Arquitectura militar e residencial, medieval e manuelina. Castelo, cerca urbana e paço senhorial. Castelo de planta decagonal irregular, contrafortado nos ângulos por cubelos semicirculares. Integra torre de menagem quadrangular, com três pisos abobadados, adossada pelo exterior, característica que corresponde à estratégia de defesa activa. Cerca urbana medieval com cubelos de secção quadrada. Barbacãs medieval e quinhentista, isolando o castelo da vila extra-muros. Paço tardo-gótico quinhentista com capela e anexos, seguindo os modelos adoptados durante o processo de residencialização dos castelos medievais, ocorrido no século 15 (Casa de Bragança). Capela de planta longitudinal composta por nártex, nave e capela-mor rectangular, com arranques de abóbada e contrafortes da cabeceira manuelinos. Raridade da planta decagonal. Conjugação de duas linhas de barbacã. Apresenta canhoneiras num dos cubelos semi-circulares, troneiras cruzetadas de aspecto ornamental e integra vestígios do primitivo sistema de canalização de águas. Presença de edifícios anexos destinados a armazéns, cavalariças ou celeiro.
Conjunto fortificado incluindo castelo, com vestígios dos paços ducais e respectiva capela no seu recinto, e ainda troços das barbacãs medieval e quinhentista, e da cerca urbana. CASTELO: planta decagonal irregular contrafortado por cubelos semicirculares nos ângulos e torre de menagem de base quadrada adossada; muralhas circundadas por adarve e parcialmente providas de merlões paralelepipédicos rasgados por seteiras. Apresenta um reforço a S. composto por três panos de muralha fechados pelo muro do castelo, formando um pequeno recinto quadrangular, protegido por um cubelo quadrangular orientado a SO. Três lanços de escadas com degraus em mármore permitem o acesso ao adarve nos lados NO., N. e S. Acesso principal: a N. da Torre de Menagem, onde se rasga porta de entrada na praça de armas, em arco quebrado pelo exterior e em arco abatido pelo interior. No troço S. abre-se a Porta de Beja em arco abatido com ombreira em mármore. Abertas internamente na espessura dos panos de muralha, observam-se portas térreas de acesso aos cubelos, com arco abatido em tijolo. Torre de menagem: adossada ao paramento exterior no lado E., de planta quadrangular e com 25m de altura, é antecedida por porta em arco quebrado, aberta no início da barbacã medieval, porta que por sua vez é antecedida por troço de muralha isolado rasgado por outra porta, esta em arco rebaixado, à direita da qual se encontra um bloco de pedra epigrafado; a torre possui cunhais em cantaria e é coroada por merlões cúbicos com remates piramidais; no alçado E. rasga-se janela rectangular dupla a que se sobrepõe pequena fresta, dispondo-se sobre esta 5 silhares em losango; a S. e a N. rasgam-se duas frestas; a O. porta em arco de volta perfeita é encimada por fiada de 5 cachorros e por janela em arco quebrado com bandeira decorada por roseta. Interior com dois pisos, ambos com cobertura em abóbada de berço suportada por arcos torais de cantaria, descarregando em mísulas piramidais; no 1º piso existe alçapão de acesso às masmorras; a escada do 2º piso, de acesso ao terraço, é antecedida por lance de 5 degraus em semicírculo. Na praça de armas, junto do pano SO., as ruínas dos paços ducais apresentam os limites dos compartimentos, dois arcos quebrados em tijolo perto do cubelo SO. e vestígios de pavimento cerâmico na zona central; adossadas aos panos E. e S. das muralhas, existem algumas estruturas anexas; a S. situam-se as ruínas da Igreja. PAÇOS DUCAIS: as ruínas apresentam-se paralelamente ao troço SO. da muralha, sendo possível de identificar os restos da frontaria, virada a NE., com a marcação dos vãos e respectivas molduras em cantaria; dos restantes espaços resta apenas o arranque dos muros, das abóbadas e fragmentos de portas em arco quebrado; na espessura dos muros e dispersos pelo terreno, observam-se fragmentos do primitivo sistema de canalização, em cerâmica e cantaria; defronte da fachada principal abre-se espaço rectangular, tendo ao centro estrutura cúbica de acesso à cisterna com um ferro ondulado com gancho em forma de pescoço de ave; a N., situam-se restos de construção de planta rectangular, possívelmente as antigas cavalariças, com dois vãos de arco abatido em tijolo, um deles entaipado; adossados a E. desta construção, existem restos de torreão, com cunhais em cantaria de mármore, rasgado na face O. por janela e por porta; no interior, vestígios de escada de caracol em pedra. A face E. da muralha junto à torre de menagem apresenta ainda a marcação de dois panos, da primitiva estrutura que aí se adossava (possívelmente o antigo celeiro), e da qual resta apenas fragmento de base da coluna marmórea que constituiria o suporte central da cobertura em abóbada. IGREJA: planta longitudinal, composta por nártex, nave e capela-mor rectangular, dos quais restam apenas os arranques dos muros e parte da cabeceira, de pano único, delimitado por botaréus circulares, facetados, rematados por pináculos cónicos inferiormente circundados por anéis torsos; no interior do que subsiste da capela-mor, nos ângulos da parede fundeira, duas mísulas lavradas em mármore com torcidos, que constituíam o arranque da cobertura abobadada, desaparecida; restam ainda parte das bases dos pilares do arco triunfal, de secção lobulada com anéis; adossados às fachadas exteriores da nave e nártex, restos das várias estruturas dos paços ducais. A SE., vestígios de construção circular. No exterior do castelo, encontram-se troços de muro correspondentes às barbacãs e à cerca medieval. Cerca medieval: da zona S. do castelo, parte um muro que se projecta para E. contrafortado por cinco cubelos quadrangulares, existindo também, a N. desse muro e a N. da antiga vila medieval, um troço de muralha mais pequeno, apenas com dois cubelos do mesmo tipo do anterior. Barbacã medieval: pequeno muro que contorna o castelo a O. e N. Barbacã manuelina: troços existentes a E., entre os quais se pode encontrar um cubelo quadrangular.
Materiais
Alvenaria irregular de xisto e granito, com vestígios de reboco (surge em várias zonas dos panos de muralha alvenaria de pedra disposta em espinha); alvenaria mista, rebocada, nas estruturas do interior do recinto; alvenaria de taipa na barbacã medieval; silharia de mármore nas zonas de cunhal da torre e emolduramento dos vãos de portas e janelas; vestígios de pavimentos em tijoleira no interior do recinto. Pavimentos dos pisos da torre e interior dos cubelos em tijoleira. Tijolo em enxalços e ombreiras; madeira; vidro; ferro forjado.
Observações
Segundo Trindade (2009), terá sido devido ao processo de residencialização do castelo no século 16 que o núcleo politico-administrativo foi transferido para o exterior da cerca urbana. *1 Esporadicamente a CMP realiza eventos e espectáculos culturais no castelo.