Casa nobre tardo-gótica, de corpos salientes, com vãos góticos e altas chaminés. Capela de nave única com paramentos altos, empenas muito acentuadas e vãos ogivais, que fazem dela a 1ª de um ciclo tardo-gótico que tem na igreja do Convento de Santiago de Palmela (v. 150802001), de que D. Pedro terá sido mentor e inspirador, uma lógica sucessora (SILVA, 1993). O portal é do mesmo tipo do da Igreja Matriz, tendo inclusivamente o óculo também moldurado a sobrepujá-lo (v. 061011006). Arquitectura civil, agrícola, renascentista. Celeiro do final do séc. 16, com portal clássico e interior de 3 naves com colunas dóricas e arcos redondos. Chaminés tipologicamente distintas, destacadas na fachada principal. Os arcos do piso térreo, as arcadas do pátio e a varanda têm colunas de mármore branco com capitéis de folhas decoradas com motivos importados da Andaluzia. A Capela, de invocação a São Miguel, tinha coro.
Planta longitudinal, composta, irregular. Volumes articulados, disposição horizontal das massas. Coberturas diferenciadas. Paço: volumetria complexa de 2 pisos; fachada principal a N.; vãos em arco quebrado quase equilátero; chaminés destacadas na fachada; fachada S. com varanda alpendrada de 5 colunas com base cinzenta, e capitéis de folhagem. Capela: planta rectangular, composta de nave e capela-mor, mostra paredes de grande altura e empenas muito inclinadas; portal de arco quebrado equilátero, composto de 3 pares de colunas finas com base mas sem capitéis nem impostas, acompanhadas de finas molduras que se prolongam nos arcos; acima pequeno óculo redondo ampliado de molduras. INTERIOR: Espaço diferenciado. Nave com 2 portas travessas simples, de molduras chanfradas; outras 2 portas, mais pequenas ao nível do coro-alto; 2 frestas simples junto ao arco cruzeiro. Este é igualmente ogival, de arestas chanfradas, em volta dobrada. Capela-mor de 3 faces, com uma fresta alta e estreita em cada uma das duas laterais. Celeiro: planta rectangular, longa, porta de topo N. formada por 2 colunas sobrepujadas de 2 colunelos abrigando o brasão ducal; grande janela a S., de vão rectangular e grades. INTERIOR: Espaço dividido em 3 naves de 13 tramos, com colunas dóricas lisas ligadas por arcos de volta perfeita. Quinta: cantarias de interesse designadamente um recanto a E. da capela, mostrando porta de verga recortada em arco conupial rebaixado, de arestas chanfradas e outro, a O. do celeiro, com arco quebrado, simples, chanfrado, numa composição datada de 1948 e articulada com as cantarias antigas; no interior nicho pequeno vazio.
Materiais
Paredes em alvenaria de pedra rebocada e caiada, molduras dos vão em pedra calcária, cobertuta em telha de canudo, pavimento entre pisos em madeira (parcialmente sustituída por betão).
Observações