Igreja paroquial românica, gótica, maneirista e barroca. É de planta retangular, composta por nave única com torre sineira centralizada, formando fachada-torre, e por capela-mor mais estreita, tendo sacristia adossada à fachada lateral direita; tem coberturas internas em falsas abóbadas de berço de madeira, em caixotões de produção barroca, iluminada por estreitas frestas e janelas seiscentistas, em capialço, bem como por óculo. Fachada principal em empena recta, rasgada por portal escavado em arco apontado, encimado por fresta, apresentando características semelhantes ao da Igreja de Santa Maria de Almacave em Lamego (v. PT011805010002) e que segundo alguns autores (FURTADO, 1986 / 1987 e COSTA, 1979), tem à sua esquerda dois traços feitos na pedra correspondendo à medida padrão da vara e do côvado, antigas medidas de comprimento equivalentes respectivamente a 110cm e a 70cm. A fachada está marcada por corpo rectangular formando uma torre medieval o que lhe confere um aspecto defensivo, constituindo um verdadeiro templo fortificado, que se explica pela necessidade das populações cristãs se defenderem contra ataques dos muçulmanos refugiados nas vizinhanças após a reconquista (COSTA, 1979). Esta estrutura é suportada, interiormente por arcos de volta perfeita, que descarregam em pilares, sustentados, exteriormente, por contrafortes. Fachadas marcadas por contrafortes, rematadas em cornija, sustentada por cachorrada, que, no corpo da torre, é substituída por bandas lombardas, a lateral direita rasgada por porta travessa de verga recta, flanqueada por pilastras e rematada por entablamento. As cantarias apresentam várias siglas. Púlpito em marchetado seiscentista, no lado da Epístola. Arco triunfal em arco apontado, dando acesso à capela-mor, com retábulo de talha dourada do estilo nacional; nesta dependência, surge estranho vão de volta perfeita, constituindo o reaproveitamento de uma estrutura de outra zona do templo. De destacar a capela lateral, profunda, totalmente revestida a talha dourada, com retábulo de planta côncava, contendo sacrário em forma de templete. Existência de pinturas murais quinhentistas a ladear o arco triunfal, alusivas ao orago do templo. A capela-mor apresenta cobertura em caixotões pintados com temática hagiográfica, que sobreviveu à intervenção de restauro purista dos anos 50 do séc. 20.
Planta retangular, composta por nave, capela-mor mais estreita, sacristia adossada à fachada lateral direita e torre sineira quadrangular na fachada principal, de volumes articulados e escalonados e disposição verticalista das massas, com coberturas diferenciadas em telhados de uma, duas e quatro águas. Fachadas em cantaria de granito aparente, percorridas por embasamento, com excepção da fachada E., rematadas em cornijas assentes em cachorrada, excepto na fachada O., onde a cobertura se apoia directamente no pano mural; no corpo da torre, o remate processa-se em banda lombarda, assente em cachorros com decoração zoomórfica, possivelmente cabeças de bovinos. As fenestrações ostentam vidros do tipo catedral. Fachada principal, voltada a O., constituída pelo corpo da torre, com a zona da sineira mais estreita e vazada por duas sineiras de volta perfeita, assentes em impostas salientes, em cada uma das faces, possuindo dois sinos de bronze; o corpo é escorado por dois contrafortes nos cunhais. É rasgado por portal axial escavado, em arco apontado, com quatro arquivoltas, envolvidas por uma faixa axadrezada, que assentamem três colunelos de bases simples e capitéis esculpidos com decoração vegetalista e zoomórfica; o tímpano assenta em impostas salientes e, dos ábacos dos colunelos, parte um friso, que se prolonga até aos contrafortes nos cunhais; sobre o portal, à altura do gume do arco, a espaços regulares, surgem quatro mísulas, que suportariam uma estrutura anterior, talvez um alpendre. Sobre o portal, uma fresta. Fachada lateral esquerda, virada a N., com quatro frestas estreitas, correspondendo, três delas, à nave, seccionada por um contraforte, e uma à capela lateral. O corpo da capela-mor tem duas fenestrações rectangulares e outra quadrada de reduzidas dimensões. Na última fila da cantaria mais antiga, silhar com inscrição. Fachada lateral direita, virada a S., composta por vários corpos, sendo o da nave rasgada por portal de verga recta, flanqueado por pilastras e entablamento, sobre o qual é visível o perfil de um antigo arco de volta perfeita; o portal está encimado por fresta rectilínea em capialço. No corpo da capela, é visível o vestígio de outro arco de volta perfeita e, no corpo adossado da sacristia, surge uma janela rectilínea em capialço e, na face O., uma porta de verga recta, encimado por janela semelhante à anterior. Na nave, surge um contraforte, ostentando uma estreita fresta. A fachada posterior, virada E., é cega, rematada em empena e encimada por cruz latina de pedra. Sobre esta é visível o corpo da nave, rasgado por um óculo com uma cruz pomeada vazada. INTERIOR em cantaria de granito aparente, com cobertura em falsa abóbada de berço de madeira de castanho, formando 49 caixotões e pavimento em taburnos de madeira. O corpo da torre é sustentado, por três arcos de volta perfeita, apoiados em altos pilares com capitéis esculpidos, o central bastante mais elevado, subindo até ao apainelado do tecto; dão origem a um espaço com cobertura em abóbadas de berço, em cantaria. No lado da Epístola, uma escada de ferro dá acesso ao torreão. O portal axial está protegido por guarda-vento com duas portadas de madeira, com lemes e fechos de ferro. No lado do Evangelho, capela lateral, rasgada por duplo arco quebrado. No lado da Epístola, púlpito quadrangular, assente em bacia de cantaria, com guarda balaustrada de madeira e marchetados de bronze, com acesso por porta de verga recta, de madeira almofadada e pintada de vermelho, encimado por guarda-voz, também de madeira. Sucede-se uma capela lateral em arco de volta perfeita, revestida a talha e contendo retábulo, dedicada à Sagrada Família. Arco triunfal apontado, formando três arquivoltas, a última decorada com denticulado, assentes em colunelos embebidos na parede, com capitéis decorados por elementos vegetalistas. A ladear o arco triunfal, no lado do Evangelho, existe uma pintura mural representando São Martinho com vestes de bispo, com mitra e báculo, abençoando com a mão direita e, no lado da Epistola, em muito mau estado, uma figura feminina religiosa e um cavalo*1. Ascende-se à capela-mor através de dois degraus, com cobertura em falsa abóbada de berço de madeira, com caixotões pintados com cenas religiosas, emoldurados com talha dourada, decorados com torcidos e motivos fitomórficos, assente em friso e cornija, com mísulas equidistantes e reforçada com tirante metálico. No lado da Epistola, abrem para a sacristia, porta e amplo arco abatido, ornamentado com bozantes*2. Sobre supedâneo de três degraus de cantaria, o retábulo-mor, de talha dourada, de planta côncava e três eixos definidos por seis colunas torsas, ornadas por pâmpanos e assentes em consolas e numa ordem inferior de cariátides, que se prolongam em três arquivoltas torsas, unidas no sentido do raio e formando apainelados ornados por acantos e querubins; ao centro, tribuna de volta perfeita, com a boca ornada por friso rendilhado, contendo trono expositivo de três degraus, na base do qual surge o sacrário, envolvido por acantos e tendo, na porta, a imagem de Cristo Redentor. Os eixos laterais formam apainelados com mísulas. Altar paralelepipédico, com frontal tripartido, ladeado pelas portas de verga recta e almofadadas, de acesso à sacristia.
Materiais
Estrutura, colunas, capitéis, cornijas, cachorros, modinaturas, pavimento em cantaria de granito; cobertura exterior em telha; cobertura interior em madeira de castanho; painéis, pavimento, portas em madeira; guarda e baldaquino do púlpito em pau-santo; janelas com vidro tipo catedral; suporte dos sinos em metal; sinos em bronze; fechos e lemes das portas em ferro.
Observações
*1 - Existiam aqui dois altares laterais, que foram levados para o Santuário do Senhor do Calvário (v. PT011813140067), para se poderem ver as pinturas murais, que na época estavam ocultas pela talha. *2 - Este arco é provavelmente do séc. XVI, dava acesso ao coro e abre agora para a sacristia. Esteve entaipado pelo menos até ao séc. 17, quando os painéis que o cobriam foram destruídos.