Arquitectura religiosa, gótica, manuelina, pombalina. A cabeceira e a cripta são os únicos elementos sobreviventes da construção quatrocentista: a cripta evidencia prováveis influências orientalizantes na ornamentação dos capitéis e mísulas; apresenta afinidades espaciais com a Sinagoga de Tomar (v. PT031418120011), com idêntico tratamento do espaço interno e semelhante sistema acústico (com bilhas dispostas com o bocal para baixo, nos cantos da abóbada); estas características levaram Santos Simões (1949) a atribuir a obra gótica da cripta assim como a da Sinagoga de Tomar e a do Paço dos Condes de Ourém (v. PT031421110001), a artistas do N. de África a trabalhar em Ourém e Tomar. A arca tumular integra-se na corrente do gótico final, dentro do renascimento da escultura Coimbrã que marcou o panorama escultórico português do final do séc. 15, já com influências do estilo manuelino; após a sua atribuição à mão do escultor Diogo Pires o Velho, por Reinaldo dos Santos (1948) a crítica em geral liga-a à oficina do escultor conimbricense ou à oficinas mondeguinas (SEQUEIRA, 1949; ALMEIDA, 1980; DIAS, 1986); apresenta semelhanças com o túmulo de Fernão Teles de Meneses da Igreja de São Marcos de Coimbra (v. PT02060324010), decorado com o mesmo friso de folhagens e flores, e com o túmulo de Leça da Palmeira no modo de preguear as mangas da opa. A igreja evidencia a tipologia pombalina de fachada ladeada por torres sineiras, de pequeno volume, galilé e 3 arcos e frontão triangular.
Planta longitudinal composta por nave rectangular, galilé, torres sineiras, corpos anexos e cabeceira facetada, pentagonal; volumes escalonados com cobertura diferenciada. Fachada principal orientada, de frontão angular, galilé de 3 arcos e torres sineiras sobre corpos laterais recuados. Fachadas laterais de vários panos definidos por arcobotantes. Cabeceira reforçada por esbarros escalonados. INTERIOR: nave e capela-mor abobadadas; sob a cabeceira a cripta de planta quadrangular de 3 naves e de 3 tramos definidas por 6 colunas que suportam a cobertura em abóbada de aresta que nos muros descarrega através de mísulas decoradas de volutas e óvulos; as colunas são de fuste monolítico liso com bases de grandes dimensões constituídas por plinto e escócia quadrangulares sobrepostos de plintos com os ângulos chanfrados e de várias molduras octogonais de perfil vário; os capitéis são quadrangulares em forma de piramide troncada invertida com diferente decoração no coxim e no ábaco, de tipo vegetalista e geométrico. Na nave central, ocupando todo o tramo do meio, sobre soco de 2 degraus, o túmulo de D. Afonso: arca rectangular lavrada, apoiada em 3 sapatas, tendo na tampa a figura do jacente*. No muro fundeiro, defronte para a arca tumular, sobre soco de 2 degraus, uma mesa de altar e uma pintura sobre tela. No 1º tramo da nave direita rasga-se a porta, em arco de volta perfeita, de acesso à escada que conduz à capela-mor " *2.
Materiais
Estruturas: pedra calcária da região, tijolo; Pavimentos: tijoleira de pedra; coberturas: abóbada de tijolo; Revestimentos: estuque caiado.
Observações
*1 - DOF:... Cripta e Túmulo do Marquês de Valença, na Igreja de Vila Velha de Ourém; *2 - do tesouro da igreja fazem parte duas peças de ourivesaria de grande devoção na Vila e arredores: a relíquia do casco da cabeça de Santa Teresa de Ourém, oriunda da povoação, e o relicário com as armas apostas do Marquês de Valença, D. Afonso que o ofereceu à Colegiada.