Arquitetura religiosa, setecentista. Capela de planta retangular, de volume único composto por nave, construída durante o séc. 16 ou 17, integrada na Quinta do Juncal (v. IPA.00006334), a cuja família pertencia, que se torna alvo de uma profunda devoção popular, tendo adquirido o estatuto de Santuário. A sua simplicidade exterior com pequenas frestas de iluminação, remate em empena truncada por sineira e portal de verga reta, contrasta com a riqueza decorativa interior, aplicada a partir de 1771, com o patrocínio de D. Francisco Mendo Trigoso, bispo de Viseu. Possui silhares de azulejo figurativo a azul e branco, representando episódios da vida de Cristo, com molduras recortadas interiores formadas por rocalhas; estão encimados por altos frisos de cantaria, pontuados por painéis de azulejo recortados, formando as Estações da Via Sacra. Na parede testeira, simples nicho seiscentista, contendo estrutura em cantaria, do mesmo período e integrando altar em embutidos de pedra, talvez do início do séc. 18, de grande qualidade plástica, formado por acantos e cartela com as chagas de Cristo. No arco, as armas do mecenas desta obra de remodelação e lápides alusivas a indulgências papais. Encontra-se sobre afloramentos graníticos com nichos e trono escavados, podendo remeter para um antigo santuário rupestre.
Planta retangular de volume único, composta pela capela e anexo adossado ao lado direito, com cobertura homogénea em telhados de duas águas, rematadas em beiradas duplas. Encontra-se sobre alto embasamento, criando uma plataforma artificial para o edifício, com fachadas em alvenaria rebocada e pintada de branco, com cunhais e socos pintados de cinza. Fachada principal virada a NE., com remate em empena truncada por sineira de volta perfeita com cruz latina no topo; é rasgada por portal de verga reta, encimado por pequeno óculo circular, tendo, no lado direito, porta de verga reta, de acesso à sacristia, ambos os vãos com molduras simples em cantaria. Fachada lateral esquerda com pequena fresta junto à zona do altar-mor. Fachada lateral direita e posterior cegas, esta rematada em empena, sendo o corpo da sacristia, em meia-empena. INTERIOR com as paredes revestidas por silhares de azulejo figurativo azul e branco, encimadas por faixa de cantaria, onde se enquadram medalhões recortados em azulejo, formando painéis rematados por cruzes latinas, formando 13 estações da Via Sacra. Tem cobertura em falsa abóbada de berço, rebocada e pintada, sustentada por cornija de cantaria; pavimento em lajeado. A ladear o portal axial, pia de água benta em cantaria de calcário, adossada à parede e em forma de concha. No lado da Epístola, porta de verga reta, de acesso à sacristia. Sobre supedâneo de um degrau, uma mesa de apoio em cantaria. Na parede testeira, amplo arco de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, de fustes almofadados e fechado por pedra de armas. No interior, estrutura em cantaria de calcário, formando dois apainelados laterais e nicho central, flanqueado por quarteirões, que sustentam cornija de perfil curvo. Na base, mesa de altar em embutidos de pedra, formando elementos vegetalistas, que centram cartela com a representação das cinco chagas de Cristo. Sacristia com painel de azulejo, a representar o "Sermão de Santo António aos peixes". Lavabo com painel de cantaria, contendo bica em forma de florão, que verte para taça com ângulos curvos. Em frente da capela encontra-se um Calvário, composto por três cruzes latinas, de pedra e cravadas na rocha.
Materiais
Estrutura em alvenaria, rebocada e pintada; portas de madeira; pedra de armas, modinaturas, pavimentos, lavabo, pia de água benta em cantaria de calcário; altar em embutidos de pedra; silhares e painéis de azulejo tradicional; cobertura em telha cerâmica.
Observações