Arquitectura administrativa, gótica. Padrão de couto que, segundo Mário Guedes Real, demarcava os limites territoriais na área jurisdicional do Mosteiro de Odivelas, com elementos semelhantes ao Arco de Paradela (v. PT 011820010007), em Dalvares, Tarouca, associada a uma Honra. Estrutura em arco apontado, rematado por cruz, e integrando três arcos trilobados assentes em colunas, com capitéis decorados com elementos vegetalistas estilizados. Caracteriza este Memorial, a simplicidade da sua decoração, que se assemelha ao estilo usado nas construções da Ordem de Cister, e que caracteriza também algumas estruturas góticas que se mantêm no Mosteiro de Odivelas. O escudo é posterior à construção do memorial, pois apesar de possuir a bordadura com treze castelos como se usava ainda no séc. 16, tem os escudetes em pé, ordenação mandada executar por D. João II em 1485; contudo, nesta altura, a bordadura já tinha menos castelos. Crê-se, portanto, que o escudo do Memorial de Odivelas é posterior a 1485 e talvez tenha substituído um outro, contemporâneo da estrutura que integra. A estrutura possui pilares exteriores ornados por finos colunelos ornados por palmas estilizadas. As colunas que integram o vão ostentam colunas, duas delas de feitura mais recente, com decoração com folhagem estilizada, composta por acantos e palmetas.
Estrutura construída em calcário liós, em aparelho isódomo, e assente sobre base paralelepipédica, com moldura superior formada por dois sulcos finos. A estrutura abre em amplo arco apontado suportado por impostas salientes, as quais surgem embutidas em dois pilares, seccionando-os, com as arestas exteriores ornadas por duas ordens de finos colunelos adossados, os inferiores ostentando capitéis de folhas estilizadas e espalmadas. O da face SE. possui uma inscrição: "1721 - RTF". A estrutura remata em empena e cornija pouco saliente, assentes em pequenas mísulas que rematam os pilares laterais, ostentando cruz vazada, floreada, composta por quatro semicírculos *2 no vértice. Na face NO., a empena possui escudo real composto por cinco escudetes postos em cruz e bordadura com treze castelos. O arco integra, num registo inferior, três pequenos arcos trilobados, apoiados em quatro pares de colunas lisas com capitéis de decoração vegetalista, que sustentam arquitrave de perfil côncavo. Os capitéis exteriores apresentam folhas de acanto enroladas, formando volumosos cogulhos, tendo os interiores palmetas estilizadas pouco volumosas.
Materiais
Estutura em pedra de liós, proveniente das pedreiras Trigache, em Famões.
Observações
*1 - Zona Especial de Proteção Conjunta dos Mosteiro de Odivelas (v. IPA.00004067), do Memorial de Odivelas (v. IPA.00004813) e da Igreja Paroquial de Odivelas (v. IPA.00006818). *2 - alguns autores atribuem esta cruz, como pertencendo à Ordem de Avis. *3 - também conhecido por Monumento de D. Dinis e designado popularmente como Cruzeiro, a origem e intenção do Memorial de Odivelas continua a ser um enigma; alguns autores defendem que foi construído para comemorar a chegada do corpo de D. Dinis à vista do Mosteiro de Odivelas (1325), onde iria ser sepultado; segundo alguns, terá sido construído para a deposição de D. João I, durante o transporte do corpo para o Mosteiro da Batalha; segundo outros, trata-se de um padrão de couto, demarcando os limites territoriais do Mosteiro.