Aqueduto construído na segunda metade do séc. 19, sob promoção da Câmara Municipal de Ponta Delgada, para abastecimento de água à cidade,a partir da Lagoa do Canário e Lagoas Empadadas, localizadas na serra, substituindo uma outra estrutura mais antiga. É composto por troços subterrâneos e à superfície, estes com arcaria de volta perfeita sobre impostos ou pilares e impostas, mas com características diferentes: o troço do Muro das Nove Janelas, o que mais se destaca e o mais alto, é mais largo na base do que no topo, tem duas ordens de arcos abertos em ritmo desencontrado, tendo um décimo arco isolado no "fundo da grota"; o troço dos Vinte e Um Arcos, com esse número de arcos, sobre pilares e impostas, reforçados, de ambos os lados, por contrafortes de esbarro; e o troço do Muro do Carvão com arcos de volta perfeita e abatidos intercalados, a ritmo irregular, por vãos mais pequenos. No topo do aqueduto corre caleira, em meia cana, com cobertura em meia cana ou plana, em laje. Da responsabilidade do engenheiro hidrográfico e Tenente-Coronel José Theresio Michelotti, o aqueduto apresenta uma conceção, envergadura e qualidade construtiva, que a individualiza no contexto da produção arquitetónica açoriana e em particular micaelense, com soluções bastante inovadoras para a época.
Aqueduto de vários quilómetros, composto por troços subterrâneos e à superfície, construído em alvenaria e cantaria de basalto negro, característico da ilha de São Miguel, de aparelho isódomo em redor dos arcos. Ao longo do seu percurso, a água é transportada por ação da gravidade numa caleira ou conduta em pedra, também esta em pedra de basalto escura, desde a lagoa do Canário, atravessando a mata dos herdeiros de "Caetano de Andrade Albuquerque de Bettencourt [1844-1900] " até uma arquinha, no limite desta mata, e junto ao caminho da Lomba do Outeiro, que depois descarregava a água no muro das nove janelas. Quando atravessa vales mais profundos, como o da grota do Lucena, o vale da pastagem a norte do Caminho da Cumeeira e o vale sito a Oeste do Caminho do Goyanes (Capelas), apresenta troços à superfície com arcaria. A caleira ou conduta é constituída por blocos, com formato de meia cana, com a maioria dos seus topos rebocados com argamassa fina (gesso, cimento e cal). A caleira é protegida por paredes de alvenaria argamassada e com cobertura em meia cana ou plana, em laje de pedra basáltica e, na falta destas, foram sendo substituídas por lajes de betão. O troço principal designa-se por MURO DAS NOVE JANELAS, nasce junto à Lagoa do Canário e na zona mais profunda a estrutura apresenta a maior altitude, tendo, desde o fundo da grota até ao cimo da caleira 14,40 metros de altura. É composto por nove arcos, de volta perfeita, sobre impostas que se prolongam para o intradorso, abrindo-se quatro num registo inferior e cinco num registo superior, nos intervalos dos inferiores. Além destes nove arcos, existe ainda um outro arco, na base, também de volta perfeita sobre impostas, denominado por "portão da grota", que serve para a passagem da água do vale ou grota. Na proximidade, desenvolve-se o troço denominado de MURO DOS VINTE E UM ARCOS, que possui vinte e um arcos, de volta perfeita, sobre pilares, com diferentes alturas, dependendo da inclinação do terreno, reforçados, de ambos os lados, por contrafortes de esbarro. Em algumas zonas, possui dois níveis de arcos sobrepostos. Juntos, estes dois troços têm a extensão de cerca de 250m. O terceiro troço à superfície designa-se por MURO DO CARVÃO, com cerca de 150 m de extensão e, na zona mais alta, com 7,20 metros de altura, é rasgado por seis arcos, quatro de volta perfeita e dois abatidos, sobre pilares, os quais têm tamanho e altura diferentes, conforme o declive do terreno. Além destes, o troço ostenta ainda sete vãos ou "janelas", mais estreitos e baixos, dispostos em ritmo irregular entre os arcos. Nos extremos do muro existem duas câmaras repartidoras de caudal, conhecidas como "arquinhas". Nas imediações dos vários troços do aqueduto, existem respiradouros de levadas, de planta quadrangular, com paredes rebocadas e pintadas de branco e cobertura plana. Mais próximo do Muro do Carvão, ergue-se caixa de visita, de planta circular e corpo cónico, inferiormente com esbarro facetado, e cobertura cónica, coroada por pináculo adelgaçado. Na zona do esbarro, abrem-se vários vãos retilíneos, a ritmo regular, com pequena zona de arejamento no topo e para escoamento das águas inferiormente; possui ainda porta de verga reta. O corpo apresenta dois anéis relevados e, no alinhamento da porta, possui inscrição já incompleta. A estrutura é circundada por tanque circular, interrompido em frente da porta.
Materiais
Estrutura em cantaria basáltica negra.
Observações
*1 - A denominação do troço do aqueduto do Muro das Nove Janelas e dos Vinte e Um Arcos advém do número de arcos que compõem a sua estrutura. O troço do aqueduto, denominado Muro do Carvão integra-se já na freguesia de Capelas.