Espaço verde de recreio. Jardim de caracterização estilística romântica. Espaço murado constituído por vegetação ornamental disposta no sentido de criar ambientes agradáveis e acompanhada de elementos construídos, como bancos, canteiros, estátuas ou peças de água. Caracterização romântica patente na composição naturalizada, no contraste claro-escuro produzido pela vegetação, nos caminhos sinuosos, na utilização de espécies exóticas e na criação de lugares pitorescos ou intimistas com tanques, lagos, coretos. O jardim estabelece com o palácio uma relação de continuidade prolongando a sua gramática romãntica e reflectindo muitas das atitudes de concepção do jardim português. Apesar da sua inserção na malha urbana, o jardim permite uma vivência de privacidade e fruição dos ambiêntes que encerra por se encontrar a cota mais elevada e protegidopela vegetação. A disponibilidade de água no jardim permite uma estruturação dela decorrente que se mantém perceptivel. Mantêm também em bom estado as espécies exóticas utilizadas, características da época e os elementos arquitectónicos em ferro.
Propriedade de planta aproximadamente rectangular limitada por muro e gradeamento. Portão principal no extremo NO. da propriedade iniciando caminho de entrada que se prolonga até ao extremo SO. Estruturada em três patamares sobreelevados em relação à rua e suportados pelo muro que limita a proriedade paralelamente à rua. Patamar fronteiro ao edifício (IPA.00005597) estruturado por caminhos sinuosos que limitam canteiros rematados a blocos de calcário. Ao meio deste patamar, lago artificial com coreto de ferro ao meio acessível por três pontes levadiças. Próximo do lago, elemento arquitectónico semelhante ao coreto, também em ferro, constituído por banco em redor do suporte da cobertura circular. A E. tanque circular com repucho central. Aproximadamente ao meio do muro, acesso por porta que acede por escada a um pequeno pavilhão com passagem para a rua. Este pavilhão é constituído um corpo cilindrico com três janelas de volta perfeita e outro paralelipipédico com três janelas em cada lado maior e uma no lado menor, também de volta perfeita. O interior é revestido a azulejo branco rematado com motivo amarelo e azul em forma de "s". O patamar intermédio é composto pelo palácio e pelas áreas laterais do mesmo. A E. zona de estadia, acessível por escadaria de cinco degraus rasgada no muro de suporte, onde se dispôem dez bancos de pedra cinco maiores e cinco mais pequenos, dipostos dois a dois e acompanhando a forma côncava do canteiro posterior. Em zona recuada da fachada do palácio estabelece-se pequeno pátio para estadia gradeado a ferro com pavimento em calçada e canteiro ao centro. Este pátio continua pela fachada principal e lateral O. do edifício. A O. do edifício zona de canteiros irregulares acompanhando as formas do patamar inferior. Junto ao caminho que separa o patamar superior, peça de água de forma rectangular constituída por tanque central circular com repuxo, rodeado por ilhota oval que define novo plano de água coma mesma forma. Esta construção é em pedra irregular de aspecto naturalizado e revestida com hera. A sua alimentação faz-se por bica ligada por baixo do caminho a S. à mina com acesso do outro lado do mesmo. Para E. estende-se pérgula sobre bancos intercalados com canteiros que continua paralela ao caminho de entrada. Voltada ao caminho que separa o patamar inferior, construcção de forma quadrangular, limitada a N., E. e O. por canteiros preenchidos com fetos. A N.os canteiros são rasgados por passagem. A S. o limite é um muro onde se insere uma fonte de aspecto naturalizado ladeada por escadarias de cinco degraus. Ao centro desta construção, entre a fonte e a entrada, escadaria circular de quatro degraus. O Patamar superior é inclinado até ao muro, revestido com rosas-de-santa-teresinha, e acompanhado por caminhos rectos que o contornam. É dividido por caminho perpendicular ao centro da fachada do palácio. Junto ao muro S., alinhamento de castanheiros. O solo é revestido por relvado conde se insere uma plantação regular de alecrins.
Materiais
INERTES: calçada de vidraço; ferro, grevilha branca, grevilha rosa .VEGETAL: árvores - bunya bunya (Araucaria bidwilli), palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis), castanheiro (Aesculus hippocastanus), palmeira-das-vassouras (Chamaerops humilis), jacarandá (Jacaranda mimosifolia), romanseira de jardim (Punica granatum); arbustos - alecrim (Rosmarinus officinalis), árvore-do-incenso (Pittosporum undulatum), loendro (Nerium oleander), murta (Myrtus communis), ,; herbáceas - asparagus ornamental, begonia (Begonia semperflorens), clivia (Clivia miniata), clorofito (Chlorophitum capense), euonimus (euonymus japonica),hebe (Hebe speciosa), ophiopogon japonicus, primula polyanta, vinca (Vinca minor), viola odorata; trepadeiras - hedera helix (hera).
Observações
*1 - DOF: Quinta das Campainhas / Beau-Séjour, incluindo a casa, jardins fronteiros e parte da quinta até à curva de nível de 80 m, à estrada de Benfica, nºs 368 - 372. Na altura de construção da quinta foram os encantos e as qualidades naturais do lugar, aleados à localização no enfiamento da Estrada Real para Sintra, que era um dos locais de veraneio mais desejado da época; O nome "Quinta das Campainhas" deve-se ao tilintar das campainhas de porcelana que adornavam o coreto do jardim.