Arquitectura religiosa, maneirista. Convento franciscano capucho da Província da Piedade, de planta rectangular simples, composto pela igreja de planta longitudinal, antecedida por galilé com acesso por arco abatido e cobertura em abóbada de aresta, e a zona conventual, que se desenvolve em torno de claustro quadrangular, evoluindo em dois pisos, com três arcadas por ala, de volta perfeita no piso inferior e assentes em colunas cilíndricas e em arco abatido na superior, assente em pilares toscanos. Em torno do conjunto, resta o perímetro da cerca. A igreja possui planta longitudinal simples, composta por nave e capela-mor mais estreita, com coberturas interiores em falsas abóbadas de berço e iluminada unilateralmente por janelas rasgadas na fachada lateral direita, marcada por contrafortes. Fachada principal em empena, ladeada por duas sineiras em arco de volta perfeita, rasgada pelo acesso à galilé, para onde abre o portal da igreja, o da capela adossada e o da antiga portaria, este de acesso ao Arquivo Municipal e todos de verga recta, encimada pela janela do coro. Interior com pequeno coro-alto, púlpito no lado do Evangelho, com acesso por porta de verga recta, através do claustro, e porta de acesso a este espaço de circulação. Possui arco triunfal de volta perfeita, com as armas do padroeiro, ladeado por dois nichos de volta perfeita, onde se integram os retábulos colaterais. O convento possui a antiga portaria que liga ao claustro, o qual tem acesso directo à cerca e porta de ligação à Via Sacra, onde surgem as escadas das matinas que acedem ao segundo piso, onde surgem corredores de circulação abobadadas, iluminados por janelas regrais, possuindo portas semelhantes, de pequenas dimensões e molduras boleadas, de acesso às celas, viradas à fachada principal e à lateral esquerda, à hospedaria, livraria e outras dependências, transformadas em depósitos, surgindo, junto à capela-mor, o cárcere. No piso inferior, não é possível discernir a primitiva função das várias dependências *5.
Convento de planta rectangular irregular, composto pela igreja e pelo antigo núcleo conventual, desenvolvido no lado esquerdo, actualmente adaptado a arquivo. A IGREJA tem planta longitudinal, composta por nave, antecedida por galilé, para onde abre uma capela adossada, de planta rectangular, oposta à zona conventual, e capela-mor mais estreita. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, rematada em cornija e beirada simples, rasgada por vãos rectilíneos. Fachada principal virada em E. em empena, encimada por empena recortada, rematada por friso interrompido por volutas e cornija na zona superior, com cruz latina no vértice, sobre plinto e pequeno concheado; a empena é decorada por botão e palmas de martírio em haspa, executadas em massa pintada de cinza. Encontra-se ladeada por duas sineiras em arco duplo de volta perfeita, o exterior com fecho saliente e assente em impostas saliente, ladeada por pilastras toscanas, rematando em cornija e em elemento recortado e volutado, rematado por cornija de massa que se interrompe em volutas centrais. A fachada é rasgada pelo arco da galilé, de perfil abatido e assente em colunas toscanas, com a arquivolta pintada de cinza, encimada pelo janelão do coro-alto, com moldura pintada de cinza e rematado pelas armas seráficas, encimadas por cartela recortada com elementos concheados, contendo um livro e uma cruz latina. A galilé possui cobertura em abóbada de aresta, assente em mísulas boleadas, com o bocete decorado pelas armas franciscanas, em relevo, com pavimento em tijoleira vermelha. Para ela abrem três portas, o portal axial, de verga recta simples, a porta de acesso ao Arquivo, antiga portaria, protegido por guarda-vento de vidro e a porta de acesso à capela adossada, actualmente desactivada. No lado esquerdo, desenvolve-se o núcleo conventual, de dois pisos, o inferior com porta de verga recta, de abertura recente, uma janela ampla rectilínea e protegida por grades metálicas, surgindo, ainda, duas frestas, uma delas em capialço; no piso superior, sete janelas rectilíneas, uma delas de maiores dimensões, assinalando a janela regral. No extremo esquerdo, possui um ressalto com um eixo de vãos, formado por duas pequenas frestas rectilíneas e em capialço. Fachada lateral esquerda, virada a S., irregular, com dois ressaltos nos extremos, o do lado direito marcado por duas janelas e duas frestas; o pano central possui duas janelas em arco abatido e protegidas por grades metálicas no piso inferior, surgindo, no superior, seis janelas rectilíneas; o ressalto do lado esquerdo tem arcada no piso inferior e o superior é reentrante, dando origem a uma pequena varanda, para onde abre porta rectilínea e uma fresta com o mesmo perfil. Fachada lateral direita, virada a N., marcado pelo corpo da nave com cinco contrafortes, formando quatro panos, três deles com janelas rectilíneas; possui capela adossada de corpo irregular e cego, e a capela-mor, bastante mais estreita, com vestígios de uma fresta entaipada e possuindo metade de uma janela, onde é visível, ainda, a moldura em cantaria e as grades de protecção. Junto a esta, mas separado por corredor de circulação, com acesso por porta de verga recta, surge um corpo de feitura mais recente, cego. Fachada posterior com corpos nos extremos, o da esquerda de feitura recente e o da direita correspondendo ao prolongamento de uma das alas do convento, rasgada por porta de verga recta; reentrante, um pano de muro que acede, através de porta de verga recta ao claustro, encimado por janelas rectilíneas. INTERIOR da igreja rebocado e pintado de branco, percorrido por lambril de cor cinza, com pavimento em cantaria branca e preta, formando axadrezado, e cobertura em falsa abóbada de berço, assente em cornija, também rebocada e pintada de branco. Possui coro-alto de guarda plena entre cornijas, pintada em marmoreados fingidos, criando falsos apainelados. A porta de acesso, de verga recta e protegida por folhas metálicas, está ladeada por duas pias de água benta concheadas. No lado do Evangelho, púlpito quadrangular com bacia de cantaria sobre mísula concheada e guarda em ferro forjado pintado de preto, formando enrolamentos, com acesso por porta de verga recta e moldura simples, em cantaria. No lado do Evangelho, porta rectilínea de acesso ao claustro. Arco triunfal de volta perfeita com pedra de armas no fecho, ladeado pelos altares laterais embutidos no muro, com o mesmo perfil e assentes em pilares toscanos comuns. Os retábulos colaterais possuem os amplos nichos pintados com motivos florais, rasgado por nichos de volta perfeita com as imagens dos oragos, o do Evangelho dedicado a São João Evangelista e o oposto a Nossa Senhora da Soledade, ambos com altares em forma de urna com cartela central em estuque e fundo de marmoreados fingidos. A capela-mor tem as paredes pintadas, formando apainelados de várias tonalidades, com pavimento semelhante ao da nave e cobertura em falsa abóbada de berço assente em cornija e pintada formando quatro painéis com elementos fitomórficos. Na parede testeira sotobanco paralelepipédico, pintado de bege, a que se adossa altar em forma de urna, semelhante aos colaterais, encimado por banqueta e nicho contracurvo com moldura de estuque, onde se integra trono expositivo de três degraus; possui cortinas de veludo a abrir em boca de cena, que pendem de um dossel do mesmo material; o nicho é rodeado por apainelados pintados e com molduras em estuque, tendo, nos ângulos, mísulas em leque, que sustentam imaginária. O CONVENTO desenvolve-se em torno de claustro quadrangular, de dois andares de cinco arcadas, as inferiores em arco dobrado de volta perfeita, assentes em colunas cilíndricas, todas abertas para a quadra, surgindo no superior arcos abatidos sustentados por pilares toscanos, rebocados e pintado de branco, protegidos por guarda plena, também rebocada e pintada. As alas possuem as paredes rebocadas e pintadas de branco, com coberturas em falsas abóbadas de berço, também rebocadas e pintadas e pavimento em calçada à portuguesa, formando losangos, circunscritos por frisos. No centro de cada ala, surge nicho em arco de volta perfeita, flanqueado por falsas pilastras de fustes almofadados, pintadas em marmoreado fingido negro e amarelo, solução que se prolonga nos arcos com fecho saliente, em ameia de acantos enrolados em estuque. O fundo é pintado de marmoreado negro, onde se rasga nicho em arco de volta perfeita, com moldura de cantaria negra e uma segunda recortada, em mármore branco, que se interrompe em volutas e em elementos concheado, ladeada por dois florões. Cada nicho possui pequeno plinto, onde se ergue a imagem do orago do altar, em forma de urna, com medalhão central, ostentando cruz latina. O da ala junto à igreja é dedicado a Nossa Senhora da Conceição, sendo o oposto a Nossa Senhora de Fátima; na ala junto à capela-mor, Santo António e, na oposta, São Pedro. A quadra está revestida a calçada, com um pequeno canteiro no centro, circular, contendo arbustos e um vaso cerâmico que forma um jogo de água *1; nos ângulos, quatro canteiros, com árvores, arbustos e flores várias. Na ala junto à Igreja, surge a porta de acesso ao templo, em arco de volta perfeita, as escadas de acesso ao púlpito, revestidas a ladrilho cerâmico vermelho e com porta de madeira, surgindo, no topo, uma porta de acesso à antiga Via Sacra e às escadas das matinas, de dois lanços, a única ligação ao segundo piso. Nesta ala, surge porta em arco de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, que liga, através de pequeno corredor à cerca. O segundo piso possui abóbadas de volta perfeita e não possui, actualmente, portas para a quadra. O acesso, feito pela Via Sacra, onde se estabeleceu um elevador, e pelas escadas das matinas, de dois lanços, leva a quatro corredores com falsas abóbadas de berço, ladeadas de pequenas portas de verga recta, de molduras boleadas, protegidas por portas de madeira, de duas flhas, de acesso às antigas dependências conventuais, às celas, hospedaria, livraria, enfermaria e, ao que subsiste íntegro, o cárcere, junto à capela-mor. Sobre uma das dependências, surge uma cruz latina em azulejo esponjado, assente em plinto curvo, em monocromia, azul sobre fundo branco e no ângulo, um altar vazio, semelhante aos do claustro. No interior de uma sala de reuniões, ampla e abobadada, assente em friso de marmoreados fingidos e cornija, surge um altar semelhante aos anteriores, mas de maiores dimensões, rematando em emblema e cornija contracurva, constituindo, certamente, uma capela particular. O cárcere possui, gravada, uma cruz latina e uma longa inscrição. Da cerca do convento resta a área, ocupada pelo cemitério, o Centro Funerário de Elvas e um olival.
Materiais
Estrutura em alvenaria de calcário, rebocada e pintada; modinaturas, cruzes, pavimentos, arco triunfal, colunas, pilastras, bacia do púlpito, pilares em cantaria de calcário; pilastras em mármore; pavimentos em ladrilho cerâmico; portas e altares de madeira; elementos decorativos em estuque e em pinturas murais; cruz em azulejo; janelas com vidro simples; cobertura exterior em telha.
Observações
*1 - o antigo chafariz do claustro encontra-se junto a uma das entradas do cemitério, sendo em cantaria e de planta quandrangular com os ângulos chanfrados e curvos, de bordos simples, possuindo ao centro, um plinto paralelepipédico, encimado por outro com os ângulos côncavos, que suportam duas colunas galbadas, que sustentam duas taças circulares e em forma de campânula, a superior, rematada por fogaréu de mármore, de colocação recente. *2 - a Província da Piedade nasce na sequência da formação de uma Custódia com esse título, criada em Portugal em 1508, confirmada no ano seguinte pelo Papa Júlio II e apoiada pela Casa de Bragança, mais propriamente pelo Duque D. Jaime, que viria a passar, mais tarde, em 1517, a Província; pertenciam à Província os seguintes conventos: São Francisco de Lagos (1518, v. PT050807060034), Nossa Senhora do Paraíso, em Silves (1518, v. PT050813070027)), Nossa Senhora dos Anjos, em Azurara (1518, v. PT011316040016), São Francisco de Braga (1522, v. PT010303370061), Santo António de Portalegre (1522, v. PT041214080022), Santo António de Faro (1524, v. PT050805040034), Santo António de Aveiro (1524, v. PT020105060012), Nossa Senhora do Seixo, no Fundão (1526, v. PT020504170016), Santo António de Abrantes (1526, v. PT031401130058), Anunciada, em Tomar (1528, v. PT031418070028), Santo António de Estremoz (1535, v. PT040704030031), Santo António dos Olivais, em Coimbra (1538, v. PT020603180030), Nossa Senhora da Esperança, de Portimão (1539, v. PT050811030011), Bom Jesus de Valverde (1544, v. PT040705040056), Nossa Senhora da Assunção, na Vidigueira (1545, v. PT040214140006), Santo António de Loulé (1546, v. PT050808090010), São Francisco de Portel (1547, v. PT040709050007), Santo António da Covilhã (1553, v. PT020503190017), Santo António de Castelo Branco (1562, v. PT020502050088), Vale da Piedade, em Gaia (1562, v. PT011317160047), Nossa Senhora da Caridade do Sardoal (1571, v. PT031417030004)), Santo António de Penamacor (1571, v. PT020507100006), Santo António de Évora (1578, v. PT040705210088), Santo António de Ourém (1600), Santo António do Redondo (1605, v. PT040710020012), Santo António de Beja (1609, v. PT040205130030), Santo António de Tavira (1612, PT050814060030), Santo António de Fronteira (1613, v. PT011208020010), Santo António de Alter do Chão (1617, v. PT041201010009), São Francisco de Idanha-a-Nova (1630), São Francisco de Barcelos (1649, v. PT010302140070), Santo António de Arrifana do Sousa (1663, v. PT011311240074), Santo António de Guimarães (1663, v. PT010308040086), Santo António de Moura (1684, v. PT040210070019). *3 - na nave, existiam as seguintes sepulturas: Sepultura de Simão de Miranda Henriques e da mulher D. Violante de Azevedo e seus descendentes, Sepultura de Manuel de Quental Lobo e de seus Filhos e herdeiros; Sepultura de Dom Gracia Henriques e de sua mulher D. Guiomar de Melo e seus herdeiros; Sepultura de Manuel Rodriguez da Uren fidalgo da Caza de ElRei nosso Senhor que Deus Guarde e de seus Fillhos erdeiros, decendentes e susesores; Sepultura de Dona Aldonsa mulher de Dom Diogo de Brito; Sepultura de Dona Maria Barbosa; Sepultura de Manuel Gomes e de seus erdeiros; Sepultura de Luís Alves Donis e de Sua Mulher e herdeiros; Sepultura de Sebastião Roiz Fraústo e de seus herdeiros; Sepultura de Dona Sa Porto Caro Filha de Pêro Lopes de Quental e de Dona Anta Sua Mulher e de seus herdeiros; Sepultura do Licenciado Rui Lopes de Veja Medico neste e deste convento, e de sua Mulher Izabel Mendes e seus herdeiros; Sepultura de Dona Isabel Pegada Irmã de João Pegado e de seus herdeiros; Aqui jas Diogo Castanho de Gusmão Filho de António Vas e neto de Salvador Gomes de Gusmão, naturais da Villa de Aia Monte, e de Izabel Castanha filha legitima de Pêro Castanho descendente dos antigos e nobres Castanhos das Astúrias e de sua Mulher Sá Pinta e de seus herdeiros; tem o desenho da pedra de armas, envolvida por acantos e bipartida, apresentando dois poços e um cipreste. *4 - a Planta de Ordenamento do Plano Director Municipal situa o edifício e o cemitério no designado Espaço Urbanizável, definido como espaço que poderá vir a adquirir as características dos espaços urbanos, incluindo áreas para equipamentos colectivos, parques verdes urbanos ou zonas verdes de utilização colectiva. *5 - a tipologia dos Conventos da Província da Piedade é a seguinte: na espessura das paredes, do lado da Igreja, surgiriam os confessionários, de que não existem vestígios, a escada do púlpito, e a casa da Via Sacra, de onde partiam as Escadas das Matinas; o claustro era quadangular, lajeado, de dois pisos e com uma cisterna, para onde corriam as águas pluviais; no primeiro piso, a Casa do Capítulo, o refeitório e cozinha, divididos pela pataria, normalmente localizados no lado oposto à Portaria; no segundo piso, o dormitório com 15 a 25 celas, tendo, nos extremos, nichos ou altares, o cárcere junto à capela-mor (MEDINAS, pp. 72-122).