Ponte de construção medieval reconstruída na década de 1770, sobretudo a nível dos arcos centrais, que deixaram de ter impostas e passaram a assentar diretamente no afloramento rochoso. É notória a diferença entre a construção dos arcos das extremidades e os arcos centrais, pois os primeiros denotam ainda um medievalismo acentuado de característica românica, com aduelas mais toscas. Os talha-mares centrais, quer a montante quer a jusante, são triangulares, sem escalonamento, enquanto os das extremidades são escalonados, à maneira medieval. O tabuleiro foi reconstruído e os pináculos do arranque são setecentistas.
Ponte de tabuleiro em cavalete, orientado no sentido E. - O., assente em cinco arcos de volta perfeita, de diferentes dimensões. Os paramentos são, no geral, em aparelho regular, de fiadas pseudo-isódomas, e irregular nas fiadas superiores, revelando os seus sucessivos arranjos. Os três arcos centrais apresentam uma maior amplitude de vão enquanto os dispostos junto às margens são de menores dimensões, possuindo aduelas mais ou menos regulares e, no intradorso dos arcos, sobretudo dos centrais, uma série de agulheiros para encaixe das vigas dos cimbros. Entre os arcos surgem quatro talha-mares altos, tringulares, a montante e a jusante, tendo os dois que se encontram mais próximo da margem esquerda, a montante e a jusante, um remate escalonado. Os pegões são cegos. O tabuleiro tem pavimento alterado, já sem qualquer laje, sendo constituído por paralelos de granito. Possui guardas constituídas por muretes de alvenaria de xisto, capeadas por silhares graníticos. As extremidades da ponte alargam em curva para ambos os lados, possuindo no arranque das guardas plintos paralelepipédicos, compostos por vários silhares, coroados por pináculos tipo pera. Um dos plintos integra na face interna registo de azulejos policromos com representação de São João, devidamente identificado por inscrição.
Materiais
Estrutura em silhares graníticos; plintos e pináculos em cantaria de granito; guardas do tabuleiro em alvenaria de xisto; pavimento em paralelos graníticos.
Observações
*1 - O contrato de arrematação da obra de reconstrução da ponte estipulava as seguintes condições: 1) os arcos e os talha-mares, tudo até ao pavimento, em que recebe as guardas, deviam ser de alvenaria assentes em cal, capas de cantaria, macho e fêmea, levando seu corpo de cantaria com pedra caleada; 2) a parte do corpo da ponte seria de cantaria e cal a todo o crescer e a calçada dos dois cais de entrada e saída seria de parede grossa assentada em cal pela parte de fora e os vãos de dentro, chão de alvenaria, todo o corpo caleado mesmo entrando para a mesma calçada, mesmo as pedras grandes que levam as paredes nas frestas do cais; 3) a obra seria feita no prazo de um ano e meio e começaria logo na altura do primeiro pagamento, sendo os pagamentos feitos em três prestações.