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Igreja Paroquial de Vila Nova de Muía

Igreja Paroquial de Vila Nova de Muía

O ponto de interesse Igreja Paroquial de Vila Nova de Muía encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Ponte da Barca no municipio de Ponte da Barca e no distrito de Viana do Castelo.

Arquitectura religiosa, românica. Igreja românica da 2ª fase do românico português que adopta, entre outros elementos, a cabeceira quadrangular de tradição hispânica, aqui nitidamente aprofundada no séc. 18, e ao foco românico do Alto Minho. A decoração subsistente da cachorrada esculpida, cornija enxaquetada (a S.), friso de losangos, as folhas lanceoladas e as formas romboidais revelam-se típicas da construção da Ribeira Lima. A talha do retábulo da capela-mor é barroca e insere-se no chamado estilo nacional. A torre defensiva (com a interessante latrina que conserva) deve ser do final da Idade Média, enquanto a sineira é tipicamente renascentista, tal como também o é o frontispício.

Igreja de planta longitudinal composta por nave única rectangular, capela-mor rectangular e torre sineira quadrangular encostada a S. formando ângulo recto; seguem-se antigas dependências conventuais, sacristia, e outras adossadas a N. Volumes articulados, com coberturas de telha a 1, 2 e 4 águas. Frontespício da igreja terminando em empena, rasgado por portal de arco pleno entre pilastras, que apoiam frontão triangular com inscrição e nicho com imagem no tímpano; encima-o óculo quadrilobado; Torre com fresta, 4 sineiras, cornija e gárgulas de canhão nos cunhais. Interior da nave com coro-alto e tecto de masseira com caixotões pintados em medalhões. Ao longo da nave corre friso de losangos, ora salientes, ora cavados. A N. portal entaipado, que daria para o claustro, de 2 arquivoltas e tímpano com cruz de Malta sobre consolas. Arco triunfal sobre pés direitos, com 2 arquivoltas decoradas com motivos lanceolados e formas romboidais, encimado por friso saliente já picado e sem a decoração, onde assenta mísula para pintura com Calvário emoldurado a talha. Capela-mor também com vestígios de friso, 4 frestas, retábulos de talha dourada e tecto de masseira em caixotões. Do antigo claustro conservam-se 2 lanços, com o 2º piso sobre pilares facetados. Junto a este ergue-se torre, tendo a N. e E. contrafortes lançados em banda lombarda, com porta a nível elevado a O. Latrina sobre cachorros a N. e 1 seteira a E. e O.

Materiais

Granito, talha, pintura, madeira. Pavimento de madeira e cobertura de telha.

Observações

No século 16 aqui foram educados os 2 célebres irmãos Diogo Bernardes e Fr. Agostinho da Cruz. Nos catetos do frontão lê-se da esquerda para a direita "ORATIA SUM VOBIS HOMNES, SVM, GLORIA MATER"; "SUM DOMNI, PEPERI VIRGO MARIA DEVM". Na verga da porta "DOCT(or). ANTON(ius) MART(inus). COME [N]DAT[A R(ims) HOC OP(us) AE DIFICAVIT". Os autores não estão de acordo quanto à datação da igreja; Ferreira de Almeida considera-a da 2ª metade do 13, Nogueira Gonçalves do séc. 13, João Rigaud de Sousa do início do séc. 13 e Aguiar Barreiros do séc. 12. Segundo o Inventário dos bens do convento, a E. e a N. ficavam as hortas, pomares, vinhas e deveza de terreno, e para S. os campos do mesmo. As hortas e pomares tinham cerca, ou seja, muro que, pelo lado N., principiando na quina do pomar do O. para o E. até atingir o caminho que ia de cima de Vila para a veiga do Soutelo, numa extensão de 174 varas, donde partia com o caminho, que ia do mosteiro para cima da vila e devezas e vinhas do mosteiro e por E. desde um penedo grande até à parede que dividia este assento e cerca dos casais de cima de Vila e Forcal, com 225 varas, de onde partia sempre com o caminho, que ia de cima da vila para Soutelo e mosteiro. A eira da renda do mosteiro, era circundada por paredes e tinha para S. um coberto telhado.