Arquitectura industrial, romana. Forno cerâmico de planta rectangular, irregular, composto por duas câmaras, separadas por grelha perfurada, com fornalha e chaminé, destinado à produção de cerâmica vulgar, nomeadamente, ao fabrico de tegula, imbrex, pondera, cerâmica comum.
Forno composto pela área de aquecimento, enterrada no solo natural, e pela câmara de cozedura, disposta num nível superior. Na área de aquecimento, surge a boca do forno, local de introdução de lenha e regulador da tiragem do ar, em granito, bastante destruída e com pedras colocadas na vertical, deslocadas; segue-se a fornalha, local onde se fazia a fogueira, rectangular, em corredor, apresentando paredes de tijolo inclinadas para o interior, que formariam abóbada e actualmente inexistente, e pavimento composto por grande pedra, horizontalizada, existente em toda a extensão. A fornalha estabelecia a ligação com a câmara de aquecimento, disposta no seu alinhamento, de planta trapezoidal, com base maior à entrada e menor ao fundo, ocupada por quatro muretes, rasgados a meio por arcos apontados, formados de fiadas simétricas de aduelas, também de tijolo, sobrepostas horizontalmente, sobre o eixo longitudinal, criando cinco espaços vazios de dimensão irregular. A câmara sustenta uma grelha, de barro cozido, de superfície plana com ligeiro declive para o fundo do forno, perfurada por dez alinhamentos irregulares de orifícios de dimensões e orientação diversa, permitindo a ligação com os espaços vazios da câmara inferior, de onde recebiam o ar quente. Sobre a grelha colocavam-se os produtos para cozer, e aquela era depois rematada por uma abóbada com chaminé, para evacuação dos gases e fumos, da qual só existem vestígios do arranque, ainda sobrelevado na parte posterior em relação ao plano da grelha. A abóbada com a grelha e a chaminé constituía o ""laboratorium", ainda documentado na tradição oral.
Materiais
Boca do forno em granito, arcos, paredes e estrutura da grelha em tijolo e barro cozido; alpendre e guarda de protecção em madeira; cobertura do alpendre em lajes de xisto.
Observações
*1 - Devido à fragilidade da grelha e aos desgastes provocados pela sua utilização, cerca de metade da sua superfície foi refeita com uma camada de barro diferente, ainda com o forno em laboração. *2 - Nas imediações do forno, apareceram numerosos fragmentos de tegula, imbrex e alguns de cerâmica comum. *3 - O modo de funcionamento do forno obedecia aos passos seguintes: 1º - colocação das peças previamente moldadas sobre a grelha; 2º - combustão da lenha colocada na fornalha; 3º após a combustão, e tendo o forno atingido uma temperatura elevada (mais ou menos 1000 graus), todo o conjunto era selado com argila e assim permanecia durante vários dias, até o forno arrefecer; 4º - remoção das argilas de selagem e das peças produzidas, seguindo-se a limpeza do forno para nova produção.