Forte construído possivelmente no séc. 18, já que a primeira referência data de 1761, mas com estrutura muito alterada devido à construção de uma capela sobre o terrapleno e às obras de adaptação realizadas na 1ª e 2ª Grande Guerra. Apresenta planta poligonal irregular, de pequenas dimensões, composta por meio baluarte e uma tenalha na frente sul e por cortinas de ângulo reto ou curvo, com os paramentos aprumados ou em talude, a escarpa exterior rebocada e pintada de branco, terminada em parapeito pleno, transformado na face interna, para integrar conversadeiras, e tendo no ângulo flanqueado do meio baluarte guarita cilíndrica, sobre mísula. A implantação no cimo de uma colina, dominando a cidade e o porto, no local onde pode ter existido uma posição fortificada, mais antiga, contraria a localização das fortificações modernas, que desceram para a beira-mar, o que resultou na falta de poder de alcance efetivo. As primeiras plantas do forte datam de 1815 e 1818, e uma outra, do final desta centúria, revela a divisão espacial dos armazéns militares sob o terrapleno, organizados em dois grupos de compartimentos, intercomunicáveis, os do lado direito com dois amplos fornos circulares.
Planta poligonal irregular, composta por meio baluarte a sudoeste, uma tenalha a sudeste e cortinas com o cunhal noroeste em ângulo reto e o virado a nordeste curvo. Apresenta paramentos aprumados a oeste e em talude, sobretudo os virados a sul, com a escarpa exterior rebocada e pintada de branco, terminada em parapeito pleno, capeado a cantaria, que na face interna possui conversadeiras; no ângulo flanqueado do meio baluarte que é em cantaria aparente, integra guarita cilíndrica, sobre mísula com anel de cantaria. A face virada a oeste, à direita da escada de acesso à ermida, é rasgada, em ritmo alternado, por duas portas e três janelas de peitoril, de verga reta e moldura simples, com portadas de madeira, de ligação aos espaços subterrâneos do forte, que deste lado são compostos por três compartimentos desiguais e intercomunicáveis. À esquerda da escada abre-se amplo arco, de volta perfeita, atualmente entaipado e contendo porta de verga reta de acesso aos subterrâneos, compostos por três armazéns, intercomunicáveis, o central quadrangular e os laterais retangulares.
Materiais
Estrutura em alvenaria de pedra, rebocada e pintada; cunhal em cantaria caiada; cordão da guarita, capeamentos e molduras dos vãos em cantaria da região aparente.
Observações
*1 - Segundo Ernesto do Canto, foi o Governador Militar Sebastião José de Arriaga Brum (1813-1821) que mandou fortificar a colina, segundo o plano do engenheiro Francisco Borges da Silva, ainda que o governador tenha chegado a São Miguel a 2 de junho de 1820 e falecido pouco depois, a 25 de novembro. *2 - No dia 4 de julho de 1917, a cidade e arredores foram bombardeados por 50 obuses de 125mm, de um submarino alemão, mas esse foi repelido pelo fogo de artilharia do navio carvoeiro estadunidense "Orion" estacionado na doca, apoiado pela artilharia portuguesa em terra, na bateria de costa da Mãe de Deus, sob o comando do alferes António Francisco Castilho da Costa. Segundo o professor Manuel Martins Soeiro, teria sido o tiro a partir da Mãe de Deus e não do barco Orion que afugentou o submarino alemão, pois apesar de não lhe ter acertado por falta de poder e de alcance, o comandante alemão não o sabia, e acreditou que a bateria iria corrigir o tiro. *3 - Os fornos circulares, com um diâmetro de cerca de 2,40 m, serviriam, provavelmente, para cozer pão, cerâmica ou, eventualmente, telha, ficavam no compartimento do topo direito do grupo disposto à direita da escada para a ermida.