Arquitectura religiosa, gótica, manuelina, renascentista. Igreja de planta longitudinal de nave única, com estrutura gótica nas capelas laterais, cujas abóbadas denunciam a nova linguagem arquitectónica do resto do monumento. Igreja de transição para o renascimento nos restauros do final do séc. 16 e nos silhares de azulejos de enxaquetado verde e branco. Aspecto escultural da arquitectura do manuelino dado na decoração da cantaria. Segue, de forma genérica, o esquema adoptado em outras igrejas pertencentes à Ordem de Santiago *6. O pórtico manuelino de exuberante decoração. O trabalho de cantaria que aqui aparece é idêntico ao que é dado ver no arco da entrada da capela funerária interior, a do Espírito Santo, do lado do Evangelho (de Garcia Homem) cuja traça é atribuída, com poucas reservas, a Francisco Pires (LEAL, 1992), o que pode revelar terem ambos os trabalhos saídos da mesma mão.
Planta longitudinal, simples, regular, coincidência exterior - interior, com as capelas laterais e a torre adossadas. Massas dispostas na horizontal, ainda que os vãos abertos nas fachadas e a torre imprimam verticalidade à fachada principal. Cobertura diferenciada em telhados de 1, 2, 3, e 4 águas, e em domo de planta quadrangular. Fachada principal orientada a O. de 1 pano entre pilastras, rasgada por portal sobrepujado por janelão gradeado, moldurado, com verga de arco abatido e ladeado por cruz de sagração, embutida no revestimento parietal. Remate em empena de frontão de lanços segmentares, com cornija bem marcada, com cruz no topo. Pórtico da igreja de vão rectangular delimitado por colunas embebidas, simples, de fuste liso, com capitéis e bases lavradas, com ornamentação vegetalista e artificiosa, onde assenta a verga trilobada, chanfrada, de corte singelo. Os arcos prolongam-se, exteriormente, em 3 grinaldas, terminando com motivos naturalistas. No meio do lintel da arcaria, um escudete decorativo, representando uma albarrada com flores *3. Adossada ao frontispício, torre com cunhais de alvenaria, com pequena abertura de iluminação em cada pano, com campanário de 4 vãos moldurados, de arco pleno, de dois pisos marcados por moldura continuada. As restantes fachadas com exiguidade de aberturas, são rematadas à face por empenas simples e beiral de telhados diversos. Fachada a N. com panos descontínuos que correspondem aos volumes adossados; acede-se a pequeno vestíbulo por arco pleno com portão gradeado de ferro, e à igreja pelo seu portal de verga ondulada simples, de pedra talhada grosseiramente. Fachada S. quase idêntica à N. sem portal. Os 2 panos da fachada posterior são cegos. INTERIOR: espaço único e iluminação dada pelos vãos já descritos; nave com revestimento de silhares de azulejos do tipo enxaquetado, verdes e brancos, vendo-se, em ambas os flancos, pequenas cruzes embutidas no revestimento parietal. No flanco esquerdo, púlpito sextavado, adossado à parede, com encosto de madeira, com escada interior *2; portal manuelino de verga ondeada simples. Anexas ao corpo da igreja, transversalmente, 2 capelas laterais, profundas, a do flanco esquerdo com arco de colunas simples, com capitéis e bases lavrados; paredes de alvenaria, com silhares de azulejos, janela com vidraça e altar azulejado, chão lajeado com pedra de lioz, com uma imagem de vulto em madeira, de Santa Marta; a do flanco direito, com arco pleno simples, de alvenaria. Ambas com abóbadas de cruzaria, com nervuras saindo de mísulas de arranque, trabalhadas e firmadas por bocetes de motivos fitomórficos. Não há separação entre nave e capela-mor. Altar-mor com azulejos. À entrada, à esquerda, abre-se o baptistério em arco pleno simples, com pia baptismal em pedra, poligonada. Coro-alto em madeira. Tecto de madeira de perfil trapezoidal. Sacristia revestida a azulejos, com lavatório lavrado.
Materiais
Alvenaria mista de pedra, barro e cal, cantaria, madeira, telha.
Observações
*1 - Está colocado do lado oposto ao que ocupou primitivamente, sem que se saiba o motivo da troca; *2 - O seu significado dever-se-á prender com o simbolismo mariano, representando uma indicação da consagração do templo à Virgem; *3 - A fundação atribuída a Paulo da Gama (falecido em 1499), irmão de Vasco da Gama, que faz parte do imaginário barreirense, não está historicamente confirmada; foi afirmada (SILVA, 1963), mas sem que o autor tivesse mencionado a fonte histórica, devendo querer referir-se, provavelmente ao extinto Convento de Palhais (LEAL, 1992); teria sido erguida devido, unicamente à vontade dos moradores do lugar, e não à de um patrono fundador (IANTT, Convento de Santiago, B50-17); *4 - Tal como a maioria das igrejas espatárias a população local ter-se-ia colectado para a edificar, sabendo-se que foi referenciada uma única excepção, nas freguesias que formam actualmente o concelho do Barreiro (ainda que não tenha sido identificada).