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Forte de Oitavos

Forte de Oitavos

O ponto de interesse Forte de Oitavos encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Cascais e Estoril no municipio de Cascais e no distrito de Lisboa.

Forte construído na década de 40 do séc. 17, integrado na linha defensiva construída no reinado de D. João IV, quando o conde de Cantanhede era Governador das Armas de Cascais, ponto estratégico da defesa da Barra do Tejo, e reconstruído em finais do séc. 18. A estrutura inicial do forte e as suas dimensões afastam-se da tipologia adotada para maioria dos pequenos fortes costeiros da época da Restauração, conforme revela a sua planta de 1693, atribuída a Mateus do Couto, o que pode indiciar o desempenho de um papel bastante importante ou coordenador na defesa da zona. O forte tem planta poligonal, de cinco lados desiguais, adaptados à topografia do terreno, com guaritas cilíndricas nos ângulos flanqueados, composta por bateria virada a sul, de três faces acompanhando o recorde da arriba, inicialmente com parapeito liso, para disparo à barla, e alojamentos virados a terra, em posição quase central do recinto, retangulares, com cinco dependências de dimensões aproximadas, que serviam de quartel, casa da pólvora, armazéns e cozinha. O portal abre-se a meio da face noroeste, inicialmente antecedido por ponte levadiça sobre o fosso que circundava as muralhas pelo lado de terra tendo, deste mesmo lado, um parapeito exterior, que envolvia o forte e seguia ao longo da falésia, de declive pronunciado. O seu recinto era o maior de todos os fortes erguidos na costa de Cascais, destacando-se a extensão da bateria. Nas obras de 1793 e 1794, terraplanou-se o fosso, a ponte deixa de ter função, fez-se um novo portal, fazendo desaparecer a guarita que o encimava e abriram-se canhoneiras no parapeito da bateria. A zona do portal, em arco, flanqueado por pilares, e encimado por lápide e brasão, avança dos paramentos.

Planta retangular, com as faces viradas ao mar irregulares, adaptado à morfologia do maciço rochoso. Apresenta os paramentos em talude, rebocados e com cunhais em silhares de cantaria, terminados em parapeito liso e, na bateria com merlões e canhoneiras, com guaritas cilíndricas nos ângulos, sobre mísulas escalonadas, rasgadas por frestas de tiro retangulares e com cobertura esférica, sobre cornija. Na face virada a noroeste, a meio, rasga-se portal em arco de volta perfeita, de aduelas em cunha, flanqueado por dois pilares aprumados, que enquadram pano rematado em empena contracurva; sobre o portal existe friso de cantaria, lápide alusiva à fundação do forte e escudo com as armas de Portugal e coroa. No INTERIOR os paramentos são circundados por adarve, sobrelevado sobre o portal e aí assente em mísulas escalonadas, tendo acesso por escada, disposta em ângulo. Quase ao centro do reduto, que é pavimentado a paralelos, ergue-se o quartel e demais dependências, com falsa abóbada de berço e pavimento cerâmico, e existe uma cisterna; a bateria tem pavimento de lajes e, junto às canhoneiras, dispõem-se bocas de fogo. A defesa do forte é reforçada por terra por uma linha de mosqueteria que se estende para oeste, numa extensão apreciável, frente à enseada ali existente.

Materiais

Estrutura em alvenaria de calcário; rebocada; cunhais, pilares, frisos, molduras dos vãos, brasão e outros elementos em cantaria de calcário; pavimentos exteriores em paralelos e lajes de cantaria; portas de madeira e de vidro.

Observações

Inicialmente, era designado por Forte da Cabeça de Oito avos ou baluarte de Oito Ovos, onde existia também uma Vigia, sendo hoje também conhecido por Forte de São Jorge de Oitavos. Nas imediações do forte existiu um outro, designado em alguma documentação por Forte de São Jorge "de Cima", para se distinguir do seu homónimo. Foi fundado no período da Restauração e encontrava-se abandonado no início do séc. 18. É possível que a sua situação topográfica e a proximidade com o Forte de São Jorge "de Baixo" tenha levado à perda do valor militar que inicialmente detinha.