Castelo desaparecido, (re)construído na segunda metade do séc. 12, pela Ordem do Templo, possivelmente sobre um outro mais antigo, visto o documento de doação explicitar doar o castelo de Ozêzar e seu termo. Implantado em local estratégico, sobranceiro à zona de confluência entre o rio Tejo e o Zêzere, integrava-se na rede defensiva do vale do Tejo, formando linha com os castelos Templários da Cardiga, também na margem norte (v. IPA.00002038), e o de Almourol (v. IPA.00003404). Desde muito cedo, deve ter sido abandonado, já que no início do séc. 16, o castelo estava "muy damnificado, e a mayor parte delle deribado por terra", tendo a Ordem de Cristo no local várias terras emprazadas, com casas, uma delas tendo associado um celeiro, e outra tendo uma estalagem, uma adega, um palheiro, um forno, uma estrebaria, ali se erguendo também a igreja alpendrada de Nossa Senhora do Zêzere, construída ainda em finais do séc. 12, mas demolida no início do séc. 20. O fato de não se conhecer nenhuma descrição ou representação do castelo de Zêzere, não possibilita a sua definição tipológica ou caracterização. Mais tarde, o monte do castelo voltou a ter importância estratégica, visto permitir defender uma zona de penetração inimiga. Assim, existe um projeto, da segunda metade do séc. 18, para a construção de uma ampla fortificação à moderna, por ordem real, com grande armazém de pólvora, de que apenas foi construída uma pequena parte, e um desenho de 1828 documentando a existência de três baterias para defesa da ponte militar de barcas de acesso à vila de Constância. Por estas razões, torna-se difícil datar o pano de de muralha ainda subsistente.
Das estruturas fortificadas subsiste pequeno pano de muralha, em alvenaria de pedra, posto a descoberto apenas quando, ocasionalmente, se procedem a trabalhos de limpeza e remoção de vegetação.
Materiais
Estrutura em alvenaria de pedra.
Observações
*1 - Segundo João José Alves Dias, foi nesta data que a antiga comenda de Santa Maria do Zêzere se subdivide na comenda de Almourol e na da Cardiga, tomando o nome dos dois castelos mais importantes da região, do ponto de vista militar. *2 - Segundo a descrição do Tombo da Comenda da Cardiga da Ordem de Cristo, de 1504, no limite e julgado de Paio Pele e, especificamente na zona do castelo do Zêzere, a Ordem tinha uma igreja curada, com invocação de Nossa Senhora do Zezer, da qual são fregueses os moradores do dito julgado, e um "castello que está muy damnificado, e a mayor parte delle deribado por terra". "Junto do castello dito contra o Tejo, tem um oliual que ajunta com o dito castello, e com o Tejo, e o traz emprazado em fatiozim hum Estevão Pinhão, e paga delle o dizimo ao pee da oliueyra , e de foro huma galinha, e doze ovos. Tem hi hum assento de casas .a saber. huma dianteira, que leva cinco varas de longo, e quatro de largo, e hum çeleyro que leva quatro varas e meya de longo, e quatro de largo, as paredes de pedra, e barro, madeyradas de castanho e telhadas. Junto dellas hum chão que parte ao sul pela vagem do ribeyro do Castello, sem passar o dito ribeyro ribeyro alem, e per ele acima athé o adro da jgreja, assy como vem os aliçeçes, e dali ao marco que está antre este cham, e terras d Afonço Fernandez e de hy direito ao oliual dos erdeyros de Lourenço Anes. Estas casas, e terras tras emprazado pelos vezitadores hum Affonso Nunes teçellão em tres pessoas, e ele he a primeira pessoa, e paga o dizimo que Deus der na dita terra, e de fogo paga em cada hum anno per Natal hum par de galinhas, e duas dúzias d ovos. Tem hi mais outro asento de cazas que son estalagens em que ha oyto casas .a saber. huma dianteira que leva nove varas de longo, e quatro de largo, e huma camara que leva quatro varas de longo, e duas e meya de largo. e outra camara sobradada que leva quatro varas, e terça de longo e duas e meya de largo. e huma adega que leua quatro varas e meya de longo, e duas e meya de largo. e outra casa apegada com estas que leua quatro varas, e terça de comprido, e três, e meya de largo. e hum palheyro que leua seis varas de longo, e tres e meya de largo, e huma caza de forno que leua quatro varas e terça de longo, e tres e terça de largo. e huma estrebaria com suas manjedouras bem corregidas que leva dez varas, e duas terças de longo por tres de largo. antre as portas tem hum alpendre com sette varas de comprido. as paredes son de pedra, e barro, e taipas. E na ditta caza dianteira, tem huma escada de madeyra de madeira de castanho, por que vão à camara sobradada. son todas estas cazas madeiradas de castanho, e telhadas de telha. todas novas. O assento das ditas casas com o terreiro d ante a porta leva de comprido trinta e trez braças de craveyra medidas pella parte de fora. Junto a estas cazas tem huma terra que parte ao leuante com oliuais que estão a abaria do Zezer, e de hi como parte della pela estrada que vay para Thomar...".