Arquitectura civil contemporânea, revivalista e ecléctica, moderna funcionalista. Edifício principal: sobriedade formal no piso inferior denotando tratamento essencialmente de modelação de pano que joga com as diferentes linguagens estilísticas de revivalismo, do piso superior, inserido este num clima cultural, marcado por uma generalizada atitude ecléctica, com diversidade de elementos decorativos, nos arcos plenos dos vãos, na linguagem neo-manuelina dum pequeno frontão trilobado; destaque para profusão decorativa das cérceas, num expressivo tratamento da massa, com delicadeza de desenho, e tratamento de detalhes, mantendo o conjunto, grande unidade e dignidade formal. Edifício do Salão de Festas: modernidade num programa modesto; desenvolvimento de gramática arquitectónica rígida, com noção de densidade de massa e volume num jogo de planos e linhas, tendencialmente geometrizante em volumes secos em compromisso com uma concepção clássica simetricamente modulada, com ténues motivos "art déco", em estética cubista.
Planta quadrangular, composta por dois volumes justapostos, de plantas longitudinais, regulares, que formam o edifício principal e o novo Salão de Festas, com coincidência exterior / interior; disposição das massas na horizontal. Cobertura em telhado e terraço. Ambos os edifícios com embasamento a toda a volta. EDIFÍCIO PRINCIPAL: a fachada principal é orientada a N.; em nível sobranceiro à rua adjacente, tem acesso por dois lanços de escadas de cantaria, dando sobre patamar estreito, guarnecido por grade de ferro. Fachada em simetria, de 3 panos delimitados por pilares ressaltantes, e 2 registos delimitados por friso largo; no piso inferior o portal é flanqueado por uma janela de cada lado e os panos laterais são rasgados por mais duas janelas uma em cada; no piso superior, piso nobre, aqueles vãos correspondem a vãos de janelas de sacada, partilhando as 3 dos meio, de varanda assente em cachorros, com resguardo de gradeamento em ferro; remate superior em frontões e platibanda recortados com profusão de urnas. Fachada a O. de 3 panos irregulares, e 2 registos; um pano nobre com 3 janelas rectangulares debruadas a cantaria no piso inferior, tendo a continuação do friso do frontispício com divisor do piso superior com 3 janelas de sacada, de molduras diferenciadas, sendo o remate igualmente, idêntico ao do frontispício; os dois panos à direita são pobres têm a marcação de 3 registos definidos por sobreposição de janelas, com cano de algeroz a dividir os panos, sendo o remate em empena lisa. Fachada a E. de um pano cego, com pequenas frestas verticais no topo, com remate em empena angular simples. Articulação exterior / interior desnivelada. INTERIOR de espaços diferenciados, dividido pelos dois pisos, diversificados consoante as necessidades desta casa associativa, salas de serviços, salas de jogos, sala de leitura, salas de convívio, sala museu, salão de festas no piso superior com varandim a toda a largura com resguardo de barriga, em ferro, assente em duas colunas de ferro. Acede-se ao piso superior por escada em cantaria que se desenvolve em arco, com corrimão em ferro. Paredes de alvenaria, com decoração geométrica em estuque, decoração que é seguida nos tectos que são de sobrado, em madeira. O pavimento é em soalho e ainda em tijoleira e mosaico. Interiormente há acesso por porta para o edifício mais moderno. SALÃO DE FESTAS: Fachada principal orientada a O. de 3 panos ao mesmo nível e um a nível superior: o principal de 2 registos é marcado no inferior por série de portadas, rectangulares sobrepujadas por pala; o superior é marcado por um reticulado de vigas de betão que originam a iluminação interior; os panos que flanqueiam este são lisos e cegos; o remate é em friso saliente, formando pequena pala; o pano da direita é cego e remata em friso de coroamento, oblíquo. Fachada S. de um único pano chão, com um pequeno óculo circular à esquerda e uma porta à direita, tendo abertos, superiormente, 5 óculos circulares de semelhante dimensão do outro; remate em friso de coroamento. INTERIOR de espaço diferenciado, em salão de espectáculos / ginásio, com palco e balcão saliente que ocupa as 3 outras paredes, e pequenas divisões de apoio ao salão. A cobertura em chapa de metal e o pavimento em madeira.
Materiais
Alvenaria, reboco, cantaria, madeira, estuque, ferro, vidro, tijolo, tijoleira, mosaicos, telha.
Observações
*DOF: Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense, Os Penicheiros. *1: Denominado até 1922 por Largo Da Alegria, mas desde tempos recuados conhecido por Largo do Casal. *2: A proveniência é dada numa narrativa de notícia escrita por D. Ester Monjardim da Costa Figueira no Jornal do Barreiro. Contava a jornalista que, num recontro entre progressistas e regeneradores, indo a cavalo o Conde de Peniche no meio de povo amotinado, o avô da dita senhora sai de casa, dirige-se ao conde, saúda-o e ao povo nos termos seguintes: Viva o Senhor Conde de Peniche! E vivam os Penicheiros!, conseguindo deste modo pôr fim ao desacato. O Conde agradecido e louvando o acto de valentia, disse que a Sociedade a que a família do avô de D. Ester pertencia, devia passar a acrescentar ao nome que tinha, Os Penicheiros. Esta história fora transmitida naquela família, por via oral. Historicamente sabe-se que penicheiros era a designação popular dos partidários do 3º Conde de Peniche (1820 - 1881).