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Palácio da Quinta da Regaleira

Palácio da Quinta da Regaleira

O ponto de interesse Palácio da Quinta da Regaleira encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Sintra (Santa Maria e São Miguel no municipio de Sintra e no distrito de Lisboa.

Arquitectura residencial, revivalista, ecléctica. Quinta de gosto romântico, com palacete e capela de concepção marcadamente cenográfica e em estilo neomanuelino, apesar de conciliar outros revivalismos como o neo-gótico e neo-renascentista. Notória também uma nítida influência da Torre de Belém (v. PT031106320024), na fachada E. e N., do Mosteiro Batalha (v. PT031004010001), no ângulo SO., e do Palacete Hotel Buçaco (v. PT010111040001), visto que a Regaleira e este último foram riscados pelo mesmo arquitecto e executados pelos mesmos artistas. Apesar do interior ser "teatral e faustoso", permite uma vivência intimista, já que a sua organização espacial resultou em parte da personalidade do proprietário. Constitui um dos exemplos mais significativos da arquitectura revivalista portuguesa, sob o signo do neomanuelino, a que não é alheia a personalidade do proprietário e o seu camonianismo fervoroso.Todo o projecto da Quinta da Regaleira foi idealizado pelo Dr. Carvalho Monteiro e possui uma grande carga simbólica e familiar: o altar da capela é dedicado à Virgem, porque a sua filha se chamava Maria, num vitral representa-se o Milagre da Nazaré, porque esse era o nome de uma neta; um painel de "tesselatum" representa Santo António pregando aos peixes, porque António era o nome de outro neto; também relacionados com membros da sua família, são as representações de São Pedro (nome do filho), Santa Teresa (da neta) e São Francisco (do pai); as figuras da mísula da varanda representam os netos: a menina segurando pombos no regaço a Teresa; a menina segurando o cordeiro, a Nazaré; o que segura o ninho, o António e o outro menino o Francisco. A sala de estar tinha as paredes pintadas com o monograma do Dr. Carvalho Monteiro, o qual também aparece em varandins do palacete e partes do muro exterior. A sala de jantar tinha um baixo-relevo ao fundo da lareira representando um carvalho com as raízes mergulhando no chão e na pedra da chaminé figuram monteiros segurando cães e perseguindo peças de caça.

Quinta composta por palacete, cavalariças, capela separada da casa, casa do porteiro, casa do conrado, casa da Renascença, torre, poço subterrâneo, lagos, fontes, grutas, bancos e outros elementos, todos eles integrados numa vegetação luxuriante de jardim e mata. PALACETE: planta rectangular irregular, composta, com o ângulo SO. mais saliente e facetado e torre circular adossada a NE. Volumes dispostos verticalmente de forma escalonada, com coberturas em terraço. Fachadas de quatro pisos, separados por torsais ou frisos de flores quadrifoliadas, com aparelho "incertum" no primeiro e "quadratum" nos restantes; vãos de verga curva, profusamente decorados, interior e exteriormente com molduras besantadas, flores quadrifoliadas, cordas, nós, aves, putti, animais fantásticos, carrancas, urnas etc., com elementos naturalistas e cogulhos de vegetação formando arcos conopiais ou outros. A fachada S. tem acesso por torre quadrada, que também dá passagem à fachada E.; sobre arcaria cega, ergue-se o primeiro piso com varanda corrida, de arcos abatidos sobre colunas e coberta por tecto em caixotões; liga-se à zona facetada, contrafortada e rasgada por várias janelas, e depois à fachada O. No segundo piso, varanda com balaustrada de cantaria recortada a que se pode ter acesso pela torre. Fenestração regular neste e no terceiro piso, onde a janela central tem sacada sobre mísula decorada com grupo escultórico constituído por figura feminina com pombas no regaço num nicho, criança segurando um ninho de um lado, criança segurando um cordeiro do outro e uma outra, superiormente, em tronco nu; neste piso, a torre é rematada com balaustrada e pináculos, fornecendo sacada a uma outra janela. No corpo facetado, as janelas têm balaustrada e os contrafortes são rematados por pináculos. Coroa o piso balaustrada rendilhada. O quarto piso é constituído por corpo octogonal, sobre o corpo facetado, caprichosamente decorado por colunas terminadas em pináculos, troncos retorcidos sobrepostos aos vãos, etc, e um outro corpo mais singelo na zona central do palácio. A fachada O., a principal, tem decoração semelhante à anterior; no primeiro piso, alpendre com vão em arco de asa de cesto, colunelos esculpidos sustendo rendilhado de troncos e abóbada de cruzaria de ogivas; nele abrem-se duas portas, uma para a sala e outra para o hall, esta última muito decorada, com arco sobrepujado por duas figuras femininas segurando filactera com "Salve". Parte do primeiro piso virado a O. e N. é coberto por terraço com balaustrada vazada por quadrifólios. Os restantes corpos ora avançam, recuam ou se seccionam, com vãos semelhantes aos da fachada S., gárgulas simples e esculpidas em forma de animais. Fachada N. e E. junto à estrada; sobre o primeiro piso corre varanda com balaustrada; as janelas do segundo têm decoração muito diversificada e no terceiro corre arcada sobre modilhões. No ângulo NE sobressai torre circular muito decorada. INTERIOR: Primeiro piso, de serviços, de grande simplicidade. No segundo piso, destinado à zona social, destaca-se vestíbulo com porta emoldurada a cantaria profusamente decorada, paredes com lambril de azulejos imitando os de corda seca, chão de tesselas com desenhos vegetalistas e geométricos e cobertura em abóbada. "Sala da Renascença" com jambas das portas e janelas e lambril de mármore com motivos geométricos; numa parede tem lareira com "putti " brincando num friso esculpido; a parede do fundo é forrada por armários de madeira de alçado almofadado; chão de parqué e tecto de caixotões octogonais. Sala de jantar com as portas para a varanda, simples ou duplas, em arco redondo, ladeadas por colunas e elementos naturalistas e geométricos em cantaria; fronteiro, a lareira, tendo num alto relevo uma cena de caça encimada por estátua de caçador com dois cães; na parede de fundo surge pintado, de um lado, caçador largando um falcão e com a outra mão segurando dois cães, do outro, rapariga sentada em rochas à beira-mar. Chão de tesselas coloridas com animais e peças de caça; tecto abobadado. Porta forrada a veludo (à maneira) quinhentista comunica com pequena copa. "Sala das bonecas" com paredes pintadas com cenas cortesãs e, nas sobreportas, crianças brincando, emolduradas por elementos vegetais estilizados; tecto de madeira trabalhado. Na "Sala de bilhar", lambril de madeira encimado por motivos florais pintados em losango, tendo ao centro de cada parede um brasão; numa das paredes, lareira de mármore com escudo de Sintra pintado; tecto de caixotões sobre cornija de madeira interrompida com pinturas dos bustos dos Reis de Portugal. Escada de caracol dá acesso ao terceiro piso, destinado à zona familiar, onde se localizam os quartos, com decoração mais sóbria e limitada. Ali, existe amplo corredor, com um friso de flores e folhas, envolvendo as portas e junto à cornija; chão de parqué e tecto de caixotões trabalhados. Os quartos têm decoração semelhante: lambril pintado em marmoreado, friso inferior e superior com grinaldas de folhas e flores, chão de parqué e tectos de madeira. Destaca-se a "Sala das Meninas", onde o emolduramento das portas é em mármore esculpido com troncos, cordas, nós, cogulhos, esfera armilar, etc; sobre a porta que dá acesso à torre, escultura de Adão e Eva e a árvore da vida. Friso pintado com as aventuras de um grupo de jovens corre as paredes superiormente. Os quartos do lado S. são esconsos. O quarto piso é constituído essencialmente por terraços e uma pequena sala. CAPELA: Planta longitudinal, composta por nave única e sacristia, com torre sineira incorporada, tudo em eixo, e cripta, em piso subterrâneo. Fachadas em cantaria de calcário, ritmadas por contrafortes coradoos por pináculos e rematadas por platibanda vazada, com decoração fitomórfica e por merlões na fachada posterior. Fachada principal orientada, rasgada por portal em arco de volta perfeita, encimada por escultura da Anunciação, sob óculo, ladeado por estátuas de Santo António e Santa Teresa, sob baldaquino. Fachadas laterais rasgadas por janelas ricamente decoradas por cordas, cogulhos e motivos fitomórficos. INTERIOR: nave de paredes rebocadas e pintadas de branco, com decoração fitomórfica, querubins e cordas. Cobertura em abóbada de cruzaria e pavimento em mosaico, com representação ao centro de esfera armilar sob a cruz de Cristo. Possui coro alto, com entrada para a cripta, no subcoro, através de escada helicoidal. Do lado da Epístola, existe um painel com Santo António e São Francisco pregando aos peixes. Retábulo-mor pétreo, embebido na caixa murária, de planta recta, um só eixo, definido por nicho com painel representando a Coroação da Virgem, com renda e decoração fitomórfica. Altar recto encimado por sacrário com representação de Nossa Senhora da Piedade na porta. É ladeado por duas portas de acesso à sacristia. Cripta desprovida de decoração. JARDIM: constituído por diversas espécies arbóreas, algumas delas dispostas formalmente, em redor do palácio e outras pormando a mata. As principais espécies existentes são palmeiras, tílias, camélias, castanheiros, castanheiros da índia, carvalhos, carvalhos americanos, carvalhos negral, carrascos, sobreiros e azinheiras. Tanto no jardim como na mata existem diversas estruturas arquitectónicas, tais como, a alameda dos Leões, que comunica com o Patamar dos Deuses, junto ao palácio, ritmado por estatuária de diversos deuses, vários lagos, com é exemplo o lago dos cisnes, fontes diversas, nomeadamente a Fonte do Ibis, decorada com embrechados, o Jardim ou Terraço das Quimeras, com fonte central de tanque circular, decorada por figuras fantásticas, búzios e conchas e rodeada por latada de glicínias. É ainda exemplo, a antiga casa do zelador, conhecida por Casa da Renascença, com fachadas em alvenaria de pedra, rematadas por merlões, o poço iniciático, com descida interior helicoidal, em redor das paredes do mesmo, o Terraço Celeste e a entrada dos guardiões, a Torre da Regaleira *2, e diversas grutas artificiais, como é o caso da Gruta da Leda. Todo o jardim é irrigado por um complexo sistema de rega, composto por cerca de dez minas, um aqueduto e doze depósitos *3.

Materiais

Estrutura dos edifícios em calcário de Coimbra, da pedreira de Outil; mármores nas lareiras; alcatrão nas juntas das pedras do palácio e capela; azulejos no vestíbulo de entrada; ferro; vitrais; tesselas nos pavimentos interiores; mosaicos venezianos nos pavimentos interiores; parqué em pavimentos interiores; madeira de carvalho e cerejeira no interior; ferragens em latão nas portas interiores; veludo a forrar as portas da sala de jantar.

Observações

*1 - DOF: Quinta da Regaleira, com o seu palácio, capela, torres, complexo subterrâneo e jardim, incluindo todos os elementos decorativos na estrada velha Sintra - Colares, no troço designado por Rua Barbosa du Bocage, 51. *2 - esta torre, também conhecida como Torre da Regaleira, foi, segundo a tradição, a que deu nome à quinta, pois do seu alto desfrutava-se de uma vista "que era uma regaleira". *3 - frequentemente diversos elementos arquitectónicos e decorativos existentes no palácio e na quinta são associados a símbolos maçónicos, tais como o poço iniciático, o terraço celeste, a entrada dos guardiões, o banco do "515", a gruta de Leda, a águia com seios, o athanor goliardo da capela, o ouroboro na entrada do palácio, a pintura das três Graças, do antigo escritório de Carvalho Monteiro, o Delta Luminoso existente na entrada da capela, etc; parte do primitivo mobiliário do palácio foi construído com madeira de castanheiros da quinta e outra parte comprado no Antiquário Lisboeta, à excepção dos móveis da capela, da sala de jantar, sala de bilhar e o trono. *4 - Carvalho Monteiro decidiu construir o palácio à beira da estrada, não só pela vista, mas porque predendia adquirir a Quinta do Relógio, que fica em frente e ligá-la à Regaleira através de uma ponte. *5 - grande parte dos artistas permaneceram em Coimbra, na oficina de João Machado, de onde se enviaram as obras, mas outros, como os irmãos Fonseca, fixaram-se em Sintra.