Modelo de roda hidráulica utilizada para irrigação dos campos ou para abastecimento de água a moinhos ou lagares. Frequentes ao longo do rio Nabão *2, elevavam a água por alcatruzes do nível irregular do curso do rio para as suas margens ou conduziam-na represada em açudes para os moinhos e lagares. A roda tem vindo a ser substituída e reconstruída sucessivamente, tendo sido feito um exemplar em 1976 e outro, mais recentemente, em 2011.
Roda de madeira de grande diâmetro, com raios dispostos em torno de um eixo central também em madeira, fixos exteriormente numa roda de três aros, unidos por pás às quais se fixam pares de alcatruzes em barro, cada um deles com uma capacidade de c. de 5 litros. O eixo assenta num suporte ou "burra" de alvenaria, paralela ao curso do rio e rematada por volutas; o canal que conduz a água à roda é vedado, a montante, por grelha de madeira; o remate do suporte à entrada do canal, desse lado, apresenta um talhamar com a parte inferior arredondada.
Materiais
Estrutura em madeira e barro (roda) e alvenaria de pedra rebocada (suporte).
Observações
*1 - O Rio Nabão nasce nos contrafortes da Serra de Sicó, entre as Serras da Lousa e Aire; até à sua confluência com o rio Zêzere percorre 65km; o seu débito, medido na boca da Levada é de c. de 2.000 litros por segundo; ao longo do seu curso cruza várzeas, regadas desde tempos imemoriais por rodas hidráulicas, fechando-se em vales estreitos ou criando rápidos, também desde cedo aproveitados para fazerem mover rodas de azenhas; nestas rodas era utilizada madeira de pinho - pinheiro manso para o suporte (antes de ser feito em alvenaria), pinheiro bravo para a roda - carvalho para o eixo; os alcatruzes podiam ser feitos de barro ou folha. A regularização e aproveitamento das águas do Nabão remontam ao período romano; na zona de Tomar existem notícias históricas da utilização de rodas hidráulicas para alimentar sistemas de rega e de fabrico de farinha e azeite, desde a fundação da vila. *2 - existiam as rodas da Fonte Quente, do Cotrim, do Neves, da Horta da Fábrica,. Da Várzea Pequena, do Mouchão, de Torres Pinhjeor, do Marchante, do Chatinho, do Conde, dos Cedros, da D. Aurélia... (FERREIRA, 23).