Capela construída no séc. 18, pela população local, para substituir uma outra anterior, com planta retangular e de massa simples, tendo adossado à fachada esquerda torre sineira e sacristia. Fachada principal de cunhais apilastrados, terminada em empena e rasgada por porta de verga reta, encimada por friso e cornija, e por janela de igual modinatura. A fachada lateral esquerda é cega e a sacristia tem acesso independente, pelo exterior.
Planta retangular de massa simples, tendo adossado à fachada lateral esquerda torre sineira quadrangular e sacristia retangular. Volumes articulados com coberturas em telhado de duas águas na capela e de uma na sacristia, rematadas em beirada simples, e em coruchéu octogonal na torre sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com soco de cantaria, a principal, virada a norte, com pilastras toscanas nos cunhais, e terminada em empena com cornija, coroada por cruz latina. É rasgada por portal de verga reta, com moldura encimada por friso e cornija, sobreposta por janela retangular, com moldura inferior alta e superiormente também com friso e cornija reta. No alinhamento da fachada, dispõe-se a torre sineira, de cunhais frontais apilastrados e dois registos separados por friso, abrindo-se no segundo vão em arco de volta perfeita sobre pilastras, albergando sino; a torre remata em cornija. Fachada lateral esquerda da nave cega, abrindo-se na sacristia porta de verga reta e moldura simples, virada a norte, e janela a este.
Materiais
Estrutura em alvenaria de pedra rebocada e caiada; cunhais, frisos, cornijas, molduras dos vãos e cruz em cantaria basáltica; portas de madeira; cobertura de telha de aba e canudo.
Observações
EM ESTUDO. 1* - Segundo a lenda, o padre da ermida era um homem bom e amigo de ajudar todos os que o procuravam. Todos os domingos, esperava pelos fiéis que vinham de mais longe para então começar a missa. Contudo, a partir de certa altura, as pessoas que viviam mais perto não queriam esperar pelas outras e o padre marcou a missa para o meio-dia. Todos concordaram, à exceção de um senhor rico de Ponta Gorda, que queria que todos esperassem por ele, ainda que ele não quisesse esperar por ninguém. Chegou a ameaçar o pároco, mas esse continuou a dizer a missa à hora que havia marcado. O homem de Ponta Gorda, sem temor a Deus, começou a matutar em vingança. Assim, no domingo de 21 de setembro, saiu de casa ainda mais tarde do que costumava e, ao chegar à ermida, a missa estava no fim. Furioso, dirigiu-se ao padre e matou-o, rachando-lhe a cabeça com um machado. O homem fugiu, mas não evitou o castigo de Deus, porque logo a terra começou a tremer e, ao fim de vinte minutos, junto da Lagoa do Caiado, rebentou o vulcão, devorando tudo à sua passagem. O assassino foi o único que morreu, salvando-se os restantes paroquianos. Uma grande extensão de terra, antes muito produtiva e destinada a ser a nova vila do Pico, ficou reduzida a um deserto de pedra queimada, o mistério.