Castelo românico construído no séc. 12, pela Ordem do Templo, em local estratégico para a organização da defesa a sul de Coimbra, reforçado por várias linhas de barbacã, no séc. 14 ou 15, reformando-se o seu paço interior, no início do séc. 16, e sendo profundamente restaurado no séc. 20, sob o plano dos Centenários. Inserido num território doado em 1128 por D. Teresa aos Templários, segundo Mário Barroca, só em 1156 seria construído o castelo, constituindo uma das primeiras iniciativas do mestre D. Gualdim Pais à frente da milícia, possivelmente ainda sem torre de menagem. Apresentaria então planta ovalada irregular, composta por muralha e dez torres, retangulares ou quadrangulares, a reforçar as suas inflexões ou a longa frente retilínea, a nascente, numa distância média de cerca de 10 metros, aspetos que Mário Barroca considera revelar notável conceção e invulgar para a época e panorama nacional, fazendo recordar alguns paralelos dentro das fortalezas almorávidas. Os paramentos aprumados, em alvenaria de pedra e cunhais de cantaria, rematariam, possivelmente, em parapeito ameado, tal como acontecia em 1508, sendo interiormente percorridos por adarve. Inicialmente teria, pelo menos, uma porta de acesso, rasgada num apertado pano de muralha, flanqueado por torres, à semelhança do que acontece no castelo de Tomar (v. IPA.00003390). Os dois panos de muralha que ladeiam, à esquerda, a porta possuem pequeno alambor, visível após as obras de restauro. A torre de menagem só seria construída em 1171, isoladamente e quase em frente da porta, com planta quadrada e paramentos aprumados com alambor pétreo, de modo a manter afastado os engenhos de assalto e os assaltantes, inspirado na arquitetura militar dos Cruzados, no Próximo Oriente, o qual é menos saliente na face principal, por esta possuir também contrafortes laterais, de modo a conferir maior estabilidade à torre, o que a faz parecer mais larga e menos alta do que realmente é. Tem acesso sobrelevado, na face oposta à entrada do castelo, por porta de verga reta, possuindo interiormente três pisos, o térreo fechado e os restantes com pouca iluminação por seteiras retilíneas. No séc. 14 / 15, o castelo seria envolvido por barbacã, reforçada em frente das portas, e por uma segunda linha de muralha, de nascente a sul, aí integrando torres e possuindo porta de acesso, que integraria a Igreja de Santa Maria do Castelo. As barbacãs são descritas no Tombo de 1508 e ainda representadas numa planta de 1920, tendo as suas estruturas consolidadas e parcialmente reconstruídas nas obras da década de 1930. A barbacã da porta sudeste é rasgada por longas seteiras, revelando grande modernidade. Talvez ainda nos séc. 14 / 15, os edifícios do recinto seriam convertidos em paço, o qual estava a ser remodelado no início do séc. 16, por ordem de D. Manuel, altura em que a porta principal é transferida para a frente noroeste, um pano de muralha mais desafogado e virado à vila, e encimada pelas armas do rei, como regedor e administrador da Ordem. O paço que se desenvolvia em U, à volta das muralhas, era composta por várias dependências sobradadas, algumas abobadadas, com vãos rasgados na muralha e virados ao pátio, onde ficava a cisterna e uma capela. Após a cedência da alcaidaria aos condes de Castelo Melhor, no séc. 17, um dos alcaides coloca o brasão de família num dos vãos exteriores do paço.
Fortificação de planta ovalada, formada por castelo e barbacã extensa a envolvê-lo, bem como à antiga Igreja de Santa Maria, na frente sudeste, onde forma uma segunda linha de muralhas. CASTELO composto por muralha e por dez torres desiguais, de planta retangular ou quadrangular, mais altas, dispostas nas inflexões da muralha e a reforçar a longa frente nascente, que é retilínea, tendo as torres a distância média de cerca de 10 metros. Apresenta paramentos aprumados, em alvenaria de pedra e cunhais de cantaria, rasgados por seteiras retilíneas, que nas torres surgem em cada um dos pisos, e rematados em parapeito ameado, de ameias prismáticas, interiormente circundados por adarve, com escadas de acesso adossadas a sudoeste. As torres são cobertas em terraço, com pavimento em alvenaria de pedra. É rasgado por duas portas, a principal, primitivamente virada a sudeste, e uma outra a noroeste. A porta principal abre-se num estreito pano de muralha, flanqueada por duas torres, com arco apontado sobre os pés direitos, encimado por vão retangular. A torre direita interiormente tem espaço em meia-lua. O pano de muralha à esquerda da porta possui alambor, bem como parte do pano seguinte, para poente, ainda que aí seja menos saliente. Nesse pano, abrem-se duas janelas do antigo paço, retilíneas e biseladas, a da direita de vão polilobado; no pano seguinte, a poente, abre-se janela de peitoril mainelada, com coluna biselada sustentando dois arcos apontados, igualmente biselados, tendo a meio brasão de família. A noroeste, num largo pano de muralha, flanqueado por torres, abre-se a atual porta principal, mais larga que a anterior, em arco apontado, de moldura biselada, encimada por moldura contendo, em eixo, as armas nacionais, entre a cruz de Cristo e a esfera armilar. Lateralmente, em plano superior, surgem duas seteiras. Na muralha a nordeste abre-se ainda uma seteira. INTERIOR do recinto com diferentes níveis de pavimento, sendo a zona fronteira à primitiva porta principal, onde se ergue isolada a torre de menagem, mais elevada. A TORRE DE MENAGEM surge quase em frente da porta, tem planta quadrangular e cobertura em terraço, com placas de cantaria, onde se construiu recentemente estrutura metálica sobrelevada, para desfrutar a paisagem, existindo à volta do parapeito guarda metálica. Possui paramentos aprumados, com alambor em cada uma das faces, ainda que seja menos saliente na face principal, onde é ladeada por dois contrafortes, bastante altos, e rematados em parapeito ameado, de ameias prismáticas. A face principal, virada ao recinto e a noroeste, é rasgada por porta sobrelevada e descentrada, acedida por estrutura recente em aço, tipo caixa retangular, criando "varanda" para apreciação do recinto, com guarda metálica e parcialmente envidraçada, precedida de escadas, de betão revestidas a aço; superiormente abre-se pequena seteira. Na face lateral esquerda, na direita e na posterior abrem-se seteiras, todas elas a formar nicho no interior, existindo ainda nas duas laterais uma gárgula e na direita porta de verga reta, biselada. No INTERIOR possui três pisos, o inferior fechado e os dois superiores, com pavimento em grelha metálica ou em betão, interligadas por escada metálica com guarda também metálica. No interior do recinto, a circundar a muralha e numa cota inferior, subsistem estruturas do antigo paço do comendador que a ela se adossavam, e que se desenvolviam em dois pisos, o inferior com o paramento da muralha de maior espessura, e, ao nível do segundo piso, com vários vãos abertos na muralha e com portas estreitas, de verga reta, de acesso às torres. As dependências a norte são seccionadas por dois amplos arcos, e, em frente, subsiste os alicerces da cabeceira curva da antiga capela de São Miguel. No pavimento do pátio existem caleiras de condução das águas pluviais para a cisterna, que se desenvolve sob o pátio, com planta retangular e duas bocas circulares, em cantaria. A primeira torre da frente poente e a disposta a nordeste possuem vãos para permitir a atual circulação no adarve. BARBACÃ: No topo da colina, o castelo é circundado, em quase toda a extensão, por muro, correspondendo possivelmente à antiga barbacã, que em frente da porta sudeste envolvia ainda barbacã da porta, retangular, com seteiras estribadas, longilíneas, apresentando vestígios de antigo portal entre ela e as torres que flanqueiam a porta. Na frente noroeste e contornando a torre norte, o muro passa a muralha, com merlões de corpo largo e seteiras intermédias. Nesta frente, existem ainda vestígios de estrutura tipo barbacã da porta, num nível inferior. Numa cota ainda mais baixa, desenvolve-se uma segunda linha de barbacã, de poente a sul, com muralhas aprumadas, rasgadas por seteiras, com troços a revelar a existência de dois pisos, reforçadas por três torres quadrangulares, a disposta mais a sul, acedida por amplo arco de volta perfeita; a poente existe pano de muralha perpendicular que liga ao muro que delimita o morro, possuindo amplo arco de volta perfeita sobre a estrada. No limite sul da barbacã, mas na sua continuidade, desenvolvem-se as estruturas da IGREJA DE SANTA MARIA DO CASTELO, de que subsiste a cabeceira, de planta retangular e interiormente curva, tendo adossado, à esquerda, pequena sacristia retangular, e, à direita, separado, ampla capela lateral. Esta tem planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas, e sendo aberta na parede frontal, onde tem guarda em ferro. Apresenta as fachadas em alvenaria mista, rebocada e pintada e, na parede testeira do interior, caiada. Possui pavimento cerâmico e cobertura em abóbada de berço, formando caixotões, decorados com florões e grotescos, sobre friso e cornija de cantaria. Na parede do lado do Evangelho, abre-se janela de capialço e, na parede fundeira, possui amplo vão em arco de volta perfeita, para albergar o antigo retábulo.
Materiais
Estrutura em cantaria e alvenaria de pedra calcária ou mista; placas de betão; estrutura e escada em aço corten; pedra ataíja azul; guardas e pavimento em grelha metálica; vidro simples.
Observações
*1 - Alguns historiadores consideram que esta lápide era proveniente do castelo de Almourol e não do de Pombal. Contudo, o recente estudo epigráfico da inscrição, feito por Mário Barroca aponta com bastante probabilidade para a última hipótese (BARROCA, 2000, tomo I, pp. 352-353). O estudo deste autor demonstrou ainda que a epígrafe e a inscrição do castelo de Almourol (v. IPA.00003404), apresentam características paleográficas, nomeadamente no tipo de letra utilizada e no recurso sistemático a inclusões anexos, e epigráficas, no que respeita à organização da inscrição, semelhantes, o que comprova terem sido executadas na mesma oficina epigráfica sendo o ordinator membro da Ordem do Templo. *2 - Segundo o Tombo da visitação de 1508, "Acima da dita vila em huu cabeço. tem a hordem huu castello formoso e forte. cuja entrada há por huu baluarte que estaa junto da porta principal da egreja de santa maria. o qual castello ee bem cercado de boom muro ameado. e baluartes a ligares asi aa entrada principal como aa entrada da porta noua e tem outro baluarte atrauees da porta da treicom e chama se o baluarte da redinha. Dentro na cerca e muro do ditto castello. tem huua torre de menagem forte e de bõoa altura de três sobrados e huu terreiro lageado .e no meyo huua grande cisterna com seu local de canto laurado. Aa mãao seestra da entrada do dito terreiro .estaa huu aposentamento a que sobem per huua escalada de pedra com seu mainel bem obrada. e logo huua salla de bõoa brandura oliuellada de pinho em três painees .e della três janellas .huua no muro ferrada e junto della huua chamjnee de pedraria. e as outras duas janellas sobre o terreiro outrosi Ferradas. E junto da dicta chaminee. huua casa d aboueda ladrilhada. Aa maao seestra da entrada da dita salla tem huua camera oliuellada de pinho sobre as asnas com huua janella ferrada. e junto della huua chaminee de pedraria. e outra casa d aboueda. Aa mãao direita da dita sala. tem outra camara grande oliuellada. com sua janela e chaminee .e alem desta tem outra câmara asi oliuellada sobre as asnas e outra casa d aboueda e outra janella ferrada contra a villa da parte do norte. Aa maao direita da dita câmera. estaa huua grande casa bem madeirada. e tem mujtos repartimento. telhada de telha vãa e no cabo della huua chamjnee. Todas estas casas. leuam suas logeas per baixo. Ao pee da dita torre de menagem tem huua grande estrebaria com suas manjadoiras .e junto com ella huua casa armada sobre esteos e arcos que serue de palheiro. Aa maao seestra da entrada da torre da menagem estaa huua capella da jnuocacom de sam miguel oliuellada e ladrilhada e bem guarnecida. e nella huua bõoa jmagem de pedra bem pintada: E sobre a porta principal. huua casa de bemguarda. e outra sobre a dita capella ladrilhada. Aalem da dita capela outra casa argamassada com sua chaminee e huua janela pequena ao ponente e debaixo della huua logea. Ao pee da dita torre. outra casa ladrilhada e mal madeirada .com quatro janelas pequenas e huua chamjnee de barro velha. Dentro na dita cerca bonde se chama a adega do mestre estaa huu pomar em que estam os figueiras madeiras. Pereiras. Pereiros e outras aruores de fruto. E antes este pomar e a seruentia do castello estaa huu baluarte pequeno em que estam os dous aciprestes e huua palmeira e cidreiras e limoeiros e alegretes. As sobreditas câmaras e casas som ora de nouo feitas e reparadas. aa custa d el rey nosso senhor. *3 - Em 1536, frei António de Lisboa descreva a Igreja de Santa Maria do Castelo com 9 braças de comprimento e 3,5 braças de largura, com capela-mor de abóbada, tendo 3 braças de comprimento e 2 de largura. A igreja tem dois sinos pequenos e um campanário sobre a porta principal. Tem "no meio dela", à entrada da igreja, tem uma cisterna com um "entabulamento alto", "que peja a mor parte da casa". Do lado esquerdo, existe uma pia batismal. Sobre a porta principal, possui coro de madeira desmanchado, já velho e com falta de muitas tábuas. Tem o altar principal, com dois degraus, e dois altares no cruzeiro, forrados de azulejos. A sacristia tem 1,5 braças de comprimento e 1 braça e 2 palmos de largura. *4 - Dois retábulos renascentistas considerados pertencentes à Igreja de Santa Maria do Castelo, atribuídos a João de Ruão e Jácome de Bruges, conservam-se atualmente, um na Igreja de São Martinho (v. IPA.00001803), e outro na Igreja do Cardal. *5 - As obras de restauro que a DGEMN realizou no castelo de Pombal, durante a década de 1930, são descriminadas no Boletim n.º 21 com maior pormenor, permitindo entender o que facto foi feito. Esses trabalhos constaram de: limpeza geral da praça de armas, compreendendo o arranque da vegetação, materiais de alvenaria ali acumulados, e escavação do entulho para desaterro das ruínas de antigas construções; reconstrução de uma das torres que guarnecem a cerca na face meridional do castelo, sua ligação à muralha e reconstituição da primitiva abóbada da mesma torre; demolição de algumas paredes de alvenaria que, em época relativamente recente, tinham sido construídas entre a torre de menagem e a muralha; demolição de um grosso muro que, junto da porta do nascente, se mascarara a muralha primitiva; escavação do terreno exterior, em frente da mesma porta, para desaterro da barcabã ali existente, que foi parcialmente reconstituída, e regularização da antiga passagem empedrada que a ligava ao castelo; reconstituição parcial dos remates das torres da cerca e ligação de todas essas torres à muralha; reconstituição e consolidação dos adarves, com lajes de betão armado, encobertas, assim como dos respetivos parapeitos e das ameias existentes; apeamento parcial e reconstrução cuidadosa de um trecho da torre contígua à porta do nascente; consolidação geral da torre de menagem, onde foi colocado um novo telhado (armação e cobertura), e recomposição das respetivas ameias, pavimentos e escadas interiores; escavação do terreno que corre exteriormente ao longo da face ocidental do castelo e reconstituição parcial da barbacã ali erguida para defesa da respetiva porta; reconstituição de dois arcos de cantaria pertencentes a uma das primitivas construções da praça de armas, de acordo com os elementos encontrados no decurso das escavações; reconstituição de uma janela geminada, manuelina, da antiga alcáçova, com os elementos originais que puderam ser salvos; reconstituição das bocas da cisterna com as pedras primitivas, que apareceram durante o desaterro, e reconstituição parcial da vedação das mesmas aberturas; reconstrução e consolidação das fortificações exteriores, incluindo a reconstituição de uma torre e longos trabalhos de escavação e desaterro; limpeza geral, exterior e interior, dos paramentos da muralha, assim como de todas as demais paredes; regularização das antigas obras de acesso às antigas entradas do castelo; reconstituição das barreiras que defendiam exteriormente o castelo; reconstrução da cobertura da capela anexa ao castelo; construção e assentamento de duas portas. Nas obras de restauro do imóvel pela DGEMN, encontraram-se das barbacãs dois lanços junto às portas do castelo, um deles, por estar ainda "muito robusto e quási indemne" pode ser facilmente reconstituído, enquanto que o outro, de construção mais antiga, já não conservava entre os restos desmantelados elementos que permitissem uma "idónea reconstituição". Pôs-se a descoberto as ruínas dos antigos edifícios do recinto interior do castelo, nomeadamente restos de pavimento de tijolos, ombreiras de porta biseladas, cantarias lavradas, lisas, colunas, mós, etc. Descobriu-se ainda apreciável quantidade de moedas, sobretudo do reinado de D. Manuel.