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Igreja Paroquial de Velas

Igreja Paroquial de Velas

O ponto de interesse Igreja Paroquial de Velas encontra-se localizado na freguesia de Velas (São Jorge) no municipio de Velas e no distrito de Ilha de São Jorge (Açores).

Igreja paroquial construída no séc. 17 sobre uma pré-existente, e com fachada principal reconstruída no séc. 20. Apresenta planta de três naves, separadas por arcos, de volta perfeita, sobre pilares, e cabeceira tripartida e escalonada, interiormente com iluminação axial e bilateral e coberturas de madeira. A fachada principal, que devido à reforma moderna, não denuncia a divisão espacial interna, termina em frontão triangular sem retorno, com cornija inferior curva ao centro, e é rasgada por portal em arco de volta perfeita, entre pilastras que suportam cornija, ladeado e sobreposto por vãos de perfil curvo. A torre sineira, disposta à esquerda e integrando batistério, tem três registos e cobertura em cúpula bolbosa com data inscrita. No interior possui coro-alto de madeira, na nave central com dois púlpitos confrontantes, de bacia em cantaria e guarda em balaustrada, e nas laterais capelas profundas confrontantes. As capelas colaterais são cobertas por abóbadas de duas secções, e a capela-mor, com cobertura de madeira alteada, alberga retábulo maneirista, de tipo andares, com corpo reto, três eixos e dois registos.

Planta retangular composta por três naves, cabeceira tripartida, tendo adossado lateralmente torre sineira, duas capelas laterais profundas, sacristia e corpo retangular, onde está instalado o museu de arte sacra. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, as da capela-mor mais altas, de três nos outros corpos, rematados em beirada dupla, e cúpula pintada de branco, na torre sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com soco de cantaria. Fachada principal virada a poente, com cunhais apilastrados, os da nave pintados de cinzento, coroados por pináculos tipo urna sobre acrotérios, e terminada em frontão triangular, com a cornija inferior de perfil curvo adaptado à modinatura do vão, coroada por cruz latina, sobre acrotério. É rasgada por portal em arco de volta perfeita, enquadrado por pilastras que sustentam cornija, tendo os seguintes pintados de branco e com florão, e dois altos vãos laterais estreitos, de perfil curvo; sobre o portal abre-se janela em arco de volta perfeita. À esquerda dispõe-se a torre sineira, de três registos, separados por friso e cornija, o primeiro rasgado no topo por vão quadrangular, o segundo, muito estreito com relógio de sol, e o terceiro rasgado, em cada uma das faces, por ventana em arco peraltado, sobre pilastras, exceto na face sul onde se abrem dois vãos geminados, albergando sino. A estrutura remata em friso, cornija e platibanda plena, a fingir balaustrada, com acrotérios nos cunhais coroados por pináculos, e é coberta por cúpula bolbosa facetada, coroada por pináculo e cata-vento. As fachadas laterais terminam em cornija e são rasgadas por porta travessa de verga reta, encimada por friso e cornija, e por janela retangular; na lateral direita, existe escada com balcão de acesso à torre e corpo saliente da capela de Nossa Senhora das Dores, rematada em frontão truncado, coroado por cruz central e pináculos laterais, tendo no tímpano cartela inscrita. A fachada lateral direita tem saliente o corpo da capela, a que se adossa corpo retangular, rasgada a poente por portal de verga reta som friso e cornija, sobre pilastras e, a sul, por três vãos, os laterais retilíneos e o central, mais alto, de perfil curvo. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, as naves com cobertura de madeira de masseira, sobre travejamento, separadas por seis arcos, de volta perfeita, com chave saliente, assentes em pilares, arrancando dos mesmos, na nave central, frisos verticais até ao friso e cornija, que contorna a nave. Coro-alto de madeia, prolongado sobre as três naves, com guarda em balaustrada, de perfil curvo na nave central, acedido por escada disposta na nave da Epístola, com guarda vazada de madeira. Alberga órgão de tubos positivo. Na nave central, adossado aos terceiros pilares, surgem púlpitos confrontantes, de bacia retangular, em cantaria, sobre mísulas, com guardas em balaustrada, acedidos por escadas contornando o pilar, e encimados por baldaquinos de madeira, com lambrequim. Na nave do Evangelho, sob o coro, um arco acede ao batistério no interior da torre sineira, com cobertura em abóbada de berço que arranca de cornija. A capela profunda de Nossa Senhora das Dores é acedida por arco de volta perfeita, interiormente coberta por abóbada de berço, assente numa cornija, e albergando retábulo de talha policroma. Desta capela acede-se ao corpo do museu, por porta encimada por entablamento. Na nave da Epístola, existe capela lateral confrontante. Arco triunfal de volta perfeita, sobre pilastras, tendo no fecho brasão com as armas de Portugal. As capelas colaterais, acedidas por arcos, de volta perfeita, são interiormente seccionadas em dois, por arco sobre pilastras, e cobertas por abóbadas de berço, sendo a primeira secção lisa e a segunda em caixotões, a fiada central decorada com florões relevados. Capela-mor com duas janelas laterais com vitrais e cadeiral de madeira, de ambos os lados. Retábulo-mor de talha dourada, de corpo reto e três eixos, separados por seis colunas, as centrais grupadas, e de dois registos, marcados por frisos e colunas. No eixo central, abre-se alto nicho, com colunas laterais, interiormente albergando imaginária, e nos eixos laterais dispõem-se, no primeiro registo apainelados sobrepostos com imaginária, e no segundo registo painéis pintados, figurando São Pedro (Evangelho) e Santo André (Epístola). A estrutura remata em tabela retangular, disposta na horizontal, definida por colunas agrupadas e terminada em cornija, contendo painel pintado com Santo Agostinho, flanqueada por seguintes de talha ornados de motivos vegetalistas.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra rebocada e pintada; soco, cunhais, cornijas, frisos, e molduras dos vãos em cantaria, por vezes pintada de cinzento; arcos, pilares, cornijas, molduras interiores dos vãos, bacia dos púlpitos, abóbadas das capelas colaterais e do batistério e outros são em cantaria de basalto aparente; órgão em madeira de casquinha, carolina, jacarandá e câmbala; retábulo-mor em talha dourada; telas pintadas; cobertura das naves em madeira; cobertura de telha.

Observações

EM ESTUDO. *1 - Tomé Gregório de Lacerda, organeiro amador, tio do compositor Francisco de Lacerda, construiu quatro órgãos, copiando outros e aproveitando instruções colhidas do Padre Silvestre Serrão em Angra do Heroísmo. Dos quatro instrumentos, considera-se o da Paroquial de Velas o mais importante, sendo também o único que subsiste.