Arquitectura infraestrutural, barroca e neoclássica. Aqueduto cuja conduta de água apresenta maioritariamente perfil curvo, lançando-se pontualmente em arcaria de volta perfeita, sendo interrompido regularmente por clarabóias de diversas tipologias, a maioria em forma de templete prismático, com cobertura formando vértice. Apresenta duas mães de água, ambas de planta centralizada, com coberturas em domo, coroadas por lanternins encimados por pináculos, tendo no interior pias circulares para conter a água e bancos corridos que contornam as paredes entre os vãos. Na base da edificação da Mãe de Água Velha encontra-se parte de uma fundação sextavada; no entanto, a forma circular que hoje apresenta, identifica-se melhor com o traço de Manuel da Maia, no que respeita à restante construção do Aqueduto. Alguns dos aquedutos subsidiários, mais tardios, divergem do aqueduto principal, sendo alguns deles bastante mais ricos e apresentando o interior forrado de cantaria. A galeria do Aqueduto que parte da Mãe de Água Velha é revestida a alvenaria enquanto que as galerias de acesso e saída da Mãe de Água Nova são de cantaria *4; Esta é semelhante com a Mina Mãe de Água, em Carnaxide (v. PT031110030014).
Troço do Aqueduto das Águas Livres, que se prolonga por grande extensão, iniciando o seu percurso na nascente , na antiga Quinta das Águas Livres, em Carenque, com algumas extensões a N. de Caneças, pecorrendo cerca de oito quilómetros, dividindo-se em diversos aquedutos subsidiários que o alimentam, surgindo, a montante da nascente, embora não fazendo parte do projecto inicial de Manuel da Maia, uma das extensões do troço principal, o aqueduto do Olival Santissímo, que se estende desde a nascente situada a N. de Caneças até à Mãe de Água Nova, apresentando vários ramais que entroncam nas suas condutas, entre eles: o Aqueduto do Poço da Bomba; do Vale da Moura; dos Carvalheiros; do Convento da Estrela; do Salgueiro; da Couraça; dos Frades Marianos e o Aqueduto da Câmara; a estes ainda se juntam os encanamentos da Academia das Ciências, de Moreira Garcia, o do Conde do Redondo, o Aqueduto da Quintã, o encanamento do Sola e o Aqueduto do Caneiro *2. O troço termina na Amadora, onde se liga a um outro troço que percorre este concelho, entre São Brás e a Buraca (v. PT031115030003) e ligando, ainda, ao Aqueduto da Gargantada (v. PT031111070250). A estrutura segue, maioritariamente à superfície, apresentando alguns troços subterrâneos, iniciando-se na MÃE DE ÁGUA VELHA, estrutura de planta centralizada, circular, com cobertura em domo, coroada por lanternim, também ele coberto por domo, encimado por pináculo, rasgado por quatro janelas rectilíneas molduradas, com vãos protegidos por rede de metal. O acesso ao INTERIOR é feito através de porta de verga recta rematada por cornija que dá passagem a uma pequena galeria, com ligação às restantes, com passadiço central ladeado por caleiras em cantaria, coberta por abóbada de berço. O espaço central apresenta paredes rebocadas e pintadas de branco, com cobertura em cúpula assente em friso de cantaria e pavimento em lajeado de calcário. Ao centro abre-se um tanque circular com ligação a uma caleira de transporte de água, e, adossados às paredes, surgem bancos em cantaria, por cima dos quais existem duas pequenas lápides com inscrições. A montante desta estrutura, na outra margem da ribeira que as separa, situa-se a MÃE DE ÁGUA NOVA, de planta centralizada, octogonal, em cantaria, com os ângulos reforçados por cunhais de cantaria, rematada por cornija saliente, que suporta cobertura em domo, apresentando no topo um lanternim octogonal, com o mesmo tipo de cobertura, coroado por pináculo; encontra-se rasgado por oito janelas, uma em cada pano, e uma porta central, todas de perfil recto e emolduradas a cantaria, as primeiras com os vãos protegidos por gradeamentos de ferro, e a porta apresentando uma folha de madeira pintada de verde. INTERIOR com paredes em cantaria de calcário aparente, com cobertura em cúpula e pavimento em lajeado de calcário. A comunicação entre o nível de entrada e o fundo da estrutura, que desce cerca de cinco metros no interior do terreno, faz-se por escada de vinte e nove degraus, que apresenta sensivelmente a meio, à esquerda, vão em arco de volta perfeita. Ao centro, encontra-se um tanque circular, à volta do qual, se dispõem, no pano murário, quatro arcos de volta perfeita com pedras de fecho salientes, que dão passagem às condutas de chegada e saída de água. Bancos de pedra contornam as paredes entre os vãos, surgindo sobre eles lápide com inscrições. Partindo do corpo da Mãe de Água Velha, surge a CONDUTA de água, de perfil curvo, em alvenaria; alguns metros à frente, a conduta é sustentada por dois pequenos arcos de volta perfeita, e interrompida por lanternins *3, de planta quadrangular, com cobertura piramidal, rasgadas por janelas rectilíneas gradeadas. A acompanhar o percurso do aqueduto, surge, junto a ele, uma clarabóia de planta rectilínea e cobertura em canhão, rasgada por porta rectilínea com bandeira gradeada, perto da qual existe uma outra que se situa junto à estrada, de planta quadrangular, rematada por cornija, com cobertura formando vértice, encimado por pináculo bolboso, rasgada por quatro janelas rectilíneas molduradas e gradeadas. O troço que se situa na Estrada das Águas Livres, apresenta uma altura muito superior à do troço anterior, sendo a conduta de água sustentada por oito arcos de volta perfeita de pequena dimensão e coroada no topo por cinco clarabóias, três delas cegas, e as duas restantes rasgadas por janelas de moldura recta, com gradeamento, uma delas situada sob o viaduto do IC16, junto da qual existe uma porta de verga recta moldurada, com o vão protegido por duas folhas de ferro pintadas de verde, a que se tem acesso por uma escada exterior no mesmo material, que permite a entrada no interior da galeria. Junto à ligação deste troço do Aqueduto com o Aqueduto da Fonte Santa, composto por seis arcos de volta perfeita, um deles apresentando maiores dimensões sob o qual passa a ribeira de Carenque, surge uma clarabóia de perfil octogonal, em cantaria, rasgada por janela jacente emoldurada e por porta de arco abatido, com vão protegido por uma folha de ferro pintada de verde, a que se acede por treze degraus. O Aqueduto principal continua o seu percurso até junto da Ponte dos Caminhos de Ferro de Carenque, amparado por cinco contrafortes e rasgado por laternins em cantaria, quadrangulares, com coberturas piramidais, com as faces rasgadas por janelas rectilíneas gradeadas.
Materiais
Estrutura em alvenaria de calcário azul rebocada a cal e saibro; clarabóias em cantaria de calcário azul; bancos, modinaturas, pias em cantaria de calcário; portas de madeira; grades e lemes em ferro.
Observações
*1 - o Decreto de 19 de Fevereiro de 2002, vem alterar a redacção do decreto de 16 de Junho de 1910, publicado em 23 de Junho de 1910 que classificava, apenas, o "Aqueduto das Águas Livres, compreendendo a Mãe de Água", passando a ter a seguinte DOF: " Aqueduto das Águas Livres, seus aferentes e correlacionados, nas freguesias de Caneças, Almargem do Bispo, Casal de Cambra, Belas, Agualva-Cacém, Queluz, no concelho de Sintra, São Brás, Mina, Brandoa, Falagueira, Reboleira, Venda Nova, Damaia, Buraca, Carnaxide, Benfica, São Domingos de Benfica, Campolide, São Sebastião da Pedreira, Santo Condestável, Prazeres, Santa Isabel, Lapa, Santos-o-Velho, São Mamede, Mercês, Santa Catarina, Encarnação e Pena, municípios de Odivelas, Sintra, Amadora, Oeiras e Lisboa, distrito de Lisboa, compreendendo, assim, todos os troços, chafarizes e mães de água, relacionados com as obras do Aqueduto das Águas Livres (PT031106100001).". *2 - muitas destas construções ficaram a dever-se a entidades particulares, que possuíam propriedades com nascentes de água potável, em locais que ficavam próximos da Mãe de Água Velha, que edificando por sua conta aquedutos e levavam a água das suas quintas para o aqueduto principal, que a conduzia até Lisboa. *3 - estas serviam para o arejamento e oxigenação da água, mas também para a entrada e saída de materiais para a construção e manutenção do Aqueduto. *4 - a fusão entre as águas destas duas Mães de Água, só ver verifica cerca de cem metros para o lado da foz, à saída do Salto Grande.