Arquitectura religiosa, românica e gótica. Capela rural construída no estilo românico, patente no vocabulário ainda pesado, caso das típicas garras nas bases e na fenestração simples e estreita, possui já soluções protogóticas no tratamento espacial e utilização de alguns elementos formais ou decorativos, caso dos arcos interiores já biselados. Embora os capitéis sejam românicos, têm já elementos em estilo mais avançado; denunciam o modelo típico de finais do séc. 13, muito comuns nas igrejas rurais. Interessante espécime da arte românica - gótica da Estremadura portuguesa. Virgolino Jorge considera-a importante, dada a escassez do estilo românico no S. de Portugal. Este autor julga que alguns capitéis, como o do porco, fazem alusão à vida de São Brás. A dimensão exagerada do 3º tramo faz pensar na perda de um tramo, o que é corroborado pela reposição anterior de uma coluna, com capitel já gótico, adossado no lado Epístola.
Planta longitudinal, de nave única seccionado em 4 tramos desiguais com cobertura (actualmente apenas sobre um tramo) a 2 águas. Fachadas E. e O. terminadas em empena, tendo a O. fresta entaipada. Fachada S. rasgada por 3 frestas, também elas entaipadas. No alçado N. abre-se portal do arco quebrado sobre colunelos com capitel de decoração fitomórfica; 2 frestas e janelão. As escavações arqueológicas puseram a descoberto para E. o prolongamento das paredes do edifício e um piso lajeado. Frente à fachada N. descobriu-se uma estrutura de pedras e argamassa, como um piso, mas que, a certa altura, termina num muro baixo; frente ao portal surgiu um muro perpendicular à fachada; ambos denotando uma construção quandrangular encostada a esta fachada. No interior, os tramos têm arcos plenos biselados sobre colunelos adossados com garras nas bases e capitéis elaborados. Paredes percorridas como que por banco. As escavações puseram a descoberto a base de uma parede que criaria divisão interna e à qual se tinha acesso por portal ogival, de que ainda subsiste colunelo embutido na parede N.
Materiais
Cantaria com aparelho "Mixtum Vittatum".
Observações
O seu abandono deve ter-se iniciado com possíveis pilhagens depois da extinção das Ordens Religiosas, em 1834 agravando-se depois ao longo dos tempos devido ao seu diminuto espaço, localização solitária e existência de uma outra igreja dentro da vila. A construção posterior de uma parede, para aproveitar a parte ainda de pé para lagar, fez com que o antigo interior ficasse, hoje no exterior do edifício. Durante as escavações arqueológicas encontrou-se, para além da cerâmica medieval muito fragmentada, um alfinete de bronze, um pendente metálico e várias moedas, que vão de D. Sancho I (1185 - 1211), D. Manuel I (1495 - 1521) construídas por mealhas, bulhões, dinheiros, reais e ceitis.