Igreja paroquial contendo túmulo com jacente, desprovido de dossel, e arca com as 4 faces historiadas. Correndo pelo rebordo do tampo encontram-se inscrições com a indicação do nome do cavaleiro, seus títulos e feitos; semelhanças com a estatuária funerária do Séc. 14 em Coimbra.
Igreja de planta longitudinal composta por nave e capela-mor mais estreita, com sacristia adossada à fachada lateral esquerda, de volumes articulados e coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja e de três na sacristia. Túmulo com 2 m. de4 comprimento, com estátua jacente, ricamente decorado, assente sobre quatro leões de juba cerrada e penteada. O jacente é uma figura masculina, vestida de cota de armas, com a cabeça apoiada numa almofada, com a espada na mão direita que segura nos copos e a mão esquerda na bainha. Ao lado direito da estátua uma figura feminina de criança. Aos pés um mastim. Junto ao ombro direito um anjo e junto ao esquerdo restos de outro. Na frontaria do túmulo dez nichos de arco apontado, com um santo em cada um. O topo, do lado da cabeceira, é armoriado com 2 escudos com as armas da família dos Góis. Sob eles cinco nichos. Um central, de maiores dimensões, com a imagem do Salvador, ladeado por dois de cada lado representando os 4 evangelistas. A face do túmulo do lado dos pés, é decorado com a cena da Anunciação *1.
Materiais
Pedra de Ançã.
Observações
*1 - o túmulo encontra-se mutilado em diversos locais. Em 1819 o Vigário Manuel António de Aranda mandou fazer uma memória descritiva do mausoléu, anotando toda a epigrafia. Dela destaca-se a que existia em baixo a toda a volta e que dizia: "Ioham Afonso mestre dos sinos lavrou este moimento e começou o na era do nascimento de noso senhor ihu xpo de MCDXXXIX as e acabou o na era do nascimento de noso senhor ihu xpo de MCDXL comecado tres dias andados do mez de maio e poz doze mezes em lavrallo per". Em 1934, quando Virgílio Correia o estudou, muitas das estátua já estavam mutiladas, bem como o 1º. nome do escultor já estava desaparecido. *2 - a obra consistia: "Primeiramente, a dita capela-mor e meio arco aparelhados de alvaiade e óleo e serão os lisos da abóbada de ornatos à bacarela, tudo em perspectiva, onde levará suas tarjas, e no meio delas levará seus emblemas ou a melhor ideia que o artífice souber; as pinhas das flores da abóbada serão douradas e todos os cordões e frisos serão fingidos de pedra, e as portadas e frestas da mesma capela, e se fingirá em correspondência um portado e uma fresta, no fundo das frestas para baixo será fingido de azulejos de países e figuras dedicados aos Passos de São Pedro, e levará por baixo dos azulejos um banco fingido de pedra, e será tudo feito com tintas finas (...)" (ALVES, 2001, vol. III, pp. 244-245).