Casa nobre composta por torre medieval, de planta quadrada e 3 pisos, reformada na época moderna, e ala residencial rectangular e de 2 registos. A torre, ainda que com reformas modernas, apresenta a tipologia do que serão as mais antigas residências fortificadas medievais sendo a sua situação também uma implantação tipicamente baixo-medieval, na orla de um pequeno núcleo rural, junto a áreas agricultáveis. Este tipo de residência incluia torre, anexos residenciais adossados, de planta rectangular e com dois pisos, onde se situaria a sala e a "zona privada da residência", e capela privada. O espaço de cada um dos pisos da torre corresponderia a um espaço único e indiviso (BARROCA, 1989), tal como acontece neste caso.
Planta composta por torre quadrangular e ala rectangular adossado para E.. Construções de carácter agrícola adossam-se ao pano S. da torre. A cobertura é diferenciada em telhado de quatro águas na torre, de três águas na ala e de uma água sobre o que resta das construções agrícolas. A torre organiza-se em três registos e a ala em dois registos. O aparelho é em silhares de granito esquadrados apenas nos cunhais e vãos. A torre apresenta em alguns pontos aparelho em alvenaria de granito e é rematada por cornija. Alçado S.: pano do edifício com três vãos rectos de acesso às lojas inferiores. No 2º registo, três janelas e porta sobre a porta central do registo inferior. Os vãos de acesso receberam portada de duas folhas em madeira, duas janelas caixilharia metálica envidraçada, a janela junto ao cunhal SE. portada em madeira. No extremo O. deste corpo, abre-se escadaria granítica, ornada ainda com voluta no arranque, que termina em pequeno pátio que antecede o vão de entrada principal rasgado no 2º registo. Neste pátio, a O., ergue-se espigueiro tosco em madeira e cobertura em telha. A torre apresenta deste lado porta no 2º registo com vão recto encimado por arco de descarga hoje sem serventia. Daí até ao topo o pano é cego. O 1º registo da torre é deste lado escondido pelas construções agrícolas adossadas. Alçado O.: pano de edifício de apoio à actividade agrícola arruinado em parte, pano da torre com vão junto ao solo, encontrando-se a padieira a escassos centímetros da superfície de circulação actual. Janela de lançamento horizontal com gradeamento férreo no 1º registo e duas janelas de vão recto respectivamente no 2º e 3º registos. Alçado N.: pano da torre com vão de acesso no 1º registo e duas janelas respectivamente no 2º e 3º registos. Todos receberam portada em madeira de duas folhas. Segue-se pano da ala residencial, parcialmente encoberto por vegetação arbórea. Um vão de acesso no 1º registo foi entaipado e rasgam-se três vãos de acesso no 2º registo com portadas em madeira de duas folhas. Uma escada lateral rústica serve o vão central. Interior: o segundo registo, o andar nobre, organiza-se em três divisões contíguas. Uma a O., de planta quadrangular, correspondendo à torre, e duas a E., rectangulares, ocupando toda a área do edifício. Os soalhos são em madeira, as paredes não rebocadas. As janelas da torre apresentam conversadeiras. A escada de acesso aos vários registos no interior da torre é em granito.
Materiais
Granito, telha, madeira, vidro.
Observações
Segundo o P.e Carvalho da Costa, que designa a torre como Torre e Paço de Vila Verde, o alto de um monte sobranceiro conserva o nome da tia do fundador da casa, Elvira, que se teria recolhido na serra com outras companheiras aquando de uma peste, já viúva, vivendo "em forma de Religião" (COSTA, 1868). Localmente a torre é conhecida por torre de D.ª Elvira sendo tradição que a sua proprietária teria fundado o que seria um eremitério no monte sobranceiro à sede de freguesia que hoje se designa Chã de Dª Elvira. *1 - D. João de Aboim teria, segundo o autor, construído a Torre na quinta que lhe havia sido doada em 1260 por D. Frei Afonso Pires Farinha, Prior do Crato, e seria sobrinho de Dª Elvira, mulher de Lourenço Mendes de Gondar (COSTA, 1868). ( 2 ) - Os proprietários mantêm em boas condições as coberturas procurando obstar à ruína.