Fábrica de pólvora.
A denominada FÁBRICA DE BAIXO é constituída por diversos edifícios (aos quais corresponde diferente equipamento) destacando-se 4, nomeadamente, a Caldeira dos Engenhos, o Edifício das Galgas, as Oficinas a Vapor e o último a ser edificado, a Central Hidroeléctrica. Confina a S. com as casas de residência dos oficiais, a E. com uma fachada sem aberturas, e a O. com um muro com remate em cantaria. CALDEIRA DOS ENGENHOS: edifício localizado na margem esquerda da ribeira, corresponde à zona primitiva de produção e consta de um amplo reservatório de água, alimentado pelo aqueduto de baixo com saída pela gárgula de calcário em forma de peixe (delimitado por muro com conversadeiras e aproveitado como espaço de lazer) que assegurava o fornecimento de água às azenhas, situadas numa galeria com cobertura em abóbada de berço, e que a conduzia depois aos engenhos de galgas; destinados ao encasque da pólvora (uma das principais etapas do processo de fabrico da mesma). EDIFÍCIO DAS GALGAS: compreendido por um pequeno edifício central, com funções de apoio, e 2 edifícios simétricos, cada um deles dividido em 3 compartimentos; o compartimrnto do meio aloja um motor eléctrico e cada um dos laterais um sistema de galgas sobre prato. Reconhecem-se 2 engenhos de 2 galgas suspensas em ferro fundido cada um - inicialmente compunham-se de 2 mós de pedra que rolavam verticalmente sobre um prato também de pedra, - accionadas por corrente eléctrica através de tambores e correias instaladas no piso subterrâneo. Com a introdução da máquina a vapor aparece o EDIFÍCIO DAS OFICINAS A VAPOR (hoje em ruínas) de planta rectangular volumetria paralelepipédica e compartimentado em espaços de planimetria rectangular. A nova tecnologia accionava os trituradores das misturas binárias, o encasque e a compressão da pólvora através da prensa hidráulica, lustração, peneiração e granisação. CENTRAL HIDROELÉCTRICA: localizada no limite jusante da fábrica, composta por um único compartimento de planta rectangular. Reconhecem-se ainda os principais elementos como as 2 turbinas, os dínamos e o quadro eléctrico, já muito incompleto. Fornecia energia aos motores que accionavam os 4 engenhos de galgas. O funcionamento das turbinas que por sua vez accionavam geradores de corrente contínua de 40 KW era assegurado por água fornecida por um aqueduto que provinha do canal de alimentação das azenhas da Fábrica de Cima; em períodos de escassez de água o equipamento era apoiado por 2 centrais eléctricas Diesel. Páteos de acesso às duas fábricas são revestidos de tijoleiras, a cutelo na zona adjacente aos edifícios com a finalidade de evitar o desenvolvimento de faíscas. e de calçada de pedra nas restantes zonas. Os referidos páteos são ainda providos de amplos sumidouros de forma a evitar a acumulação de águas pluviais e a sua consequente entrada nos edifícios.
Materiais
Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, estuque, ferro forjado, madeira.
Observações
As centrais eléctricas diesel estavam envolvidas por uma estrutura de ferro e vidro que foi adquirida por um particular.