Mosteiro beneditino fundado no séc. 11, de que não restam estruturas, salvo alguns silhares com inscrições ou elementos decorativos, totalmente reconstruído ao longo dos séc. 17 e séc. 18 e alvo de obras mais recentes, no séc. 20, de adaptação a unidade hoteleira, usufruindo da implantação privilegiada, na margem do rio Douro. É composto por vários corpos desenvolvidos de forma irregular, com igreja retangular e zona regral, em torno de pequeno claustro, dispostos no enfiamento do lado esquerdo da igreja, surgindo o corpo da hospedaria perpendicular à fachada principal, mantendo ampla cerca, que se estende até e ao longo do rio Douro. Igreja de estrutura simples, tendo em consideração outros conjuntos monásticos desta Ordem, composta por nave e capela-mor, transepto inscrito e apenas percetível no interior, e capela-mor, com sacristia adossada ao lado esquerdo, antecedida por ante-sacristia e uma torre sineira saliente, com coberturas interiores em abóbadas de berço, iluminada unilateralmente por amplos janelões protegidos interiormente por sanefas de talha, a que correspondem janelas falsas na face virada a norte, denotando uma forte tendência para a simetria. Fachada principal com estrutura maneirista, rematada em frontão e com três eixos de vãos e nichos com os santos da Ordem e o orago do templo. Interior com coro-alto amplo, assente em arco abatido, contendo cadeiral em U, de talha ostentando decoração tardo-barroca, prolongando-se em duas tribunas, uma delas com um órgão (Evangelho) e outra com estrutura retabular. Confrontantes, as capelas laterais com retábulos de talha tardo-barroca e dois púlpitos, tendo o presbitério e capelas protegidas por teia de madeira. Capela-mor muito profunda, tendo, sobre supedâneo de degraus centrais, o retábulo-mor de talha rococó. Sacristia com arcaz de madeira acharoada, de "chinoiserie" e simples lavabo. A zona regral é bastante irregular, vivendo de uma sucessão de corpos articulados, num eixo que se desenvolve para oriente, tendo a zona mais regular em torno de claustro de dois pisos, tendo arcadas abertas no inferior e janelas de varandim no superior; ao centro, chafariz do tipo centralizado. As escadas regrais acedem ao segundo piso com alas e corredores com tetos de madeira. A hospedaria desenvolve-se de forma simétrica, apresentando uma estrutura de final do séc. 18 e reformada pelo proprietário após a extinção, colocando-lhe a sua pedra de armas. A cerca possui várias casas de apoio rural, moinhos, latadas e uma fonte de aparato junto à hospedaria.
Planta poligonal irregular, desenvolvendo-se em eixo de oriente para ocidente, composta por igreja, hospedaria e dependências monacais. IGREJA de planta retangular composta por nave, transepto inscrito, apenas visível no interior, e capela-mor, tendo adossados torre sineira e sacristia no lado direito e batistério no lado oposto, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, sendo em coruchéu piramidal na sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por socos de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados, firmados por pináculos, e rematadas em frisos e cornijas; as empenas, alteadas relativamente às coberturas e capeadas, ostentam cruzes latinas. Fachada principal virada a ocidente rematada em frontão triangular, com cruz latina no topo, com tímpano marcado por falso óculo circular, ladeado por apainelados de cantaria em losango. É rasgada por portal de verga reta e moldura recortada, rematado por frontão de lanços, ladeado por dois postigos retilíneos e com molduras recortados; sobre um friso que secciona a fachada, surgem três nichos em abóbada de concha, tendo aventais sob o friso, contendo imaginária e encimados por janelas retilíneas em capialço. No lado direito, a torre sineira de três registos definidos por frisos e cornijas, o inferior com janela na face ocidental e porta e janela na norte. O segundo registo possui janela e, no topo, quatro sineiras de volta perfeita e assentes em impostas salientes. A estrutura remata em frisos, cornijas e pináculos de bola nos ângulos. Fachada lateral esquerda rasgada por janela a marcar o topo do transepto. Fachada lateral direita com duas janelas no corpo da nave e dois no da capela-mor, surgindo, ainda, uma pequena luneta a marcar o coro-alto e uma segunda a marcar o transepto. Fachada posterior rematada em empena cega. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, rematadas por frisos e cornijas de cantaria, onde assentam as abóbadas de berço, rebocadas e pintadas de branco, a da capela-mor com vestígios de pinturas murais, e, sobre o coro, uma abóbada de lunetas. As janelas do lado do Evangelho são falsas e todas possuem molduras e sanefas de talha pintada e dourada. Pavimento em tijoleira, com réguas em cantaria de granito. Coro-alto em cantaria de granito sobre três arcos em asa de cesto, formando dois tramos; prolonga-se lateralmente em duas tribunas de cantaria, assentes em modilhões, com guardas de madeira balaustrada; tem acesso por porta de verga reta no lado da Epístola, a partir da zona regral, tendo uma falsa no lado oposto. Possui cadeiral em U, de 24 cadeiras e, ao centro, a do abade, de madeira, encimadas por espaldar de talha pintada e dourada. Confrontantes, nas tribunas, órgão no lado do Evangelho e capela retabular no lado da Epístola. O portal axial está protegido por guarda-vento de talha pintada e dourada. Confrontantes, enormes pias de água benta embutidas no muro, concheadas. Surgem, ainda, quatro vãos, dois retilíneos e dois de volta perfeita de acesso a dependências, ao batistério e a confessionários, bem como uma porta de ligação à zona regral. O Batistério está protegido por teia de madeira com aplicações douradas, contendo pia batismal composta por pequena coluna e taça hemisférica, com decoração geométrica incisa. Confrontantes e sob as tribunas, dois vãos de volta perfeita, onde se integram as capelas de São Bento (Evangelho) e da Sagrada Família (Epístola), esta composta por simples altar paralelepipédico e peanha. As capelas laterais da nave estão protegidas por teia, que fecha junto ao cruzeiro, de balaústres em talha em branco e pequenos apontamentos dourados. As capelas estão à face, envolvidas por arcos de volta perfeita, sobrepujados por sanefas de talha pintada e dourada. As do Evangelho são dedicadas ao Imaculado Coração de Maria e ao Sagrado Coração de Jesus, sendo as opostas dedicadas ao Senhor da Cana Verde e ao Crucificado. Ainda confrontantes, dois púlpitos de talha pintada e dourada, gémeos, com bacias quadrangulares, assentes em mísulas ornadas por acantos e enrolamentos, com guardas galbadas, decoradas por apainelados, e acessos por portas retilínes encimadas por apainelados e sanefas compostas por cornijas, lambrequins e frontões de lanços, com decoração vazada. O transepto, inscrito, é marcado por amplos arcos de volta perfeita. Arco triunfal em cantaria de granito, de volta perfeita, assente em pilastras toscanas e encimado por frontão de lanços, o central ostentando cartela com as insígnias da Ordem. Capela-mor protegida por teia de madeira semelhante à da nave, marcada por alto supedâneo de três degraus centrais, ficando junto aos maciços dois assentos de celebrantes de talha em branco. No topo, a mesa de altar sobre dois degraus de cantaria. Na parede testeira, o retábulo-mor, de talha pintada de marmoreados fingidos e dourada, de corpo côncavo e três eixos definidos por quatro colunas coríntias assentes em duas ordens de plintos paralelepipédicos. Ao centro, tribuna de perfil lobulado, de moldura simples e contendo trono expositivo, com baldaquino no topo, onde surgem vários anjos tocheiros. Sob a tribuna, nicho de volta perfeita assente em pilastras, contendo a imagem do orago. Os eixos laterais possuem nichos em volta perfeita e molduras salientes, rematados por acantos, contendo imaginária. A estrutura remata em frisos e cornijas, encimadas por anjos, fragmentos de frontão, enquadrados por duas arquivoltas decoradas com elementos geométricos, que centram espaldar recortado e decorado por enrolamentos e cartelas, contendo a representação do "Agnus Dei". Sob o nicho do orago, porta de acesso à tribuna. No lado da Epístola, porta de acesso à sacristia, com lavabo, arcaz e armário de cálices e amitos de madeira pintada em "chinoiserie". A HOSPEDARIA desenvolve-se paralelamente ao terreiro da igreja e liga à ala ocidental do claustro, de planta retangular simples e cobertura homogénea em telhado de três águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, rematadas em cornijas, evoluindo em um e dois pisos, adaptando-se ao declive do terreno. Fachada principal virada a norte, com acesso pelo terreiro da igreja, rasgada por nove frestas, uma janela em arco abatido e o portal da Portaria, em arco abatido e moldura recortada, rematado por frontão interrompido pela pedra de armas do Visconde de Alpendurada e por urnas. Fachada lateral direita com uma janela. Fachada posterior dividida em quatro panos, o do lado esquerdo com dois níveis de janelas retilíneas, sucedendo-se um revestido a cantaria, com escadaria de acesso e alpendre de duas arcadas, de acesso à hospedaria propriamente dita. O imediato possui porta e janela no piso inferior e três janelas de peitoril no segundo. O pano do extremo direito é o maior, marcado por um eixo central, com ampla janela regral, ladeados por uma sucessão de 10 janelas em cada piso, alternando entre janelas de peitoril e de sacada. ZONA REGRAL desenvolve-se em torno de claustro retangular de dois pisos, o inferior formado por arcadas de volta perfeita, assentes em colunas toscanas e abertos diretamente para a quadra. O piso superior possui janelas de sacada retilíneas com bandeiras. A quadra, pavimentada a lajeado, possui quatro canteiros recortados, que centram chafariz em cantaria de granito, composto por tanque circular e obelisco central, ornados por animais marinhos. As alas inferiores possuem silhares de azulejo de padrão azul e branco e pavimentos em lajeado de granito. A área prolonga-se para oriente, com vários corpos, de fachadas rebocadas ou revestidas a cantaria de granito, alguns corpos com terraços, permitindo a visualização do rio, evoluindo em dois pisos, rasgados por janelas retilíneas, no dormitório com conversadeiras internas. INTERIOR marcado por amplas zonas de circulação com coberturas em madeira, de caixotões, pavimento em ladrilho e escadas de cantaria. As antigas celas foram transformadas em quartos com casas de banho privativas e duas suites, havendo um espaço de piscina coberta, aquecida. Mantém-se a cozinha dos frades, com ampla lareira, contendo forno embutido no muro, lavabo e amplas mesas, tudo em cantaria, e o lagar de varas. Junto aos muros das dependências, surgem áreas ajardinadas, lagos e, junto à hospedaria, um amplo Chafariz, na base de uma escadaria monumental, de três lanços, com tanque poligonal e pequeno espaldar revestido a azulejo azul e branco, com bica em forma de carranca. A propriedade desde até ao Douro, possuindo vários miradouros, piscina, praia fluvial, campo de ténis, pistas de manutenção e vinte casas independentes, dispersas na antiga cerca.
Materiais
Estrutura em alvenaria de granito com alguns paramentos rebocados e pintados de branco; elementos estruturais, modinaturas, colunas, frisos, cornijas, pia batismal, lavabo, arcos, escadas, tanques, cruzes, mísulas, fontes em cantaria de granito; retábulos, cadeiral, órgão e guarda-vento em talha pintada; teias, cadeiral da capela-mor, mobiliário, pavimentos, tetos, portas, mísulas, caixilharias em madeira; silhares de azulejo; pavimentos com revestimento cerâmico; sinos em bronze; janelas com vidros simples; coberturas exteriores em telha cerâmica.
Observações