Arquitectura religiosa, civil e militar, gótica, manuelina, mudejar, renascentista, contemporânea. Edifício complexo composto por 3 edificações distintas que se interpenetraram ao longo do tempo: Paço acastelado gótico ampliado na centúria de Quinhentos que lhe conferiu o prospecto actual renascentista e mudejar; Igreja-fortaleza gótica e manuelina, de nave única de grande altura e largo transepto e cabeceira pouco profunda; dependências conventuais renascentistas e mudejares. A intervenção de adaptação a Pousada optou por soluções assumidamente contemporâneas, reestruturando radicalmente algumas zonas e construindo outras de raiz; mobiliário de características minimalistas. Conjuga três edificações de tipologias diferenciadas, constituindo o núcleo primitivo, gótico, uma casa forte ou paço acastelado, junto a uma igreja-fortaleza, a que se adossaram instalações monacais quinhentistas. Paralelismos com a capela-fortaleza do Santuário de Nossa Senhora da Assunção da Boa Nova no Alandroal (v. PT040701050002). Estabelecimento de hotelaria inserido na rede Pousadas de Portugal, integrado no grupo das Pousadas Design Histórico.
Planta composta pelo Paço acastelado (ou casa-forte), pela igreja de Santa Maria e pelas dependências conventuais. PAÇO *2: constituído por três torres que se dispõem na fachada principal, virada a S., direccionadas e escalonadas de E. para O.; a entrada far-se-ia pela face O. da torre mais baixa, através de porta sobrelevada, de arco quebrado, guardada por matacães; portas e janelas de verga recta e moldura lavrada com sulcos paralelos e vãos com arco conopial; a torre O. e a torre do meio apresentam, nos pisos superiores, respectivamente cozinha e lareira junto a janela mainelada; a N. entrada, antecedida de escada, a rodear a torre O., dando acesso a enorme sala, primitivamente bicompartimentada; possuía caixa de ar no pavimento de tijoleira e é actualmente a sala de jantar da pousada. IGREJA: planta longitudinal composta por nave, transepto saliente, sacristia. Na fachada principal pórtico de acesso; um alto alpendre antecede um corredor que se abre em arco de asa de cesto, moldurado a cantaria, e termina na porta renascentista que antecede uma zona de passagem; a partir daqui acede-se ao claustro, para N., à nave da igreja, para E., e ao prolongamento da nave para O.. Interior: cobertura em abóbada de berço quebrado a grande altura, completamente reconstruída em pedra aparelhada; na nave o túmulo do fundador D. Frei Alvaro Gonçalves Pereira e na parede N. vão em arco abatido que comunica com o claustro; mais para E., uma janela em arco quebrado dá para a sala dita do velório com abóbada manuelina e porta em arco abatido a comunicar com o claustro. No transepto três arcosólios de arco quebrado, vazios, em cada braço; no braço S. uma porta em arco quebrado dá acesso à sacristia, com abóbada achatada, estrelada; no braço N. um vão em arco abatido dá acesso a uma sala abobadada; desta acede-se, para N., ao vestíbulo da chamada Porta do Cavalo (entrada E.); esta entrada comunica, para N., com o que se supõe ter sido um antigo celeiro, e para O., com as cavalariças, rodeando o claustro, e em cujo piso superior funcionava o antigo dormitório); da sacristia acede-se, através de escadas, a duas salas sobre o corredor da entrada principal, com janela e fresta também para essa entrada e uma porta que dá acesso ao coro da igreja, sobre a nave. CLAUSTRO: de planta quadrada com, acesso principal a S.; galerias cobertas por abóbadas nervuradas, achatadas, de quatro tramos incluindo o dos cantos; os arcos torais e formeiros apoiam-se nos oito pilares que estruturam o claustro, sendo de secção rectangular na base e pentagonal no prolongamento, após zona de molduração; os arcos formeiros, de granito, que abrem para o jardim, são em asa de cesto, apoiando-se em colunelos de mármore com fuste liso e base e capitel moldurados ao gosto mudejar; na ala O. corredor, de arcos redondos nos topos, dando acesso à sala do capítulo com dois janelões de arco redondo a O., porta de arco quebrado a S., comunicando com a torre central da frontaria do paço e tecto de abóbada nervurada, achatada; portal manuelino, em arco conopial, que dá acesso a uma antecâmara do refeitório, a O., uma pequena sala a S. que comunica também com o refeitório, uma escada para o piso superior, a N., e também, para N., uma porta em arco românico com molduração manuelina que dá acesso a uma pequena sala que antecede a antiga cozinha do projectado mosteiro, hoje recepção da Pousada, com porta, a N., para a cisterna; no exterior, esta cisterna está guardada por corpo defensivo com matacães; o refeitório é uma ampla sala iluminada por três altos janelões em arco redondo com um tecto de abóbada nervurada, achatada, suportada por três colunas torsas*3.
Materiais
Ganito, tijolo, cal, areia, madeira e telha.
Observações
*1 - DOF...compreendendo o túmulo de D. Álvaro Gonçalves Pereira; *2 - o Paço é tradicionalmete denominado de Quartos ou aposentos de D. Nuno; *3 - há interpretações destes espaços que vocacionam a sala que chamámos do capítulo para refeitório e vice versa, pela maior dignidade arquitectónica da sala N.. pensamos que a presença da cozinha no topo N. desta ala fundamenta melhor a nossa leitura; o primitivo paço possuía um claustro com um piso superior a que se acedia através de estrutura de madeira.