Arquitectura residencial, maneirista barroca e revivalista. Palácio urbano, de planta rectangular irregular resultante de 2 campanhas de obras e com 2 fachadas revelando uma linguagem decorativa diferente: uma linguagem clássica na fachada lateral N. e um neomanuelino revivalista no frontispício *1. A talha do retábulo da capela é barroca, do "estilo nacional". As pinturas decorativas no interior foram executadas pelo pintor vianense João Baptista Rio e os trabalhos de estuque, com algum interesse, são também de artistas locais. Interessantíssimo palácio urbano pelas suas próprias características mas sobretudo, pelo carácter revivalista de finais do séc. 17 que denotarmos numa das suas fachadas.
Palácio de planta rectangular irregular, composta por vários corpos na fachada posterior, onde é mais elevado, e tendo pátio interior no ângulo das 2 fachadas principais, uma delas integrando num dos extremos capela sensivelmente avançada. Fachada principal com embasamento de aparelho almofadado e coroada por merlões chanfrados; fenestração simétrica no ritmo ab cd ee dc ba, em que o a corresponde a janela emoldurada ligada a outra de sacada sobre modilhões, de arco bilobado, ladeada por colunelo e encimada por cornija; b - larga porta ladeada por colunelo torso, capitel decorado e rematado em coruchéu de folhas, arco sobrepujado por vários elementos decorativos e encimada por janela com decoração igual à anterior; c - pequena janela ligada a janela de sacada, de arco bilobado e enquadrada por estrutura fortemente esculpida; d - janela simples encimada por uma outra igual à da letra b; e - porta com verga recta sobre colunelo, ligando-se a janela de sacada igual à da letra a. Entre esta e a janela seguinte, brasão em elmo e largo paquife. Fachada secundária com larga cornija e de fenestração também simétrica num ritmo ab cb ab, correspondendo a: a janela de guilhotina emoldurada e ligada a janela de sacada sobre modilhões e com frontão triangular; b - pequena janela emoldurada e ligada a janela com bandeira alta e frontão triangular; c - porta simples ligada a janela de sacada sobre modilhões e com frontão interrompido. No extremo esquerdo, capela com cunhais de aparelho almofadado e pórtico de verga recta entre pilastras apoiando frontão interrompido por brasão esquartelado, elmo e paquife; ladeiam-no 2 cartelas recortados com inscrição. Sobre a cornija, frontão contracurvado, enquadrando janela e ladeado por pináculos. Interior com coro-alto e retábulo de talha dourada. Pátio interior com escadaria de pedra e alpendre sobre colunata dando acesso ao andar nobre, onde as salas são decoradas com pinturas e trabalhos de estuque, de motivos geométricos, naturalistas e figurativos.
Materiais
Alvenaria rebocada e cantaria granítica, ferro nas balaustradas; estuque e pinturas na decoração; talha no retábulo; lajes e madeira no pavimento e telha na cobertura.
Observações
*1 - Do palácio manuelino iniciado na 2ª década do séc. 16 pouco sabemos, no entanto é notório que as obras que o Engenheiro Militar Manuel Pinto Vila Lobos procedeu nos finais do séc. 17 não se limitaram apenas à regularização e decoração da fachada N. De facto, a grande simetria da fachada poente e até um certo barroquismo decorativo do que se considera manuelino faz-nos acreditar aqui numa forte intervenção, deslocando para esta fachada janelas e portas manuelinas de outros lados ou, mais provavelmente ( e até porque se torna impossível distinguir o original do refeito ) criando-se-as de novo para cômpor a fachada no ritmo pretendido. Se assim for, estaremos frente a um revivalismo estilístico.