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Igreja de Azurara

Igreja de Azurara

O ponto de interesse Igreja de Azurara encontra-se localizado na freguesia de Azurara no municipio de Vila do Conde e no distrito de Porto.

Arquitetura religiosa, tardo-gótica, manuelina, maneirista e barroca. Igreja paroquial de planta retangular e três naves escalonadas, seguindo, tardiamente, esquemas mendicantes, dividida internamente em cinco tramos, definidos por arcos torais e pilares facetados, com coberturas diferenciadas em tetos de madeira nas naves e em abóbada artesoada na capela-mor, escassamente iluminada por frestas rasgadas nas fachadas laterais. Fachada principal tripartida, revelando a estrutura interna, com o lado esquerdo marcado por torre sineira de dupla ventana, tendo os vãos rasgados em eixo composto por portal de volta perfeita, de decoração manuelina, e por rosácea. Fachadas rematadas em cornija e parapeito com ameias decorativas, as laterais rasgadas por portas travessas. Interior com amplo coro-alto, batistério no lado do Evangelho, capelas laterais de talha barroca. Arco triunfal assente em colunelos manuelinos, ladeado por retábulos colaterais de talha maneirista, de dois registos e três eixos, rematados por tabelas. Capela-mor com supedâneo de degraus centrais, setecentista, com retábulo-mor de talha dourada do estilo barroco nacional, de corpo côncavo e um eixo. Igreja paroquial de construção tardo-gótica, mantendo-se arreigada às estruturas mendicantes, com elementos decorativos manuelinos, visíveis no portal axial, enquadrado por alfiz, ornado por elementos vegetalistas platerescos, encimado por nicho que se liga por elementos fitomórficos à estrutura do pórtico. A porta travessa do Evangelho é, claramente, de construção recente, sendo a oposta em arco abatido, com decoração de friso boleado e colunelos manuelinos. Também no interior a decoração fitomórfica impera nos capitéis, pilares e arcos da nave, estes de arestas biseladas, quinhentistas. A torre sineira é possante, típica de Quinhentos, com três registos, janela de sacada ornada e sineiras duplas em cada face. Na fachada posterior, capela adossada, com mísula e cartela recortada, de feição tardo-seiscentista. Interior com capelas laterais reaproveitando estruturas do estilo barroco nacional, ampliadas no séc. 20, com painéis pintados de inspiração rococó, o do Evangelho mantendo o fundo do nicho estofado, a imitar adamascados. Os retábulos colaterais são maneiristas, de dois pisos, com painéis pintados, os do Evangelho bastante adulterados, possuindo, na base, plintos e painéis de decoração rococó, de talha gorda, típicos do norte do país. Capela-mor com supedâneo ornado nos socos por cartelas e motivos vegetalistas. A cobertura da capela-mor apresenta bocetes decorados com motivos régios manuelinos (escudo, esfera armilar e cruz de Cristo), tendo mísulas profusamente ornadas com motivos vegetalistas. Possui dois painéis de azulejo figurativo joanino e uma porta fingida, sendo percetível, nas fotografias da nave, anteriores ao restauro, a existência de reaproveitamentos azulejares, revelando a existência de maior número de painéis primitivamente. O pavimento da nave, em taburnos e lajeado, possui várias lápides sigladas e sepulcrais, amputadas, sendo visíveis algumas inscrições. Na sacristia, o espaldar do armário reaproveita elementos de talha em branco.

Planta retangular irregular, composta por três naves escalonadas, capela-mor, com capela adossada à fachada posterior, sacristia e torre sineira adossados ao lado esquerdo. Fachadas em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo, exceto na capela posterior, rebocadas e pintadas de branco, percorridas por socos de alvenaria e rematadas em cornija, sendo encimada, nos corpos da nave central e capela-mor, em ameias decorativas, tendo, na base, várias gárgulas de canhão e zoomórficas, em cantaria; a capela-mor possui contrafortes escalonados na fachada posterior. Fachada principal virada a O., com corpo central em empena truncada por pequeno frontão semicircular, parcialmente revestido com placas cerâmicas, assente em cornija, ladeada por consolas e esferas armilares sobre bases troncocónicas. Está dividido em dois registos por friso em toro, o inferior rasgado por portal em arco de volta perfeita, assente em fino colunelo, sobre bases de toros e escócias, com arquivolta boleada, envolvido por arquivolta côncava, ornada por motivos fitomórficos, envolvido por alfiz, flanqueado por pilares torsos, com anel central, encimado por friso fitomórfico, interrompido por acantos. Sobre o friso, pilares retilíneos, encimados por pináculos, de onde evolui friso recortado, que centra nicho, flanqueado por colunas e sobrepujado por baldaquino, ornado por folhagem e, na zona inferior, falsos arcos lobulados. No segundo registo, um óculo circular com molduras múltiplas e pontuado por rosetas. No lado direito, o corpo da nave lateral, em meia-empena e cego. No lado esquerdo e levemente saliente, a torre sineira, com quatro registos separados por cornija, o inferior marcado por pequena fresta, surgindo no segundo, um balcão assente em três mísulas, para onde abre porta de verga reta e moldura simples, encimado por frontão interrompido por volutas e dois escudos, o superior régio e com coroa aberta; no imediato, janela jacente, em capialço, tendo, na face posterior, duas frestas e mostrador do relógio, e, no topo, duas ventanas em cada face, em arcos de volta perfeita. Nos ângulos, pináculos em barrete de clérigo, sobre plintos paralelepipédicos; interior com escadas de caracol, em cantaria de granito. Fachada lateral esquerda com o remate em cornija percorrido por florões, sendo rasgada por três janelas de volta perfeita e porta travessa com o mesmo perfil e moldura escavada; sobre esta, a nave central com quatro janelas de volta perfeita. O corpo da capela-mor possui duas frestas de volta perfeita e corpo da sacristia, adossado e com soco alto e saliente. Fachada lateral direita com quatro janelas na nave colateral e quatro na central, a primeira com porta travessa central, escavada e composta por dupla arquivolta de perfil abatido, assente em dois colunelos, assentes em bases de toros e escócias. O corpo da capela-mor possui dois panos definidos por um contraforte semelhante aos dos ângulos, cada um deles com janela de volta perfeita, a do lado esquerdo de maiores dimensões. A capela posterior está flanqueada por cunhais apilastrados, firmados por pináculos piramidais, com face posterior em empena, rematada por cruz latina sobre esfera, rasgada por janela em arco de volta perfeita, flanqueado por pilastras e orelhas, encimado por coroa envolvido por anjos, e por volutas que centram cruz latina; a estrutura assenta em mísula de acantos. Na base da janela, o escudo português, encimado por coroa aberta e ladeado por silhares de perfil curvo. As faces laterais possuem duas janelas retilíneas sobrepostas. INTERIOR com as naves divididas em cinco tramos definidos por arcos formeiros de arestas biseladas e ornados por aduelas de folhagem, assentes em pilares facetados com capitéis cordiformes e decorados por motivos fitomórficos, com anel central com o mesmo tipo de decoração. As paredes da nave são em cantaria de granito aparente, tendo coberturas de madeira, em masseira e reforçadas por tirantes metálicos na nave central, e de um pano nas laterais; o pavimento é de taburnos na nave central, com réguas de cantaria, e em lajeado nas laterais, pontuadas por fragmentos de sepultura e silhares com inscrições, siglas de vário teor, como estrelas, picão, pontas de diamante. Coro-alto amplo, percorrendo as três naves, assente em arco em asa de cesto central e, nas laterais, em arcos de volta perfeita, todos com arestas boleadas; tem guarda balaustrada de madeira e acesso pela sineira. Nos pilares do coro, surgem pias de água benta concheadas e, a ladear as portas travessas, pias compostas por colunas de fustes lisos e taça hemisférica, estriada e de bordos boleados. No sub-coro, o batistério com acesso por arco de volta perfeita, protegido por teia de madeira torneado, encimada por aro, que envolve o arco e forma como um frontão vazado, ornado por elementos recortados. No interior, a pia batismal, sobre um degrau de pedra e protegida; é em cantaria de granito aparente, composta por fragmento de coluna canelada e torsa, cingida por anel, onde assenta a taça hemisférica, com caneluras em viés, corrida, superiormente, por friso saliente, e tendo escudo com duas chaves em haspa. No lado do Evangelho, nicho de alfaias quadrangular, embutido no muro e protegido por porta de madeira. Adossado ao terceiro pilar do Evangelho, o púlpito quadrangular, de bacia retangular e assente em plinto em balaústre, com guarda plena de talha em branco, com as faces ornadas por cartela de concheados, tendo acesso por escadas em torno do pilar, formando caracol, com guarda metálica em falsos balaústres e coluna de arranque volutada; tem guarda-voz de talha em branco, formando frontão de lanços, ornado por asas de morcego, acantos e, sobre os remates anjos de vulto, os centrais sustentando coroa fechada; possui lambrequins ornados por encanastrados e folha de acanto perlada. Confrontantes, duas capelas retabulares laterais, dedicados a Nossa Senhora da Boa Viagem (Evangelho) e a Santo António (Epístola) *1. Arco triunfal de volta perfeita, com vestígios de assentamento, assente em feixes de colunelos, que se prolongam criando falsas arquivoltas, assentes em altas bases de côncavos e convexos. Está ladeado por capelas retabulares colaterais, dedicadas à Virgem e ao Sagrado Coração de Jesus. Capela-mor com silhares de azulejo figurativo, em bicromia a azul e branco, e cobertura em abóbada polinervada, com bocetes policromados, decorados com escudo, cruz de Cristo e esferas armilares, assentes em mísulas decoradas por elementos fitomórficos. Tem supedâneo em cantaria de granito com degraus centrais e os socos ornados por cartelas, encimado por teia de madeira, em falsos balaústres, encimados por anjos tocheiros. Retábulo-mor de talha dourada, com corpo de planta côncava e de um eixo definido por quatro colunas torsas, duas pilastras e dois quarteirões,que formam mísulas, assentes em consolas e em plintos paralelepipédicos, as quais se prolongam em quatro arquivoltas, duas torsas e ornadas por acantos e querubins, percorridas por aduelas no sentido do raio, a central com cartela e as iniciais "AM", ladeadas por anjos de vulto encarnados. Ao centro, tribuna com trono expositivo, protegida por painel representando a Virgem com o Menino. Altar paralelepipédico decorado por acantos, encimado por banqueta ornada por entrelaçados, onde assenta o sacrário em forma de templete, com colunas torsas, cobertura em falso domo campaniforme e porta ornada por símbolos eucarísticos. No lado do Evangelho, porta de verga reta, de acesso à sacristia, com paredes em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo, pavimento em tijoleira e teto de madeira, assente em mísulas de cantaria. Tem armário de madeira, encimado por falso espaldar de talha em branco, formada por colunas com os fustes ornados por folhagem e o terço inferior marcado, rematando em friso de acantos e pequeno frontão semicircular. Ao centro, moldura ultrasemicircular, decorada por acantos, tendo duas mísulas com imaginária.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito de grão relativamente fino; mísulas, modinaturas, ameias, frisos, cornijas, bacias, sacada, escadas em cantaria de granito; pavimento em lajeado e madeira, sendo em tijoleira na sacristia; coberturas interiores de madeira na nave e sacristia, sendo em cantaria na capela-mor; teias e guardas do púlpito e coro-alto de madeira; armários de madeira; retábulos e espaldar da sacristia em talha; cobertura exterior em telha cerâmica; janelas em vidro simples.

Observações

*1 - nas naves laterais, revestidas a azulejo figurativo reaproveitado, existiam, até à intervenção da DGEMN, capelas retabulares, dedicadas ao Calvário e a Nossa Senhora do Rosário (Evangelho) e Nossa Senhora da Piedade (Epístola), a primeira de talha barroca nacional, envolvido por estrutura oitocentista, sendo a oposta oitocentista.