Forte costeiro quinhentista e seiscentista, para defesa e vigilância marítima, construído no reinado de D. Sebastião e depois reedificado, passando a integrar a rede de fortificação costeira desenvolvida no contexto da Restauração. Fortificação de planta irregular composta por dois meios baluartes virados a terra e traçado atenalhado virado ao mar. Integra corpo da guarda, armazéns e paiol. Arquitetura de comunicações: farolim contemporâneo, composto por lanterna pintada de vermelho sobre a muralha do forte com altura de 8m; tem sistema iluminante composto por óptica de cristal omnidireccional fixa, de luz branca e alcance luminoso de 14 milhas a uma altitude de 50 m. Apresentava guaritas e uma torre sineira. Integrava uma capela dedicada a São Miguel. Existia uma lápide com uma inscrição, possivelmente alusiva à visita de D. João IV ao forte.
Apresenta planta longitudinal, irregular, adaptada ao local de implantação, dividida em dois grandes espaços correspondentes à praça de armas e aos compartimentos integrantes do forte, com dois meios baluartes, a SE. e NE. As frentes S., O. e N. são de traçado atenalhado e viradas a mar, sendo a frente E. a única virada a terra. Na frente O. acede-se, através duma pequena escadaria, a uma plataforma, também ela de traçado atenalhado. Na frente E. situa-se o portal de entrada, em arco de volta inteira, ladeado por dois meios baluartes com ângulo flanqueado agudo. O portal é encimado por um nicho, ladeado por duas mísulas de perfil em voluta com decoração floral, integrando em médio relevo uma imagem em pedra calcária, representando São Miguel Arcanjo. Sob o nicho encontra-se um pequeno lintel com a inscrição: ELREY DOM JOAM O 4º - 1644. O recinto principal do forte tem apenas planta em L e as muralhas são percorridas por dois cordões que envolvem toda a estrutura do forte, um colocado no plano superior e o outro no plano inferior, dado que o plano escarpado apresenta pouca altura. Transpondo o portal de entrada, entra-se de imediato num amplo compartimento abobadado que dá acesso a três espaços: em frente à praça de armas, à esquerda a pequeno compartimento com uma janela, que corresponde ao interior do baluarte SE; à direita o acesso ao paiol correspondente ao interior do baluarte NE.; o paiol corresponde a grande compartimento com abóbada de berço em tijolo integrando abertura quadrada para ventilação, fazendo com que as fiadas de tijolo talhadas em cunha sejam colocadas em espiral. A praça baixa estende-se a S. e O. No lado N., contiguamente à praça de armas, situa-se uma dependência de planta rectangular compreendendo três compartimentos com entrada através de três portas em arco de volta inteira. São três espaços semi-rectangulares, abobadados, dois deles com uma janela quadrangular e o outro com duas janelas, provavelmente pensadas para canhoneiras, rematadas com arcos de descarga, compartimento esse que tem uma escada de ferro em espiral pela qual se acede ao interior do farol. Existe uma quarta porta que corresponde ao acesso ao terraço, através de dois lanços de escada abertos na caixa murária, com uma janela aberta para a praça de armas em cada lado da escadaria, constituindo um segundo acesso ao paiol. Em cada flanco interior dos baluartes existem duas frestas, apontadas à entrada.
Materiais
Alvenaria e cantaria de pedra, tijolo, madeira, vidro
Observações
A planta e alçado iniciais mostravam uma fortaleza reforçada a E. por dois meios baluartes de ângulo flanqueado agudo, guaritas nos ângulos, uma torre sineira e canhoneiras abertas do lado N.; a fortaleza tinha uma capela dedicada a São Miguel.