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Igreja Paroquial do Curral das Freiras

Igreja Paroquial do Curral das Freiras

O ponto de interesse Igreja Paroquial do Curral das Freiras encontra-se localizado na freguesia de Curral das Freiras no municipio de Câmara de Lobos e no distrito de Ilha da Madeira (Madeira).

Igreja paroquial construída no final do séc. 18, com nave e capela-mor, reformada no início do séc. 20, para criação de uma nave secundária, mais curta e disposta à esquerda, que comunica com a principal e a capela-mor por arcos de volta perfeita. Exteriormente, segue o esquema mais comum das igrejas da ilha, com a fachada principal definida por pilastras e terminada em empena, rasgada por eixo de vãos, formado por portal, em arco de volta perfeita encimado por friso e cornija, com os típicos seguintes em cantaria, e janela retilínea, sobreposta por armas reais. As fachadas laterais terminam nas características beiradas duplas, abrindo-se na direita porta travessa e janela, na zona do retábulo-mor. No interior, possui coro-alto, batistério sob a torre sineira e o arco triunfal seguindo o esquema do portal axial, ainda que os seguintes sejam em alvenaria, pintada de branco. A decoração é essencialmente do séc. 20, sendo os retábulos colaterais, de talha pintada de branco, de corpo reto e um eixo, executados em 1916, pelo entalhador Manuel Inocêncio de Sousa e pintados por José Zeferino, inspirandos em linguagem barroca. Possivelmente da mesma época será o púlpito, também em talha pintada de branco, disposto no lado do Evangelho e acedido por porta de verga reta a partir da nave secundária. O retábulo-mor, em talha pintada a marmoreados fingidos e seguindo linguagem tardo-barroca, foi executado pelo mesmo entalhador em 1917, possuindo corpo reto e três eixos, ampliado lateralmente por apainelados com painéis pintados e as portas para a tribuna, cobrindo toda a parede. No início da década de 1950 procede-se à pintura decorativa da nave e capela-mor, pelo pintor Alfredo Bernes, com motivos alusivos ao orago e à Santíssima Trindade, respetivamente, e a aquisição do retábulo de Santo Antão para a nave secundária, da autoria de um entalhador chamado Pimenta.

Planta poligonal composta por duas naves e capela-mor, da mesma largura e mais baixa que a nave principal, tendo adossado à fachada lateral esquerda torre quadrangular, o anexo transformado em nave secundária, sacristia e um outro anexo. Volumes articulados, com coberturas em telhados de duas águas na igreja, de uma na nave secundária e anexo e de quatro na sacristia, rematadas em beirada dupla. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com soco de cantaria. A fachada principal surge virada a sul, com cunhais apilastrados, terminada em empena, com cornija, coroada por cruz latina de cantaria. É rasgada por portal em arco de volta perfeita sobre pilastras, encimado por friso e cornija, com seguintes em cantaria, e por janela retilínea, com moldura formando superiormente pequenas volutas, e com pano de peito inscrito, sobreposto pelas arcas reais. À esquerda, sensivelmente recuada, dispõe-se a torre sineira, igualmente com cunhais de cantaria, rasgada por duas janelas desalinhadas, a inferior gradeada, e ventana, em arco peraltado, com sino, encimado por relógio circular, que surge em cada uma das outras faces; na face esquerda e posterior a torre tem igualmente ventana. A estrutura remata em cornija e platibanda plena de alvenaria rebocada e pintada. Na fachada lateral direita abre-se porta travessa de verga reta na nave, existindo uma outra na capela-mor, bem como uma janela retilínea, no topo e no corpo adossado. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, com silhar de azulejos azuis e brancos de padrão vegetalista, pavimento em lajes de cantaria, na nave principal, ou em madeira envernizada, na capela-mor e nave secundária, e coberturas de madeira. Coro-alto apoiado em dois pilares, com plintos de cantaria, de perfil curvo ao centro e com guarda em balaústres torneados de madeira. No sub-coro, o portal é ladeado por pia de água benta cilíndrica. No lado do Evangelho, sob a torre, surge o batistério, acedido por arco de volta perfeita, sobre pilastras, cerrado por porta de madeira, tendo no interior pia batismal cilíndrica sobre pé facetado. As naves separam-se por dois arcos, existindo um terceiro entre a nave secundária e a capela-mor, todos de volta perfeita, com fecho saliente, sobre pilastras, o central menor, pintados de cinzento. No lado do Evangelho da nave principal, entre os dois arcos, dispõe-se o púlpito, em talha pintada de branco e apontamentos dourados, de bacia facetada sobre mísula e guarda plena formando apainelados, acedido por vão de verga reta, a partir de escada de madeira na nave secundária, encimado por baldaquino também facetado, superiormente com remate facetado e elementos volutados dourados. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras, que se prolongam superiormente sustentando friso e cornija, tendo os seguintes de alvenaria, pintados de branco. É ladeado por dois retábulos colaterais de estrutura semelhante, o do Evangelho dedicado a Nossa Senhora do Livramento e o da Epístola ao Sagrado Coração de Jesus, delimitados por teia em balaústres torneados de madeira. A cobertura, em falsa abóbada de berço abatido e com tirantes de ferro, é pintada com ampla cartela, ornada com encanastrado, representando Nossa Senhora do Livramento zelando pela povoação de Curral das Freiras. Na capela-mor, sobre supedâneo de três degraus, dispõe-se o retábulo-mor, em talha pintada a marmoreados fingidos, rosa, lilás e azul, e com elementos decorativos dourados, com corpo reto e três eixos, definidos por quatro colunas de fuste liso e capitéis coríntios, sobre plintos galbados. No eixo central possui nicho em arco de volta perfeita sobre pilastras almofadadas e boca rendilhada, contendo painel pintado com imagem do orago. Nos eixos laterais, estreitos, surgem apainelados delimitados por motivos vegetalistas, tendo mísulas sustentando imaginária encimada por baldaquino. A estrutura remata em espaldar recortado e definido por segmentos de cornija sobre o eixo central, decorado com elementos vegetalistas relevados, surgindo sobre as colunas exteriores pináculos vegetalistas vazados. Lateralmente, o retábulo é enquadrado por apainelados de talha, contendo dois painéis pintados com anjos, de moldura curva e ornada com elementos vegetalistas. Sobre o retábulo surgem pintados drapeados fingidos. A cobertura, assente em cornija, pintada a marmoreados fingidos a rosa, é em falsa abóbada de berço, de madeira, pintada com ampla cartela em cruz grega, representando ao centro o Cristo Redentor, encimado pelo Deus Pai, a pomba do Espírito Santo, ladeado por anjos. Sob os painéis abrem-se portas de acesso à tribuna. Altar paralelepipédico, com frontal ornado por motivos vegetalistas e custódia central, sobre o qual assenta sacrário facetado, ornado com motivos vegetalistas e concheados. Na nave secundária, com cobertura em masseira, abre-se na parede do lado do Evangelho três vãos, em arco, com vitrais, os laterais com motivos geométricos e o central com representação de Nossa Senhora do Livramento. Em cada um dos topos da nave tem um retábulo, de talha policroma, de corpo reto e um eixo.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada de branco; soco, pilastras, frisos, cornijas, molduras dos vãos, cruzes, pia de água benta, pia batismal, pavimento da nave em cantaria basáltica da região; portas e caixilharia em madeira; grades de ferro; vidro simples e policromo; retábulos, púlpito em talha pintada; silhar de azulejos azuis e brancos; cobertura da nave e capela-mor em madeira, pintada; pavimento e cobertura da nave secundária e capela-mor em madeira envernizada; cobertura e beirada de telha.

Observações

*1 - No princípio da colonização, o Curral das Freiras denominava-se apenas de Curral ou Curral da Serra, devido a ser um local ermo de pastagens. Pertencendo inicialmente a João Gonçalves Zarco, o Curral é dado, em 1462, em sesmaria, a João de Ferreira e sua mulher, Branca Dias. Estes, a 22 de agosto de 1474, doam o local a sua neta Branca Teixeira, mulher de Rui Teixeira, residente no Campanário, que, poucos anos depois, a 11 de setembro de 1480, vende a propriedade ao segundo Capitão Donatário, João Gonçalves da Câmara. Posteriormente, este doa-a ao Mosteiro de Santa Clara, no Funchal, como dote das filhas D. Elvira e D. Joana, que lá professavam. Segundo alguns autores, a mudança de designação do Curral para Curral das Freiras, teria ocorrido logo após esta doação ao Mosteiro de Santa Clara, entre 1492 e 1497. Segundo outros ela só ocorreria mais tarde, aquando do saque da cidade do Funchal por corsários, em 1566, e que levara as religiosas do mosteiro a ali se refugiarem. *2 - A festa do orago decorre no último domingo de agosto, atraindo inúmeros romeiros, existindo ainda no penúltimo domingo do mês a festa do Senhor do Santíssimo Sacramento. *3 - Segundo a tradição, estas cantarias havia sido extraídas de uma pedreira que teria existido no Curral das Freiras.