Arquitectura militar, romana, visigótica, românica, islâmica, gótica, renascentista, manuelina, maneirista, revivalista. Sistema defensivo formado por duas linhas de muralhas correspondentes a diferentes períodos, sendo a segunda resultante do alargamento da área habitável para além do perímetro da primeira muralha. Primeira muralha, designada por cerca-velha, é de construção romana-medieval sendo reforçada por várias torres de secção quadrada, circular e poligonal, sendo ainda rompida por várias portas posicionadas sobre os principais eixos viários; o Arco Romano de D. Isabel é um elemento típico da cintura defensiva da cidade romana, cumprindo todos os cânones, mesmo na medida dos silhares e com calçada de inequívoco cunho romano; a Torre Pentagonal constitui o torreão S. (o N. foi demolido) da cerca romana que virava a O., sendo o seu embasamento de fábrica romana. Segunda muralha, conhecida como cerca-nova, é de construção medieval, mais precisamente do séc. 14, tendo sido reforçada, em alguns troços e durante o séc. 17 por alguns baluartes, alguns destes bastante avançados. A Torre Quadrangular é um elemento típico da estrutura defensiva mais arcaica da cidade e indiscutívelmente um elemento da cerca romana do Séc. 02 ou do Séc. 03, muito alterado por sucessivas reedificações e reparos, nomeadamente as janelas dos alçados N. e O. românico-góticas. A Porta de Aviz é um elemento típico das estruturas defensivas seiscentistas do Alentejo com paralelos com as praças fortes de Estremoz e Elvas. Forte de Santo António também construído segundo as técnicas militares do séc. 17. O troço de muralha entre as Portas da Alagoa e do Raimundo manteve-se íntegro durante as épocas posteriores, não sendo envolvido nas campanhas de obras dos Séc. 17 e 18; a Porta do Raimundo é uma composição revivalista e a Porta da Alagoa encontra-se muito descaracterizada por reedificações sucessivas; os troços seiscentistas, tipo Vauban, foram empreendidos no contexto das guerras da Restauração. Sistema defensivo de uma das mais importantes cidades históricas portuguesas, do qual ainda se conservam elementos ilustrativos da evolução da engenharia militar de um período balizado pelos séculos 1 d.C e o Séc. 19. O embelezamento dos seus elementos constituintes, durante as últimas décadas, veio a perpetuar o destaque e a presença deste na cidade eborense. O centro histórico da cidade, delimitado pela cerca exterior, continua a ser o centro político, administrativo, económico e social da cidade. O Arco de D. Isabel constitui-se como vestígio de uma das portas romanas da Cardo da cidade e dava saída ao tráfego que, desde a edificação da nova cerca medieval, passou a transpor o circuito urbano nas Portas de Alagoa e Aviz, para as bandas do N..
Sistema defensivo composto por duas cercas amuralhadas, a Cerca-Velha e a Cerca-Nova, torreões, barbacã, fossas, portas, postigos, castelo, baluartes, fortes e edifícios militares. CERCA-VELHA: circunscreveria uma área ovóide com aproximadamente 1280m de perímetro, restando desta apenas alguns troços, portas e torres (percurso no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio): a Porta de D. Isabel; Torre do Salvador; Torre de São Paulo (destruída); troço arruinado entre a Torre de São Paulo e a Torre de Sisebuto que percorre o interior de várias habitações, apresentando dois tipos de aparelho diferente em granito, um mais regular; Torre Quadrangular; troço entre a Torre de Sisebuto e a antiga Torre do Caroucho com dois pequenos torreões, um destes com base com 4,5m por 5,2m *2, integrando o edifício conhecido como a Casa Nobre da R. de Burgos (v. PT040705210162) e assentando sobre parte de uma habitação romana do Séc. 1, decorada de pinturas murais, e perto de um troço de pavimento de uma rua romana; o resto do troço encontra-se arruinado; Torre do Caroucho (demolida); a Porta da Selaria (também designada por Porta da Praça Grande que teria 4,5m de largura; a Torre do Anjo de base quadrangular, com 9m de lado e 13,5m de altura, embora com um dos cantos chanfrados, o que leva a considerá-la pentagonal, dispondo de 4 pisos e base em grossa silharia de granito; troço entre a Torre do Anjo e a Torre da Couraça integrada no interior do casario, chegando a atingir os 5,5m; Torre da Couraça (também designada Torre da Alcárcova de Baixo) da subsiste um embasamento maciço em pedra granítica; Troço entre a Torre da Couraça e a Torre situada no Largo Álvaro Velho da qual subsistem alguns vestígios, contornando a Igreja de São Vicente *3; Troço entre a Torre do Largo Álvaro Velho e a Porta da Moura e que passaria pelo Lg. da Misericórdia; Porta da Moura a S. da cerca; Troço entre a Porta da Moura e a desaparecida Torre da Pensão Policarpo, destruído. Troço entre a Torre da Pensão Policarpo e a desaparecida Porta Nova da Traição (também designada Torre da Mouchinha); Troço entre a Torre da Mouchinha e a Torre dos Capitães da Cidade; Troço entre a Torre dos Capitães da Cidade e a Porta Velha da Traição com 2 torreões de reforço à muralha à mesma altura do adarve da muralha, integrando a Porta Velha da Traição o conjunto do Convento dos Lóios, e apresentando um arco quebrado ogival, com munhoneiras e conservando restos de pavimento *4; troço entre a Porta Velha da Traição e a Torre Pentagonal com três torreões de reforço à muralha à mesma altura do adarve da muralha; Troço entre a Torre Pentagonal e a Porta de D. Isabel com um segmento visível, correspondente ao muro de contenção das terras do jardim de Diana; castelo Novo dos Freires de planta irregular composta pelo troço da cerca-velha que liga a Torre Mouchinha à Torre das Cinco Quinas, e por outra muralha que liga as mesmas torres através de um percurso que passa pela Torre do Palácio dos Duques de Cadaval, pela Torre da Igreja dos Lóios e a pela Torre do Sertório. A CERCA-NOVA: circunscreve uma área rombóide com uma acentuada inflexão das linhas amuralhadas a N. em direcção ao troço da cerca-velha que liga a antiga Torre da Mouchinha à Torre Pentagonal, terminando uma destas linhas perpendicularmente à muralha da cerca-velha por intermédio da Porta do Moinho do Vento. O espaço criado nesta reentrância é designado como o Buraco dos Colegiais, e seria resguardado pelo Baluarte dos Apóstolos. Cerca envolvida por barbacã, visível em alguns troços, que protegia os fossos, sendo ainda reforçada em alguns pontos por baluartes. Os vários troços são cumeados por merlões, alguns com seteiras, e adarves. PORTA DO MOINHO DO VENTO: porta com vão de 2,62m e duplo arco, um em volta-perfeita e outro abatido, com aparelho irregular em cantaria, sendo cumeada por ameias e um estreito adarve. Adossa-se perpendicularmente ao muro da cerca-velha. No sentido N. extende-se a Cerca de Cadaval seguida do troço de muralha que culmina na Porta de Avis de duplo arco de volta perfeita e túnel de pouca profundidade; Troço que liga a Porta de Avis à Porta da Lagoa com repregas e torre quadrangular com portal gótico de acesso à cava da barbacã, sendo a Porta da Lagoa ou Alagoa resguardada outrora, muito possivelmente, por baluarte; troço que liga a Porta da Lagoa à Porta de Alconchel, com repregas, sendo rasgado pelo Postigo dos Penedos ou Buraco dos Cógulos, apresentando um arco redondo; apresenta uma abertura mais recente no pano mural; este troço dispõe de duas torres com altura ao nível do adarve da muralha, uma com 7m de lado e outra com base de 8m x 9m; Troço que liga a Porta de Alconchel à Porta do Raimundo com duas torres, uma circular e outra quadrada, e repregas, sendo a Porta do Raimundo aberta a SO. da cerca, flanqueada por duas torrinhas octogonais rematadas com ameias de fantasia, encostadas a paramento de pilastras almofadadas; Troço que liga a Porta do Raimundo à antiga Porta do Rossio com dois torreões, de base semi-circular, cujo segmento onde se situam é resguardado pelo Baluarte do Príncipe, seguidos de um possível postigo e de uma reprega onde se encosta uma torre quadrangular *5, com 6m x 4,5m de lado, tendo sido destruído o restante muro que culminava na Porta do Rossio, aberta a S. da cerca, muro esse que seria defendido pelo ainda visível Baluarte do Conde de Lippe; Troço que liga a Porta do Rossio à Porta da Mesquita, aberta a SE. da cerca e que seria ladeada por duas torres parcialmente destruído, subsistindo cinco repregas e dois pequenos segmentos que são separados pela construção do Castelo Novo, apresentando um destes segmentos duas torres de planta quadrangular nos extremos; Troço que liga a Porta da Mesquita à destruída Porta da Rampa dos Castelos com uma torre de planta rectangular, sendo este troço defendido pelo Baluarte de Assa; Troço que liga a Porta da Rampa à destruída Porta de Mendo Esteves. Troço que liga a Porta de Mendo Esteves à Porta de Machede que seria flanqueada por duas torres, tendo sido entretanto entaipada para a construção do baluarte com o mesmo nome; Troço entre a Porta de Machede e a Porta Nova da Traição com partes reaproveitadas para a construção do Colégio do Espírito Santo, sendo ainda interrompido pela a Porta do Colégio; Quartel Novo ou dos Dragões (v. PT040705210093); 7 baluartes: Baluarte dos Apóstolos (também designado Baluarte de Jesus) com paramentos em cantaria granítica, ligado por linhas bastionadas ao Baluarte de Nossa Senhora de Machede, fronteiro a este para defesa da Igreja dos Apóstolos, de que resta apenas o paramento frontal virado a S.; Baluarte de São Bartolomeu de que substistem apenas dois flancos, de suave talude, sendo estes em aparelho de cantaria granítica com cunhais reforçados em cantaria bem aparelhada *6; Baluarte do Príncipe de planta irregular com cunhais em granito aparelhado, com três guaritas em granito e cobertura em meia-laranja, gomadas, e friso boleado que envolve pelo exterior dos muros à altura do pavimento das canhoeiras; Baluarte do Conde de Lippe com paramentos em cantaria granítica, cunhais reforçados por granito aparelhado, possuíndo três guaritas em cantaria de granito e um friso boleado à face ao nível do pavimento das canhoeiras; Baluarte do Picadeiro (Também designado Baluarte do Castelo) com paramentos em cantaria em granito, apresentanto duas guaritas em cantaria e um friso boleado envolvente pelo exterior ao nível da base do parapeito de tiro; Baluarte de Assa de cinco ângulos, com paramentos em cantaria granítica com cunhais reforçados por granito aparelhado, a defender o Hospital da Misericórdia, hoje muito enterrado; na acentuada volta da muralha, quando vai expor-se a N., o Baluarte de Nossa Senhora de Machede (também designado por Baluarte da Natividade), de planta oblonga com vértices acentuados e paramentos em taipa e alvenaria de pedra e tijolo, aparelhos distintos que são aplicados de forma alternada e com espessuras diferentes; destaca-se pelos seus vértices acentuados, como forte esporão na ponta E. da cidade. A Fortificação completava-se com dois Fortes: o Forte de Santo António (v. PT040705210054) e o Forte dos Penedos que teria uma planta quadrada com 35m x 40m e estaria situada a 150m da praça.
Materiais
Cantaria de granito, alvenaria de pedra e tijolo, taipa (baluarte de Nossa Senhora de Machede), abóbadas interiores das torres em tijolo. Quartel dos dragões com estrutura de alvenarias mista de pedra e tijolo argamassadas, rebocadas e caiadas, com elementos estruturais, pilastras, cunhais, pilares e soco do piso térreo em silharia de granito; alisares de vãos, frisos exteriores, arcos e portal principal em granito; caixilharias em madeira e ferro pintadas; coberturas em telha de canudo com beirado; tectos em tijolo maciço rebocados e caiados; pavimentos exteriores em calçada de granito e mármore; pavimentos interiores em madeira e tijoleira, e escadas em laje de pedra.
Observações
Abrange também a freguesia da Sé e São Pedro; *1- DOF... Da cêrca romana e árabe: o arco de D. Isabel, a muralha posterior do passeio do conde de Schomberg, a torre das Cinco quinas, a muralha dos palácios dos Condes de Basto, as tores da porta de Moura, a muralha da Praça do Sertório, a muralha da Igreja de S. Bento, as torres das Alcárcovas, de baixo e de cima. Da cêrca medieval: As torres e muralha compreendidas entre as Portas de Alconchel e do Raimundo, ângulo em frente da estrada da Malagueira, torre junto ao convento do Calvário, torre junta ao aqueduto, torre da Porta de Avis, torre do baluarte de S. Bartolomeu, torre junta à rampa dos Colegiais, ângulo de ligação entre a muralha Fernandina e o baluarte do Conde de Lippe, muralha junto ao quartel de cavalaria, torre do jardim público; Torre Quadrangular (medieval) da Rua Nova, pertencente a António Coelho Vilas Boas; Torre Pentagonal (medieval) da antiga Rua da Selaria; *2 - neste local existia um nicho-oratório escavado nos muros da cerca-velha de devoção a São Vicente; *3 - capela fundada por Baltazar Vieira; *4 - esta torre foi alvo de uma intervenção do cenógrafo italiano Giuseppe Luigi Cinatti em 1866, reaproveitando elementos arquitectónicos do demolido palácio dos Condes do Vimioso; *5 - inscreve-se na área interior do baluarte a igreja arruinada de devoção a São Bartolomeu; 6* - Túlio Espanca apresenta a hipótese de ter existido um castelo sisebuto-árabe, designado por castelo-velho, no lugar onde se erguem as torres do Convento do Salvador e de São Paulo, tese que é contraposta por Ângela Beirante com o argumento de que a terminologia "castelo-velho", seria aplicado a zonas de fortificação antiga; *7- estaria embebida no antigo Convento do Salvador; *8 - Uma antiga tradição transmitida por Diogo Mendes de Vasconcelos, o célebre editor do "Libri Quator De Antiquitatibus Luzitaniae" de André de Resende, que lhe juntou o 5º Livro "De Municipio Eborensi", nomeou-a Torre de Sisebuto, rei Godo a quem se atrinuía a sua edificação no Séc. 07; *9 - Integrante do antigo Paço dos Melos de Carvalho; *10 - terá sido reaberta quando das obras de adaptação do antigo convento dos Lóios a pousada; 11* - Segundo alguns autores, este imóvel integra uma das antigas torres medievais, facto que veio a reconsiderar o antigo percurso da cerca-velha; outros autores atribuem a mesma estrutura a uma torre de um palácio particular.