve a tribuna, ladeada por motivos fitomórficos de talha. No banco, duas portas de acesso à tribuna. Destacado, altar em forma de urna com marmoreados fingidos. No lado do Evangelho, porta de acesso à sacristia.

Materiais

Cantaria granítica na estrutura, rebocada e pintada, na sineira, cunhais, molduras, cruzes, corredor central do pavimento da nave e parte do da capela-mor, pias baptismal e de água-benta; xisto no pavimento da nave; mármore no pavimento junto ao retábulo-mor; madeira nas portas, coberturas, caixilhos, confessionário, retábulo-mor e imaginária; telha de aba e canudo; vidro simples nas janelas; grades de ferro nas janelas, material que surge na guarda das escadas de acesso à sineira; sinos em bronze.

Observações

*1- DOF:...incluindo todo o seu recheio, nomeadamente as pinturas murais e os retábulos. *2 - existe uma representação escultórica semelhante na Igreja Matriz de Quintanilha. *3 - a invocação a São Vicente pode indiciar a existência de um culto anterior ao séc. 13, porquanto se trata de um devoção bastante comum nas primeiras centúrias da Nacionalidade.